Cooperativas reúnem agroindústrias gigantes no mercado de carnes
As cooperativas
agrícolas paranaenses têm cada vez mais investido na industrialização dos seus
produtos. Com o objetivo de agregar maior valor à produção de seus cooperados,
as agroindústrias se tornaram potências espalhadas pelo Estado, gerando emprego,
renda e muitos produtos, que vão direto para a mesa do consumidor final.
De acordo com
dados da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), no Estado existem 215
cooperativas, sendo que 60 são do ramo agropecuário. Ao todo, são 2 milhões de
cooperados e o setor gera cerca de 100 mil empregos diretos em todo o Paraná.
São 79
agroindústrias ligadas às cooperativas, sendo 10 indústrias de óleo de soja, 12
moinhos de trigo e milho, 30 indústrias de ração, 16 indústrias de carne,
frango e suínos, além de oito plantas de processamento de leite.
Na série de
reportagens sobre empresas e produtos “Feitos no Paraná”, apresentamos algumas
cooperativas que produzem carnes e derivados.
De acordo com a
Ocepar, são 19 cooperativas no Estado com agroindústrias no segmento de carnes
(que contemplam bovinos, suínos, frangos, peixes e cordeiros). A maior parte
dedica-se à produção de produtos derivados de carne suína. São 11 ao todo.
Uma das gigantes
do setor, a Frimesa, está investindo pesado na produção de carne suína
processada. Está prevista para 2023 a inauguração do maior frigorífico de
suínos da América Latina em Assis Chateaubriand.
O complexo, com
147 mil m² de área construída, terá capacidade para abater 15 mil porcos
diariamente, resultado de um investimento de R$ 2,5 bilhões. Serão 5,5 mil
empregos diretos, que chegam a 8,5 mil quando contados os indiretos.
Toda essa produção
fará a cooperativa ganhar escala nacional e internacional. Atualmente, a
agroindústria em operação abate 8,3 mil suínos por dia ou 5% da produção
nacional. Quantia que abastece parte do mix de 445 produtos.
A cooperativa,
explica o diretor-presidente da Frimesa, Valter Vanzella, é resultado da união
de outras cinco: Lar, Copagril, Copacol, C. Vale e Primato. Reunião que dá
sustentação ao projeto de expansão. “Temos de crescer sempre, não podemos parar
no tempo. Mas isso tendo por base uma produção de qualidade, garantindo
segurança para quem compra”, ressalta.
Vanzella explica
que o planejamento passa diretamente por ganhar mercado no exterior,
especialmente no Oriente. “Exportar se tornou um bom negócio, especialmente
depois da peste suína africana na China. Saímos de 5% para 20% do faturamento.
E há ainda muitas oportunidades para venda no mercado externo”, diz.
Em Cafelândia, no
Oeste paranaense, a Copacol também processa carnes, conta com seis mil
associados, grupo formado basicamente por pequenos produtores rurais, e
emprega, diretamente, 15 mil pessoas.
A Copacol é uma
potência, com números robustos na produção de aves e peixes. São 172,3 milhões
de frangos abatidos por ano, cerca de 700 mil por dia. E outros 42 milhões de
peixes, que ajudam a fazer do Paraná o maior produtor de tilápias do País. Já
os suínos são entregues à Frimesa, que fica responsável por industrializar este
segmento do negócio.
De acordo com o
presidente da Copacol, Valter Pitol, a intenção é dobrar a capacidade de alguns
setores até 2023, como a produção de peixes. Hoje, diz ele, os produtos que
saem do Oeste paranaense com a marca Copacol chegam a boa parte do Brasil e a
60 países. “Aumentando o processo industrial, aumentamos os empregos e
melhoramos a qualidade de vida das pessoas e das cidades”, afirma o presidente.
Também no Oeste, a
Coopavel é outra cooperativa forte. Com 50 anos de história, reúne cerca de
seis mil cooperados e produz insumos, grãos, trigo, suínos e frango, que
representam um faturamento de R$ 3,5 bilhões ao ano.
