Em parceria com o Estado, cartórios paranaenses terão sistema de biometria
O Paraná dá mais um
passo para a implantação de um projeto pioneiro no Brasil que busca inibir
fraudes e trazer mais segurança jurídica nos processos que envolvem os
cartórios do Estado. A proposta é que todas as assinaturas de reconhecimento de
firma passem por um confronto da biometria, usando como base o banco de dados
biométricos do Governo do Estado, que conta com as digitais dos cidadãos que
tiraram carteira de identidade ou a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), por
exemplo.
Um protocolo de
intenções para a implantação do sistema foi assinado nesta quarta-feira (04).
“A ideia de fazer do Paraná um Estado inovador
é fazer com que o trabalho do poder público fique mais próximo das pessoas e,
se possível, usando a tecnologia, que hoje todo mundo tem na palma da mão”,
afirmou Ratinho Junior. “Ficamos muito felizes em disponibilizar o sistema de
biometria, que vai ajudar bastante no combate a fraudes, que é também um dos
objetivos dos órgãos estaduais”, disse o governador Ratinho Júnior.
Um projeto-piloto já
está sendo desenvolvido em dois cartórios do Estado, nos tabelionatos do
Boqueirão, em Curitiba, e de Bateias, em Campo Largo, mas a ideia é que seja
implantado em todos os 1.160 estabelecimentos do Estado.
“Este convênio
demonstra o pioneirismo e a inovação do Governo do Paraná. A leitura biométrica
nos cartórios é de grande importância para a segurança jurídica, para evitar
fraudes. Qualquer pessoa que for utilizar esses serviços poderá ter a garantia
de que não haverá problemas na cadeia registral. Se houver alguma demanda
judicial, também teremos mais segurança para julgar”, afirmou o presidente do
Tribunal de Justiça.
O controlador-geral
do Estado, Raul Siqueira, explica que o Estado responde por eventuais fraudes
cometidas em cartórios, que são concessões públicas. “Esse projeto torna o
sistema mais íntegro, evitando fraudes e irregularidades, e traz a inovação e
segurança para o serviço público”, afirma. “O Estado acabava arcando com as
sanções financeiras de cidadãos lesados por essas fraudes, que entram com ações
judiciais. Por isso o uso da tecnologia para inibir essas irregularidades
também significa uma economia para o Estado”, explica.
Para o chefe da Casa
Civil, Guto Silva, o cruzamento da base biométrica do Estado com o serviço
cartorário é um importante avanço tecnológico do Paraná. “É o primeiro projeto
nacional neste sentido e já temos informações de que outros estados querem
conhecer e implementar essa inovação. É um serviço que traz segurança jurídica,
mais tranquilidade para os negócios, evita fraudes no sistema. É mais um
sistema inovador do Estado que também evita a corrupção”, disse.
Banco de Dados
De acordo com Leandro
Moura, o Paraná tem a maior base de dados biométricos do País, reunido pela
Celepar por meio de parcerias com o Instituto de Identificação do Paraná, onde
é confeccionada a carteira de identidade; do Detran-PR, responsável pela
emissão da CNH; e também com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que tem a
base biométrica dos títulos eleitorais. Com essa abrangência, também é possível
identificar possíveis fraudes que podem ser cometidas no Paraná por pessoas de
outros estados.
“Temos trabalhado
neste projeto há mais de um ano e a ideia é usar as plataformas disponíveis
para reduzir as fraudes e trazer mais segurança ao cidadão”, afirmou Leandro
Moura. “É um primeiro projeto em que abrimos a base biométrica do Estado para
diminuir as irregularidades nos cartórios, mas a ideia é levar para outros
serviços, para evitar fraudes no sistema bancário, dentro de empresas ou do
comércio”, explicou.
A presidente da
Anoreg-PR informou que a instituição pretende auxiliar aqueles cartórios que
não têm recursos suficientes para a implantação do sistema, dando a garantia de
que a ferramenta chegue a todos os municípios. “O projeto traz uma segurança
imensurável para o Estado. A proposta é que todas as pessoas que entrarem em um
cartório com a intenção de cometer alguma fraude, utilizando documentos
furtados ou falsificados, terão sua identidade validade pela biometria”,
explicou.
“A ideia é levar esse
sistema ao Paraná todo, com ajuda da Anoreg e do Colégio Notarial do Paraná,
que vão subsidiar e ajudar os cartórios que ainda não estão preparados ou têm
baixa renda a adquirirem os equipamentos”, afirmou Patrícia. “Os leitores
biométricos têm um custo muito alto, muitas vezes equivalente ao que alguns
estabelecimentos arrecadam por mês. A partir da assinatura do convênio, as
serventias que já têm o equipamento biométrico poderão iniciar os trabalhos
junto com a Celepar”, ressaltou.
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