Paraná suspende vacinação de bovinos e bubalinos contra a febre aftosa
O Paraná deixará de vacinar os rebanhos de bovinos e
bubalinos contra a febre aftosa a partir de 31 de outubro. A suspensão da
vacinação foi autorizada por instrução normativa assinada nesta terça-feira
(15) pela ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, e
o governador Carlos Massa Ratinho Junior, no Palácio Iguaçu.
A medida que proíbe o uso e a comercialização da
vacina no Paraná a partir do final deste mês atende o compromisso do Estado de
conquistar o status de área livre da aftosa. O fim da vacinação dará início à
campanha de cadastramento obrigatório de um rebanho de 9,2 milhões de cabeças,
com vigilância sanitária redobrada.
“É um momento histórico do Estado”, afirmou Ratinho
Junior na solenidade que teve a presença de criadores e lideranças do setor.
Ele destacou que o Paraná atinge um novo patamar sanitário no agronegócio
mundial e que o fim da vacinação contra a aftosa permite aos produtores do
Estado conquistar novos mercados nas cadeias de todas as carnes.
“Essa medida abre um leque de mercado no mundo. Cerca
de 65% dos países não compram carne suína do Paraná em função da vacinação
contra aftosa. A pecuária paranaense passa a ter um novo patamar. Vamos
resgatar a produção de bezerros, melhorar a genética animal e ampliar as
granjas”, pontuou Ratinho Junior.
Para a ministra Tereza Cristina, o Paraná inaugura uma
nova era sanitária no País. “Consideramos todos os critérios técnicos do
Governo do Estado. Houve um calendário de ações, investimentos financeiros e
veterinários. O Paraná vai ser uma excelência nas cadeias produtivas dos
animais. Santa Catarina era um Estado pequeno e que tinha muito mais facilidade
nesse status. O Paraná deu um passo enorme”, explicou.
Livre
da Aftosa
Segundo Norberto Ortigara, secretário de Agricultura e
Abastecimento, há 50 anos o Paraná se esforça para superar essa enfermidade,
que macula a imagem da produção, e que desde 2006 não há registros da doença. A
suspensão da vacina representa uma economia estimada em R$ 30 milhões para os
produtores paranaenses. “Chegamos a ter mais de dez mil focos ativos nos anos
80 e por uma estratégica técnica de vigilância permanente reduzimos a febre
aftosa a pó. Não tivemos mais casos clínicos, subclínicos ou evidências da
circulação viral. O Brasil está livre da doença. Essa etapa permite que a gente
venda ao mundo uma imagem limpa”, explicou.
Medida
contribui para ampliação da venda de suínos e aves
A ministra Tereza Cristina citou a expectativa do País
de conquistar novos mercados a partir do fim da vacinação contra a aftosa no
Paraná. Segundo ela, o Brasil pratica comércio bilateral no agronegócio com
quase 200 países, mercado que atinge um bilhão de pessoas.
“O Paraná passa para outro patamar na suinocultura e
avicultura. Principalmente em suínos, o mercado hoje busca Santa Catarina pelo
status. Agora há possibilidade de atingir mercados mais exigentes. O Brasil tem
uma oportunidade gigante com o mercado chinês aberto a esse consumo, e o Paraná
deu o primeiro passo”, sustentou Tereza Cristina.
O novo status sanitário permitirá ao Paraná dobrar as
exportações de carne suína, das atuais 107 mil toneladas para 200 mil toneladas
por ano. Isso pode acontecer em caso de o Estado conquistar apenas 2% do
mercado potencial, liderado por Japão, México e Coreia do Sul, que pagam mais
pelo produto com reconhecida qualidade sanitária.
Estado
inicia campanha de cadastramento obrigatório do rebanho
A campanha de vacinação contra febre aftosa será
substituída pela campanha de atualização do rebanho. A medida acontecerá duas
vezes por ano, nos meses de maio e novembro, e ficará a cargo da Agência de
Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar).
O cadastro pode ser realizado diretamente no site
www.adapar.pr.gov.br, nas unidades da agência espalhadas pelo Estado e em
instituições autorizadas, como algumas prefeituras e sindicatos rurais.
Se o produtor não realizar o cadastro ficará sujeito a
penalidades e não receberá a Guia de Trânsito Animal (GTA), documento
obrigatório para o trânsito de animais. A primeira campanha de atualização do
cadastro de rebanhos acontecerá de 1º a 30 de novembro.
A instrução normativa também determina que a
Secretaria de Defesa Agropecuária edite normas para restrição e controle do
ingresso de animais vacinados contra febre aftosa no Paraná, para adoção a
partir de 1º de janeiro de 2020. Assim, até o final deste ano, uma nova
instrução normativa será elaborada para determinar a proibição do ingresso de
animais vacinados.
Posteriormente, quando houver o reconhecimento
nacional do Estado como livre de febre aftosa sem vacinação, assim como já
ocorre em Santa Catarina, as demais regras de trânsito de animais suscetíveis à
febre aftosa e seus produtos passará a vigorar conforme legislação vigente.
“Quando as fronteiras se fecharem não teremos mais
como receber animais da zona vacinada. Teremos os 33 postos de vigilância, barreiras
comuns com Santa Catarina, as zonas de fronteira com Paraguai e Argentina e 17
corredores sanitários sob condições específicas para realizar esse controle”,
afirmou Ortigara.
Paraná
reforça vigilância sanitária para proteger a produção
O Paraná tem se preparado nos últimos anos para
conquistar o status de Área Livre de Febre Aftosa sem Vacinação com iniciativas
que vão desde a contratação de profissionais para o trabalho de fiscalização e
vigilância (30 médicos veterinários e 50 técnicos agrícolas) até a reforma das
instalações onde funcionam as barreiras interestaduais.
O Estado tem 32 Postos de Fiscalização do Trânsito
Agropecuário (PFTA) nas divisas com os estados de Santa Catarina, Mato Grosso
do Sul e São Paulo, e um posto em fase de construção na rodovia BR-116, divisa
com São Paulo. Houve também investimento em fiscalização volante, que conta com
ajuda da Polícia Rodoviária Estadual, além dos sistemas de gerenciamento e monitoramento
informatizados do trânsito animal, para reforçar o serviço de inteligência.
Histórico
O primeiro registro oficial de febre aftosa no Brasil
foi no triângulo mineiro, em 1895. Os focos na América do Sul coincidiram com a
importação de animais da Europa e com surgimento da indústria frigorífica no
Brasil. Em 1992, o Ministério da Agricultura criou o Programa Nacional de
Erradicação da Febre Aftosa, com a adoção de medidas regionais e da campanha
sistemática da vacinação. Agora, o governo federal incentiva os Estados a
desenvolverem novas medidas de controlar a doença, como a alcançada pelo
Paraná.
Viver News – Karine Graeff c/ assessoria
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