A Coopavel deve
fechar 2020 com um crescimento entre 25% e 30%, mesmo em um período marcado
pela pandemia do novo coronavírus. Desempenho semelhante é esperado para 2021.
“A geração de emprego começa pela preferência do consumidor. Um produto da
Coopavel, por exemplo, está gerando emprego no Paraná. E essa é uma identidade
que cresce no Estado de uma maneira muito forte”, ressalta Dilvo Grolli,
diretor-presidente da cooperativa. “Nos orgulhamos de ser uma cooperativa 100%
paranaense”, acrescenta.
Segundo ele, a
cooperativa abate atualmente 220 mil frangos, número que deve saltar para 250
mil em 2021. São também 2 mil suínos diariamente, quantidade prevista para
subir 50% no ano que vem, chegando a 3 mil animais.
Emprego
“Somos a
cooperativa agroindustrial que mais emprega no País”, afirma o
diretor-presidente da Lar Cooperativa Agroindustrial, Irineo da Costa
Rodrigues. Com 56 anos de história e quase 12 mil cooperados, a Lar gera 18,3
mil empregos diretos, trabalhando em três atividades principais: produção e
soja, de milho e abate de aves.
Considerando
apenas a produção de carnes, a Lar abate 700 mil aves por dia, com metade desta
produção direcionada para o exterior. De acordo com Rodrigues, a marca Lar está
presente em aproximadamente 300 produtos, entre enlatados, congelados, cortes
de frangos e grãos. As exportações chegam às Américas, Europa e Ásia.
Por aqui, as
unidades da cooperativa estão instaladas em 12 municípios do Oeste paranaense,
Leste do Paraguai (10 unidades), em Mato Grosso do Sul com 14 unidades, em
Santa Catarina no município de Xanxerê para produção de sementes. Tudo isso,
junto, significa um faturamento estimado em R$ 10 bilhões em 2020. “Nosso
objetivo é viabilizar as pequenas propriedades. E isso não tem limite”, destaca
Rodrigues.
Imponente
Em Palotina, é
difícil chegar e não se impressionar com a imponência da C. Vale. Todo dia, por
ali, são abatidos 615 mil frangos e 100 mil tilápias. Entre empanados,
grelhados, temperados e outros gêneros, 160 toneladas saem da fábrica rumo a
pontos de venda de diferentes regiões do País. Há ainda produção de soja,
milho, trigo, mandioca, leite e suínos. Tudo isso administrado por um exército
de 12 mil funcionários e 23 mil associados.
“O cooperativismo
foi a forma que encontramos para fazer com que o pequeno produtor se fixasse no
campo. Uma ajuda mútua em que todos ganham”, diz o presidente da cooperativa,
Alfredo Lang.
O dirigente conta
que tudo ali é aproveitado. Restos da tilápia, por exemplo, são transformados
em farinha e as escamas vendidas para a China, usada no Oriente como
matéria-prima para a produção de colágeno. Já o pé do frango, pouco aproveitado
no Brasil, também é exportado para a China. “Lá é uma iguaria, a população
disputa o corte. Chega a ser mais caro do que a coxa e sobrecoxa”, destaca o
presidente.
Criado pelo
Governo do Estado, o projeto busca dar mais visibilidade para a produção
estadual. O objetivo é estimular a valorização e a compra de mercadorias
paranaenses. O projeto foi elaborado pela Secretaria do Planejamento e Projetos
Estruturantes e quer estimular a economia e a geração de renda. Empresas
paranaenses interessadas em participar do programa podem se cadastrar pelo site
www.feitonoparana.pr.gov.br
Confira as
reportagens já produzidas para a série que destaca o que é Feito no Paraná
Editores: Wanderley Graeff (45 98801-8722) e Karine
Graeff (45 98811-1281)- Gerência Administrativa: Luciane Graeff (45 98811-4875)
Apoio: Acit, Ótica Cristal, Essencial Modas, Lodi Store, Imobiliária Plena,
Restaurante Filezão, Colégio Alfa Premium, Yara Country Clube, Junsoft,
Oesteline, Toledão, Unimed Costa Oeste, Tchibuum Natação e Hidro, Lodi Store,
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