Março lilás alerta para o diagnóstico precoce do câncer do colo do útero
No ano passado, mais de 16.500 novos casos foram diagnosticados em mulheres, entre 15 e 50 anos, segundo o INCA
Março é lembrado como o mês de conscientização sobre a
prevenção do câncer do colo do útero. Ele é um dos tumores ginecológicos mais
frequentes e atinge mulheres em idade jovem, entre 15 e 50 anos. Em 2020, a
estimativa do Inca (Instituto Nacional do Câncer) foi de 16.710 novos casos.
O câncer do colo do útero é causado pela infecção do
Papilomavírus Humano, conhecido como HPV. Em estágio inicial, praticamente não
ocasiona dores ou sintomas. Com a progressão da doença, sintomas como: cólicas
abdominais, corrimento vaginal persistente e sangramentos fora do período
menstrual podem surgir, diminuindo as chances de tratamento e cura da doença.
Um fator importante que reforça a necessidade de as mulheres estarem sempre em
dia com os exames preventivos.
“As pacientes que descobrem a doença no começo têm a
taxa de cura elevada para praticamente 100%. Nos diagnósticos mais tardios, no
entanto, as taxas de cura podem cair para menos de 10% de sobrevida em cinco
anos”, alerta a médica oncologista do CEONC Hospital do Câncer, doutora Tariane
Foiato.
A boa notícia é que existem formas simples de prevenir
a doença. A primeira é a vacina contra o HPV, fornecida pelo SUS para meninas
de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos, que na teoria ainda não iniciaram a
vida sexual. A segunda forma é a realização do exame conhecido como
Papanicolau, indicado para mulheres após o início da atividade sexual ou a
partir dos 25 anos. Outra questão importante é o uso de preservativos durante
as relações sexuais.
Os fatores de risco do câncer do colo do útero estão
diretamente associados à infecção persistente do vírus HPV. Cerca de 80% das
mulheres sexualmente ativas irão adquiri-lo ao longo de suas vidas, mas nem
todas irão desenvolver a doença. Existem pesquisas em andamento para averiguar
porque algumas pessoas clareiam o vírus com facilidade e outras não. Além
deste, outros fatores estão ligados ao surgimento da doença ou colaboram de
forma indireta para tal, como explica a doutora Tariane Foiato.
“O início precoce da atividade sexual, múltiplos
parceiros sexuais, presença de outras doenças sexualmente transmissíveis, ter
um parceiro de alto risco, tomar medicamentos imunossupressores, ter tido
gestação com menos de 20 anos ou multiparidade ou ainda, possuir história de
doença vulvar ou vaginal, estão entre os principais fatores de risco para
contrair o câncer do colo do útero. O tabagismo é outro fator de risco
importante para o câncer do colo uterino”, enumera a médica.
No que diz respeito ao tratamento, existem variados
protocolos que podem incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia, terapia
alvo e imunoterapia – podendo ser indicados de forma combinada ou isolada,
dependendo das condições da paciente. É importante que todas as opções sejam
discutidas entre médico e paciente, bem como quais serão os efeitos colaterais
para ajudar a tomar decisões que melhor se adaptem às suas necessidades,
levando em consideração idade, expectativa de vida e condições de saúde.
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