O aprendizado do cooperativismo no ensino superior
Dilceu Sperafico*
Como detentor das maiores
cooperativas agropecuárias do País, o Paraná precisa também investir na
preparação de profissionais para a administração, modernização e expansão
destas entidades, a exemplo do que já faz com a formação de modernos produtores
rurais, através de cursos de agronomia, medicina veterinária, biologia,
engenharia ambiental, engenharia de produção e de diversas áreas da tecnologia.
Exemplo disso é o que
acontece em Minas Gerais, com o Curso de Administração de Cooperativas, da Universidade
Federal de Viçosa (UFV), cuja formação de acadêmicos já não consegue atender a
demanda por profissionais com graduação em cooperativismo no Estado.
Conforme coordenadores do
curso da UFV, a procura por especialistas em cooperativismo já é maior do que a
universidade consegue formar e prova disso, é que dos 15 alunos que se formaram
no primeiro semestre de 2019, todos estavam trabalhando em cooperativas
mineiras nos meses seguintes e a instituição seguidamente recebe pedidos de
currículos para o preenchimento de novas vagas abertas no setor.
O Curso de Administração
de Cooperativas da UFV é o mais antigo do Brasil, pois foi criado nos anos de
1970, em colaboração com o já extinto Instituto Nacional de Colonização e
Reforma Agrária (Incra), tendo a missão
de capacitar a mão-de-obra para as cooperativas criadas na região, inclusive em
assentamentos rurais.
O curso iniciou com
ensino de nível técnico até ser elevado à formação de bacharelado em 1991, com
habilitação em Administração de Cooperativas. Desde então, houve muitas
mudanças no currículo e na própria denominação do curso, mas foi mantida,
ampliada e modernizada a missão de formar profissionais conhecedores dos
valores do sistema cooperativista, rural ou urbano.
O curso superior de
cooperativismo da UFV tem duração de quatro anos e meio, com disciplinas como
administração, direito, sociologia, contabilidade e várias cadeiras que
abrangem as teorias e práticas cooperativistas, inclusive no aspecto humano da
solidariedade e desenvolvimento coletivo.
Se Minas Gerais foi o
berço do primeiro curso superior em cooperativismo, o Rio Grande do Sul foi o
primeiro Estado a ter uma instituição de ensino superior voltada exclusivamente
ao movimento cooperativista.
Foi a Faculdade de
Tecnologia do Cooperativismo (Escoop), fundada em 2011 e que já formou mais de
100 tecnólogos em Gestão de Cooperativas. A criação da instituição foi
iniciativa do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo do Estado do
Rio Grande Do Sul (Sescoop/RS), coordenado pela Organização das Cooperativas do
Estado do Rio Grande do Sul (Ocergs).
Com isso, boa parte dos
alunos já têm vínculos com cooperativas, seja como dirigentes, conselheiros,
associados e colaboradores de entidades, com faixa etária média de 30 a 40 anos
e a Escoop também oferece cursos de pós-graduação, especializações e MBA.
Com os mesmos objetivos,
também foram criados o Instituto Cooperativista (Icoop), em Cuiabá, no Mato
Grosso, e a Faculdade das Cooperativas Médicas (Unimed), em Belo Horizonte,
Minas Gerais, ambas também baseadas nos valores da cooperação, com cursos de
Gestão de Cooperativas, programas de pós-graduação e outras capacitações de
curta duração, além de, no caso da Unimed, também oferecer especializações no
ramo da saúde, como Administração Hospitalar.
*O autor é ex-deputado
federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado
E-mail:
dilceu.joao@uol.com.br
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