12/03/2023

Aos 61 anos, gaúcha inicia graduação em Medicina

Determinação de Salete serve de inspiração - Foto: Lucas Wendt


Salete Marques Giovanella, 61, natural de Progresso, município no interior do Rio Grande do Sul, é a mais nova caloura do curso de Medicina da Universidade do Vale do Taquari - Univates, de Lajeado, onde começa a tornar realidade, atualmente, um antigo sonho de ser médica. Depois de passar 40 anos em Porto Alegre, capital do Estado, Salete decidiu voltar para o Vale do Taquari - onde estão Lajeado e Progresso - para cursar Medicina na Universidade local.
 
O sonho de se tornar médica veio da infância, quando ela brincava com seus irmãos e primos de ser médicos e cuidar dos "pacientes". Salete fez a sétima série em Lajeado antes de se mudar para Porto Alegre, onde continuou seus estudos e se formou em Biologia em uma Instituição da capital.
 
Sonho adormecido
Depois de se casar e ter filhos, seus planos de estudar Medicina foram substituídos pela necessidade de cuidar das crianças. Agora que seus filhos já se formaram, ela decidiu resgatar seu antigo sonho. Com o apoio da família, ela comprou um cursinho online e decidiu voltar a estudar, tendo feito o Enem em 2020, 2021 e 2022.
 
Ela foi aprovada na Univates recentemente e seu sonho começa a se tornar realidade. Embora mantenha seu emprego em um abrigo para crianças em Porto Alegre, ela planeja se aposentar até o final do ano. Depois de se formar, Salete quer atuar como médica de família em postos de saúde do interior, ajudando as pessoas que não podem pagar por seus serviços. A filha e o filho de Salete a apoiam muito - a filha chegou a acompanhá-la na primeira semana de aula na Universidade.
 
Saber ouvir
O curso de Medicina da Univates, avaliado como melhor do interior do RS pelo Ministério da Educação, tem duração de 6 a 9 anos e carga horária de 9.140h. “Durante o curso, eu pretendo adquirir o máximo de conhecimento, especialmente o científico, mas também aprender o social: o paciente precisa ser tratado em relação a sua doença, mas nós, médicos, precisamos saber ouvir e entender o contexto desse paciente”, destaca a estudante, que revela querer aprender o lado humano e social da profissão.
 
“Nunca desistam”
Salete também enfatiza: “Quero deixar uma mensagem para as pessoas, em geral, que sonham com coisas que parecem difíceis: nunca desistam”. Especialmente aos mais velhos, ela aconselha: “A sociedade está mudando. Nós, pessoas mais velhas, estamos recebendo mais atenção e possibilidades. As pessoas com frequência me procuram e dizem que conhecem pessoas que são mais velhas e que têm vontade de estudar, e eu reforço que é possível. Eu tenho medo, claro, mas eu vou me esforçar para conseguir. É possível, a vida é curta, mas nunca é tarde para correr atrás dos sonhos”.
 
Vencer a tecnologia
Antes de começar a estudar, seu maior medo era não ser bem recebida pelos colegas mais jovens, mas sua relação com a juventude tem sido positiva e ela aprende sobre novas tecnologias com os colegas. Para ela, Medicina é um curso extenso, denso e com muito conteúdo. “Meu maior desafio acho que será vencer a tecnologia. Para isso, estou contando com auxílio para me organizar nas rotinas de estudo”.
 
Décadas mais tarde ela está em uma Instituição muito diferente daquela da dos anos 1980. “A Univates me surpreendeu muito. O campus é lindo, os materiais de aula são muito bons e eu fui bem recebida por todos. Me sinto feliz e pronta para enfrentar os desafios. Vencido o Vestibular e o Enem, consegui chegar aqui e já estou realizada. Quero me formar uma médica mais humana. Este é o meu projeto de vida”.
 
Viver Toledo - Ano 14
Editoria: Wanderley Graeff e Karine Graeff
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