Artigo: Inocente, Jesus quis sofrer pelos pecadores. Sua morte nos trouxe vida nova
*Dom João Carlos Seneme
Neste domingo (28/03) começa a grande semana litúrgica
que nos conduz à Páscoa: morte e ressurreição do Senhor, centro da nossa fé
cristã. A Semana Santa é um momento de profundas vivências religiosas; o
mistério de Deus "dado por nós" e a força da sua ressurreição, como
disse São Paulo, nos convocam perante à cruz que é o triunfo do amor sobre o
ódio, a esperança em um tempo de desespero.
A liturgia do Domingo de Ramos, também chamado Domingo
da Paixão, ilumina o nosso caminho quaresmal através da proclamação de dois
evangelhos, ambos de São Marcos. No mesmo dia somos convidados a reviver a
entrada triunfal de Jesus em Jerusalém e acompanhar os últimos momentos de sua
vida. Com esta celebração entramos na grande semana que dá sentido à nossa fé,
a Semana Santa.
Na primeira parte participamos da procissão dos ramos.
São Marcos narra a recepção alegre e festiva que o povo de Jerusalém dá ao
Messias-Salvador. No homem sentado em um jumentinho, a multidão reconhece o Rei
Messias e proclama: “Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor. Bendito seja
o reino que vem".
Depois vamos acompanhar a longa leitura da Paixão que
relata os gritos de alegria dos peregrinos transformando-se em gritos de ódio:
“Crucifica-o” (15, 13). Não há aqui uma contradição, mas é o coração do
mistério. O mistério que se quer proclamar é este: Jesus se entregou
voluntariamente a sua Paixão; não se sentiu esmagado por forças maiores do que
ele: Ninguém tira a minha vida, eu a dou livremente (Jo 10,18). Foi o próprio
Jesus que acolhendo a vontade do Pai, compreendeu que havia chegado a sua hora
e, obedientemente, cumpriu o seu papel de Filho e, com infinito amor, aceitou o
destino que lhe era reservado: morrer na cruz para salvar a humanidade.
Se, pelo menos, no final desta Semana Santa deste ano
especial e sofrido todo o batizado dizer com o centurião – “Na verdade, este
homem era o Filho de Deus” – será um sinal de que vivemos intensamente a
Quaresma e compreendemos a necessidade da conversão que nos levará a uma
mudança de vida e a um maior seguimento de Cristo Ressuscitado na noite santa
da Vigília Pascal.
Cristo colocou em risco a credibilidade dos sistemas
político, econômico e religioso da época de forma pacífica, chegando à morte,
pelo fato de acreditar na pessoa, na vida e nos valores que a conduzem à paz.
Hoje sabemos que o desejo de Cristo ainda não está plenamente realizado. Há
muitos que impedem que o reino da justiça, da paz, da vida e do amor alcance a
plenitude do projeto de Deus em Cristo: a construção do Reino de Deus entre nós
e para nós.
Neste domingo somos convidados a realizar o gesto
concreto da Campanha da Fraternidade Ecumênica “Fraternidade e diálogo:
compromisso de amor” - “Cristo é a nossa Paz: do que era dividido, fez uma
unidade”, através da oferta de doações em dinheiro na Coleta da Solidariedade.
É um sinal real de amor, partilha e solidariedade, feito em âmbito nacional, em
todas as comunidades cristãs católicas, paróquias e dioceses. A Coleta da
Solidariedade é parte integrante da Campanha da Fraternidade. Ela deve
expressar o empenho quaresmal de conversão. Por meio deste gesto concreto, a
Igreja dá um testemunho de fraternidade e aponta o caminho cristão da partilha
(cf. At 2,45) para a superação das grandes desigualdades presentes nas
estruturas da sociedade brasileira. Todas as doações financeiras realizadas
pelos fiéis farão parte do Fundo Nacional de Solidariedade.
*Dom João Carlos Seneme, css
Bispo de Toledo
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