05/06/2020

Os muitos males do sistema de saúde pública brasileira

Dilceu Sperafico*
Se até mesmo na crise da pandemia de Covid-19, fornecedores de instrumentos essenciais ao tratamento de contaminados, como respiradores, não hesitam em fornecer ao Ministério da Saúde e governos estaduais, equipamentos fraudados e superfaturados, dá para afirmar que os problemas da saúde pública brasileira vão muito além de graves enfermidades conhecidas e do novo coronavírus.
Conforme o Instituto Ética Saúde (IES), pelo menos 14,5 bilhões de reais investidos na saúde pública vêm sendo desperdiçados anualmente no Brasil e o Covid-19 pode ainda piorar a situação, porque o combate e a prevenção da pandemia exigem investimentos e compras rápidas, muitas vezes sem realização de licitações tradicionais.
Conforme a instituição da sociedade civil, a ocorrência de fraudes, corrupção, má gestão e outras distorções custam 2,3% de todo o orçamento destinado ao setor de saúde do País, incluindo dinheiro público e privado.
Como o novo coronavírus está apavorando governantes, profissionais da saúde e população, a pandemia pode agravar ainda mais o problema do desperdício de recursos, até porque os investimentos federais, estaduais, municipais e privados no combate e presença da enfermidade estão estimados em 630 bilhões de reais.
Desse montante, cerca de 14,5 bilhões de reais ser deram, estão se perdendo ou serão perdidos no curto e médio prazos , pela falta de ética, corrupção e outras ingerências de agentes públicos, fabricantes e fornecedores de equipamentos e medicamentos, tendo como consequências a perda de vidas humanas e o sofrimentos de pacientes e familiares.
Além disso, muitos estabelecimentos hospitalares lesados por pessoas desonestas perderam nessas fraudes recursos obtidos através de doações para o combate e prevenção do Covid-19, além de subnotificações de contaminação que podem esconder mais de um milhão de casos no País, o que aumenta o temor de ser possível a ocorrência de mil mortes causadas pela pandemia por dia no Brasil.
Como esse histórico e volume de irregularidades, são cada vez maiores as preocupações com as compras feitas durante a pandemia, pela rapidez com que as operações precisam ser realizadas, com suspensão de licitações e abolição de garantias convencionais dos recursos públicos, neste momento difícil para o País e o mundo.
Para viabilizar e apressar os processos de compras de equipamentos e medicamentos, reclamados por autoridades, hospitais, profissionais de saúde, pacientes e familiares, em fevereiro último o Congresso Nacional aprovou lei dispensando licitações na aquisição de "bens, serviços e insumos, destinados ao enfrentamento da situação de emergência da saúde pública.
Com esse modelo mais flexível, o governo federal acenou com a realização de compras em apenas 10 dias, enquanto, segundo o Ministério da Economia a aquisição desses mesmos materiais por licitação, levaria em média 60 dias para ser concretizada, um prazo considerado muito longo diante das urgências da pandemia de Covid-19.
Com essas facilidades, o governo federal já teria gasto em pouco tempo, em compras sem licitação, mais de um bilhão de reais em máscaras, álcool em gel, sabonete líquido e outros produtos e equipamentos. Os maiores gastos nesses moldes teriam sido da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com aquisições de 436,09 milhões de reais ou 39,76% do total, seguida pelo Ministério da Saúde, com despesas de 231,38 milhões de reais.
*O autor é ex-deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado
E-mail: dilceu.joao@uol.com.br
Viver Toledo – Editores: Wanderley Graeff e Karine Graeff
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2 Comentários:

Às 5 de junho de 2020 às 15:27 , Blogger Lima disse...

Julgo existem problemas no sistema público de saúde sim... porém a matéria joga neste "balaio de gatos" problemas com fornecedores (empresas e empresários) que superfaturam, fraudam e entregam insumos e equipamentos ruins. Também atribui ao sistema público de saúde questões como corrupção de agentes públicos, fraudes em doações por pessoal física provavelmente (não ficou muito claro). Problemas da sociedade como um todo e não exclusivamente do sistema de saúde pública.

 
Às 5 de junho de 2020 às 15:28 , Blogger Lima disse...

Julgo existem problemas no sistema público de saúde sim... porém a matéria joga neste "balaio de gatos" problemas com fornecedores (empresas e empresários) que superfaturam, fraudam e entregam insumos e equipamentos ruins. Também atribui ao sistema público de saúde questões como corrupção de agentes públicos, fraudes em doações por pessoal física provavelmente (não ficou muito claro). Problemas da sociedade como um todo e não exclusivamente do sistema de saúde pública.

 

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