O clima quente e as áreas disponíveis para o reflorestamento
Dilceu Sperafico*
Se
faltam florestas no mundo inteiro, sobram espaços para o plantio de árvores e a
maior contribuição para a preservação dos recursos naturais e do equilíbrio
ambiental.
Conforme
levantamento publicado pela revista Science, em sua edição de julho último, nos
diversos continentes há áreas inexploradas, onde poderiam ser plantadas 1,2
trilhão de novas mudas de espécies de árvores, ampliando a capacidade de
absorção de CO2 e diminuindo o tão temido aquecimento global.
De
acordo com o estudo, somente o Brasil tem 50 milhões de hectares disponíveis
para o reflorestamento, em regiões livres de áreas urbanas, florestas nativas e
atividades agropecuárias.
A
imensa área, equivalente ao território da Espanha, seria formada por terras
degradadas, após desmatamento ou abandono da agricultura, mas com solo fértil o
suficiente para receber e desenvolver mudas de árvores, ajudando a melhorar a
qualidade do ar do mundo.
Em
todo o planeta, a disponibilidade de áreas em condições de receber
reflorestamento somaria 0,9 bilhão de hectare, em espaços onde poderiam ser
plantadas 1,2 trilhão de mudas de árvores nativas ou exóticas.
Estas
novas florestas, segundo especialistas, seriam capazes de absorver 205
gigatoneladas de carbono, um pouco menos do que as 300 gigatoneladas emitidas
pela humanidade desde 1800.
De
acordo com o estudo divulgado, mais da
metade do território disponível para plantio de árvores está distribuída em
seis grandes países, como a Rússia, com 151 milhões de hectares; Estados
Unidos, com 103 milhões; Canadá, com 78 milhões; Austrália, com 58 milhões;
Brasil, com 50 milhões; e China, com 40 milhões de hectares.
No
caso do Brasil, segundo os pesquisadores, foram incluídas algumas áreas
utilizadas para o cultivo de pastagem destinadas à alimentação de rebanhos
bovinos.
Esse
aproveitamento, por sinal, não representa nenhuma novidade, pois no Norte da
Argentina, por exemplo, há extensa áreas de matas nativas, que após o desbaste
de arbustos de menor porte, abrigam pastagens cultivadas para a criação de
bovinos, equinos e ovinos.
O
plantio de árvores, na verdade, mesmo que em pequeno volume, também é
recomendado para áreas urbanas, como estratégia de melhoria da saúde da
população e em espaços limitados de terras agrícolas, para o melhor controle de
tempestades de vento e granizo.
Conforme
os pesquisadores, o reflorestamento é uma das estratégias mais efetivas e
eficientes contra o aquecimento global, pois o processo de fotossíntese das
árvores absorve o CO2 emitido pela queima de combustíveis fósseis e outros
fatores, como a impermeabilização do solo, reduzindo em até 10º a temperatura
média do interior das matas.
Conforme
o último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas,
seria necessário o plantio de um bilhão de hectares de novas floresta para o
planeta restringir o aquecimento global a 1,5°C até 2050.
O
levantamento foi baseado em imagens de satélites para o mapeamento de locais
ocupados por concentrações urbanas, agricultura ou florestas preservadas e
áreas com potencial de reflorestamento, pelas suas características de solo e
clima.
As
novas florestas, além da captura de carbono, também trariam maior
biodiversidade à natureza, incluindo a fauna, melhoria do clima no campo e nas
cidades e redução da erosão em áreas cultivadas, beneficiando todos os seres
vivos do planeta.
*O autor é ex-deputado federal pelo
Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado
E-mail:
dilceu.joao@uol.com.br
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