A crise dos municípios e as dificuldades impostas à população
Dilceu
Sperafico*
Para nós, que sempre
fomos municipalistas, além de defensores do agronegócio, as notícias sobre a
situação financeira das municipalidades brasileiras são cada vez mais
preocupantes.
Isso porque as pessoas
residem nos municípios e dependem de serviços fundamentais, todos fornecidos
pelas prefeituras, como saúde, educação, assistência social, cultura, esporte,
lazer e infraestrutura urbana e rural.
Caso esses serviços não
atendam suas necessidades, a solução é procurar a prefeitura, câmara municipal
e secretarias municipais, pois dificilmente terão acesso a governantes,
legisladores e órgãos públicos estaduais e federais.
Enfrentando grave crise,
grande número de municípios já não consegue atender as demandas básicas da
população, que sem respaldo da prefeitura, fica a mercê de entidades
assistenciais e familiares solidários.
Conforme a Confederação
Nacional dos Municípios (CNM), centenas de cidades já estão à beira de colapso
financeiro, ficando sem condições de pagar em dia vencimentos de servidores,
como, por sinal, já acontece com diversos Estados.
O estudo da CNM aponta
que se 69 prefeituras de todo o País decretaram calamidade nas contas públicas
em 2019, neste ano de 2020 as municipalidades nessa situação podem somar 229.
Na prática, o decreto de
calamidade nas contas públicas serve para alertar governos estaduais, União e
sociedade, de que serviços públicos municipais serão afetados pela falta de
recursos, embora a medida não exima o gestor local da Lei de Responsabilidade
Fiscal (LRF).
Em outras palavras, ao
assinar esse decreto, o administrador está informando à população que terá de
cortar serviços, por não ter condições de cumprir obrigações atribuídas ao
município.
Especialistas também
alertam que o pedido de calamidade financeira é só a ponta de profunda crise
enfrentada pelos municípios, pois desde a promulgação da Constituição de 1988,
as prefeituras passaram a assumir papel maior na prestação de serviços
públicos, sem que seus orçamentos dessem conta de novas obrigações.
Isso porque a maioria das
cidades não tem autonomia financeira e suas principais fontes de arrecadação
são tributos como o Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU), Imposto sobre
Serviços (ISS), e Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), que não
são suficientes para equilibrar orçamentos e quanto menor for o município,
maior será sua dependência de repasses voluntários do Estado e da União.
De acordo com a CNM, nos
municípios com até cinco mil habitantes a arrecadação desses três impostos
representa apenas 2,26% da receita total. Numa faixa superior, com entre cinco
mil e 20 mil habitantes, a soma dos tributos municipais corresponde a 3,67% da
receita.
Já entre as cidades com
mais de um milhão de habitantes, a arrecadação dos três impostos municipais
chega a 26,86% da receita total. O problema é que mais da metade dos municípios
brasileiros possui população inferior a 20 mil habitantes e nessas cidades a receita
própria não alcança 4,0% da arrecadação total.
Para minimizar as
dificuldades, pois as transferências de recursos estaduais e federais não
dependem de decisões isoladas, 3.488 municípios já reduziram as despesas de
custeio; 2.230 outras cidades estão com pagamentos de fornecedores atrasados;
1.988 prefeitos diminuíram cargos comissionados; e 1.519 prefeituras
desativaram seus veículos próprios.
*O
autor é ex-deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do
Estado
E-mail:
dilceu.joao@uol.com.br
Viver News – Karine Graeff c/ assessoria
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