Os muitos males do sistema de saúde pública brasileira
Dilceu Sperafico*
Se até mesmo na crise da
pandemia de Covid-19, fornecedores de instrumentos essenciais ao tratamento de
contaminados, como respiradores, não hesitam em fornecer ao Ministério da Saúde
e governos estaduais, equipamentos fraudados e superfaturados, dá para afirmar
que os problemas da saúde pública brasileira vão muito além de graves
enfermidades conhecidas e do novo coronavírus.
Conforme o Instituto
Ética Saúde (IES), pelo menos 14,5 bilhões de reais investidos na saúde pública
vêm sendo desperdiçados anualmente no Brasil e o Covid-19 pode ainda piorar a
situação, porque o combate e a prevenção da pandemia exigem investimentos e
compras rápidas, muitas vezes sem realização de licitações tradicionais.
Conforme a instituição da
sociedade civil, a ocorrência de fraudes, corrupção, má gestão e outras
distorções custam 2,3% de todo o orçamento destinado ao setor de saúde do País,
incluindo dinheiro público e privado.
Como o novo coronavírus
está apavorando governantes, profissionais da saúde e população, a pandemia
pode agravar ainda mais o problema do desperdício de recursos, até porque os
investimentos federais, estaduais, municipais e privados no combate e presença
da enfermidade estão estimados em 630 bilhões de reais.
Desse montante, cerca de
14,5 bilhões de reais ser deram, estão se perdendo ou serão perdidos no curto e
médio prazos , pela falta de ética, corrupção e outras ingerências de agentes
públicos, fabricantes e fornecedores de equipamentos e medicamentos, tendo como
consequências a perda de vidas humanas e o sofrimentos de pacientes e
familiares.
Além disso, muitos
estabelecimentos hospitalares lesados por pessoas desonestas perderam nessas
fraudes recursos obtidos através de doações para o combate e prevenção do
Covid-19, além de subnotificações de contaminação que podem esconder mais de um
milhão de casos no País, o que aumenta o temor de ser possível a ocorrência de
mil mortes causadas pela pandemia por dia no Brasil.
Como esse histórico e
volume de irregularidades, são cada vez maiores as preocupações com as compras
feitas durante a pandemia, pela rapidez com que as operações precisam ser
realizadas, com suspensão de licitações e abolição de garantias convencionais
dos recursos públicos, neste momento difícil para o País e o mundo.
Para viabilizar e
apressar os processos de compras de equipamentos e medicamentos, reclamados por
autoridades, hospitais, profissionais de saúde, pacientes e familiares, em
fevereiro último o Congresso Nacional aprovou lei dispensando licitações na
aquisição de "bens, serviços e insumos, destinados ao enfrentamento da
situação de emergência da saúde pública.
Com esse modelo mais
flexível, o governo federal acenou com a realização de compras em apenas 10
dias, enquanto, segundo o Ministério da Economia a aquisição desses mesmos
materiais por licitação, levaria em média 60 dias para ser concretizada, um
prazo considerado muito longo diante das urgências da pandemia de Covid-19.
Com essas facilidades, o
governo federal já teria gasto em pouco tempo, em compras sem licitação, mais
de um bilhão de reais em máscaras, álcool em gel, sabonete líquido e outros
produtos e equipamentos. Os maiores gastos nesses moldes teriam sido da
Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com aquisições de 436,09 milhões de reais ou
39,76% do total, seguida pelo Ministério da Saúde, com despesas de 231,38
milhões de reais.
*O autor é ex-deputado
federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado
E-mail:
dilceu.joao@uol.com.br
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2 Comentários:
Julgo existem problemas no sistema público de saúde sim... porém a matéria joga neste "balaio de gatos" problemas com fornecedores (empresas e empresários) que superfaturam, fraudam e entregam insumos e equipamentos ruins. Também atribui ao sistema público de saúde questões como corrupção de agentes públicos, fraudes em doações por pessoal física provavelmente (não ficou muito claro). Problemas da sociedade como um todo e não exclusivamente do sistema de saúde pública.
Julgo existem problemas no sistema público de saúde sim... porém a matéria joga neste "balaio de gatos" problemas com fornecedores (empresas e empresários) que superfaturam, fraudam e entregam insumos e equipamentos ruins. Também atribui ao sistema público de saúde questões como corrupção de agentes públicos, fraudes em doações por pessoal física provavelmente (não ficou muito claro). Problemas da sociedade como um todo e não exclusivamente do sistema de saúde pública.
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