A colonada grossa e o “quase” Estado do Iguaçu
Histórias do Velho Oeste – Por Wanderley Graeff*
(Série de crônicas
iniciada como“Histórias do Futebol”, adaptada para um contexto mais abrangente
da vida social, política e esportiva da gente do Oeste do Paraná)
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| Símbolo do Território Federal do Iguaçu, o Palácio do Governo abriga a Câmara Municipal de Laranjeiras do Sul |
O
Oeste do Paraná hoje pode ser considerado moderno, inserido nos tempos atuais
de melhor infraestrutura. Mas calma lá! Eu disse melhor infraestrutura, mas
ainda longe do ideal. Vejam a BR-277. Estamos na segunda década do Século 21 e ainda
não temos uma via duplicada ligando a região à capital. É o cúmulo do absurdo.
O
que não é bom, é claro que já foi bem pior, e isso não faz muito tempo. A região
que se transformou em celeiro do Paraná sofreu por décadas as consequências do
abandono, resultado da grande distância para os grandes centros e mesmo até do
preconceito do povo culto da capital, que olhava com desdém para os novos
caipiras. Era a “colonada” do Sul, tambem rotulada de “gauchada grossa”, que se
atrevia a torcer por Grêmio e Internacional em detrimento dos times daqui. Esse
povo trabalhador e de muita fibra, ao lado de grandes levas de catarinenses, povoou
a região da fronteira, enfrentando a mata virgens e ambientes inóspitos, alimentando
mosquitos de toda sorte nas noites sombrias iluminadas à luz de velas, quiçá,
um candeeiro cheirando forte e exalando a fumaça negra da queima da queronese.
Era
a Segunda Guerra Mundial e o governo brasileiro desmembrou por decreto seis
territórios em regiões estratégicas da fronteira do país para administrá-los
diretamente como Territórios Federais: Amapá, Rio Branco, Guaporé, Ponta Porã,
Iguaçu e o arquipélago de Fernando de Noronha. A ideia era permitir ao governo
federal ocupar mais diretamente regiões fronteiriças de baixa densidade
demográfica, com pequena rede urbana e reduzida presença do poder público.
Pelo
Decreto-Lei lei n.º 5.812, de 13 de setembro de 1943, foi criado o Território
Federal do Iguaçu. Abrangia as regiões Oeste, Noroeste e Sudoeste do Paraná e o
Oeste de Santa Catarina e tinha como capital o então vilarejo de Laranjeiras do
Sul (ex-Vila Xagu), que passou a se chamar Iguaçu. O território era dividido em
cinco municípios: Foz do Iguaçu, Clevelândia, Iguaçu, Mangueirinha e Chapecó e
dois governadores militares foram nomeados nesse tempo: João Garcez do
Nascimento e Frederico Trotta. (segue após o anúncio)
Inconformados,
os governantes de Santa Catarina e Paraná lutaram ferrenhamente pela reanexação
dos territórios perdidos para o Iguaçu, que acabou extinto em 18 de setembro de
1946.
Após
a extinção do Território Federal do Iguaçu, surgiu um movimento pela sua
recriação, desta vez como estado. Isto ocorreu nas cidades onde haviam sido
iniciadas obras financiadas pelo governo federal, como escolas e estradas, que
foram paralisadas quando da extinção do território. Naquele breve tempo a região
muito pouco progrediu e o abandono seguiu pelas décadas seguintes. O Oeste sofria
como que uma punição pela secção sofrida pelo estado paranaense.
Mas
aquela gente teimosa e trabalhadora não era de baixar a cabeça. As mãos
calejadas pelo trabalho árduo no campo constituíram as cooperativas, enquanto
nas cidades a veia do associativismo fazia acontecer para que a ausência dos
governos federal e estadual fosse atenuada. O crescimento se deu mais pela
teimosia da sua gente do que pelo apoio recebido de fora, salvo raras exceções.
Em pouco tempo, o Oeste era o celeiro do Paraná, seu maior produtor de grãos,
animais e seus derivados.
O
movimento pela criação do Estado do Iguaçu foi retomado com vigor na década de
1960, e teve no advogado e empresário gaúcho Edi Siliprandi, estabelecido em
Cascavel, um dos seus mais ferrenhos defensores.
Siliprandi
fazia a defesa apaixonada da causa e conseguiu muitos adeptos, mas sobretudo um
feito impensável que acendeu um alerta no Palácio Iguaçu: elegeu-se deputado federal
e logo incendiou os bastidores do Congresso Nacional difundindo a ideia de um plebiscito
pela criação do Estado de Iguaçu. Quanta ousadia. O governador do Paraná,
Roberto Requião, a essa altura já envidava todos os esforços para que a
proposta não passasse na Comissão de Constituição e Justiça. O sonho de uma
região autônoma e com perspectiva de aceleração do seu crescimento, recuperando
décadas de abandono e desleixo pelos políticos que comandavam o Paraná, estava
definitivamente enterrado na tarde do dia 31 de março de 1993. Foi um golpe
fatal.
De
lá para cá, houve alguns avanços no processo de estruturação da infraestrutura
do Oeste. Uma ferrovia meia boca foi construída e até a duplicação entre
Cascavel e Toledo aconteceu. Quase nada comparado ao que a região mais produtiva
gera de divisas para o Estado.
É
certo que o Estado do Iguaçu, uma ideia que alimentou sonhos, ficou para trás.
É certo tambem que o seu legado de luta seja a inspiração para que a região
Oeste nunca mais seja lembrada simplesmente como a terra de uma colonada grossa,
embora isso não nos atinja. Afinal de contas, Toledo e Cascavel pontuam há anos
no primeiro e no segundo lugares no ranking dos maiores produtores do
agronegócio estadual. Como produz essa colonada!
* Wanderley Graeff é o
jornalista com mais tempo de atuação em Toledo. Trabalhou em jornais e
emissoras de rádio e TV de Cascavel e Toledo. É diretor do Viver Toledo –
vivertoledo.blogspot.com e diretor das empresas i-Bolsa e Pharma.
Viver Toledo – Editores: Wanderley Graeff e Karine
Graeff
Apoio: Coamo, Acit, Ótica Cristal, Essencial Modas, Sicoob Meridional,
Lodi, Imobiliária Plena, Restaurante Filezão, Colégio Alfa Premium, Yara
Country Clube, Junsoft, Oesteline, Toledão, Unimed Costa Oeste, Tchibuum
Natação e Hidro, Unipar, Recanto Cataratas Thermas Resort & Convention,
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