Eleições 2020: urnas são seguras e uso é transparente, afirma TSE
Agência Brasil - Não são novas as
dúvidas e questionamentos sobre a segurança das urnas utilizadas pela Justiça
Eleitoral nas eleições brasileiras. No pleito de 2018, o tema foi objeto de
ações coordenadas de eleitores e grupos políticos para jogar suspeição sobre a
segurança do sistema e a consequente legitimidade dos resultados das votações a
partir dele. Neste mês, que o Brasil se prepara para escolher prefeitos e
vereadores novamente, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reafirmou que as
urnas eletrônicas são seguras e que as medidas adotadas são transparentes,
podendo ser acompanhadas pelos partidos e outras instituições.
O secretário de
Tecnologia da Informação do TSE, Giuseppe Janino, lembra que as urnas são
empregadas como meio técnico de coleta de votos desde a disputa municipal de
1996. Ele conta que a iniciativa veio em resposta ao que chamou de limites a
falhas da coleta e apuração humanas. No processo até então, pessoas votavam em
cédulas de papel, que eram colocadas em grandes sacos e depois eram retiradas
para o escrutínio.
“Tínhamos muita
intervenção humana. E quando há intervenção humana temos três características.
Lentidão, prática de erros e possibilidade de fraude pela manipulação da
informação. Houve possibilidade de se transformar um processo que era lento e
cheio de erros e fraudes em um processo célere, com garantia de integridade e
proteção, com rastreabilidade que está ligado à transparência”, destaca o
secretário.
Para efeito de
comparação, dois dias após o término da votação nos Estados Unidos, as
apurações dos votos para presidente e para parte do Parlamento não haviam sido
concluídas. No Brasil os resultados presidenciais são dados horas após o
fechamento das urnas, enquanto os dos estados menores acontecem ainda no mesmo
dia, sobrando poucas Unidades da Federação que concluem no dia seguinte.
Giuseppe Janino
considera a urna eletrônica uma “mudança de paradigma”. A partir do início do
seu emprego o sistema foi sendo aperfeiçoado e foram inseridas novas
funcionalidades. Ele considera que o projeto garante segurança e transparência. (continua após anúncio)
Toda a tecnologia é
desenvolvida no TSE, conforme o secretário. Seis meses antes de cada eleição o
sistema é aberto para que mais de 15 instituições, como partidos políticos,
Ministério Público, Polícia Federal, universidades e entidades de classe, se
habilitem para verificar os programas que serão adotados.
Após este período, os
programas são lacrados e blindados, passando por mecanismos de segurança por
meio de assinaturas. “Em cada um deles é feito um código matemático e isso gera
um dígito verificador. Isso garante integridade. Fazemos um conjunto de
assinaturas em cima desses programas que vão desde o chefe da unidade,
coordenador, secretário de tecnologia e autoridades como o presidente do TSE,
PGR [Procuradoria-Geral da União], presidente da OAB [Ordem dos Advogados do
Brasil], que fazem a última camada de assinaturas”, explica Janino.
Uma cópia fica no
cofre do tribunal como alternativa para verificação. Outras são enviadas para
os tribunais regionais eleitorais. Quando o software é instalado nas urnas,
estas o leem e conferem as assinaturas. Apenas desta maneira, coloca o
secretário, a urna funciona. Ele argumenta que não seria possível uma fraude
roubando uma urna, por exemplo.
“Este fato de
subtrair uma urna não preocupa, porque ela tem todo um esquema de proteção
porque ela não vai funcionar e não vai gerar dado que não será oficial. Existem
vários pontos de segurança e verificação que garantem a integridade do
processo”, diz.
Outro procedimento de
fiscalização feito pela Justiça Eleitoral é selecionar determinadas urnas na
véspera da eleição e proceder uma simulação dos votos nas sedes dos TREs. Isso
ocorre com a participação de representantes das candidaturas, com câmeras
filmando os votos e após o fim do procedimento há uma conferência se os votos
vistos correspondem àqueles registrados na máquina.
Após cada pleito, o
TSE e a Justiça Eleitoral avaliam o desempenho do sistema e discutem o que pode
ser inserido, tanto nos equipamentos quanto nos programas utilizados. “Não há
nenhum caso de fraude identificada até hoje. Todas as suspeições formalizadas
são investigadas por instituições independentes, como Ministério Público e
Polícia Federal”, enfatiza o responsável pela tecnologia da informação do
tribunal.
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