A importância do agronegócio para a elevação do PIB brasileiro
Dilceu Sperafico*
Nada melhor do que
conhecer e avaliar previsões de evolução do Produto Interno Bruto (PIB), do
Brasil para este ano de 2021, para dimensionar com maior precisão a importância
do agronegócio para o desenvolvimento econômico e bem-estar social do País.
Conforme levantamento
de especialistas, os Estados com maior e melhor agronegócio deverão liderar a
alta do PIB brasileiro neste ano. São os casos de Unidades da Federação das
regiões Centro-Oeste e Norte, que deverão apresentar crescimento acima da média
nacional neste e no próximo ano, favorecidas pelo ciclo positivo das
commodities, especialmente grãos e proteínas de origem animal.
De acordo com estudo
da consultoria MB Associados, pelo menos 15 Estados deverão apresentar avanços na
economia acima da média nacional no mesmo período, dos quais oito são das
regiões Centro-Oeste e Norte, além de grandes produtores agrícolas do Sul e
Nordeste.
As projeções de
crescimento do PIB melhoraram e irão crescer ainda mais com o reconhecimento de
diversas Unidades da Federação, como o Paraná, como áreas livres da febre
aftosa sem vacinação e da peste suína clássica.
Ainda antes dessas
conquistas históricas, economistas já destacavam superávit de 10,34 bilhões de
dólares da balança comercial brasileira no mês de abril último, o maior saldo
mensal em 33 anos. Esse crescimento foi alimentado pela elevação da demanda
externa por commodities agrícolas e metálicas, contribuído para a melhora das
projeções do crescimento da economia nacional em 2021.
Conforme os
especialistas, as commodities têm impacto de até 45% na formação do PIB, mesmo
que a agricultura e a pecuária tenham peso de apenas 5% nos seus números
oficiais. Já quando o levantamento engloba a cadeia industrial, de serviços e
de exportação relacionada ao setor, o PIB do agronegócio eleva sua participação
para 30%.
Em Estados do
Centro-Oeste, segundo estudos especializados, o peso do agronegócio na formação
do PIB chega a ser superior a 80% e no âmbito nacional mais de 30% dependem do
agronegócio. Incluindo outras commodities, como petróleo, gás e mineração, elas
somam de 40% a 45% do PIB do Brasil.
O diferencial das
commodities agrícolas é que nas regiões produtoras elas têm maior repercussão
na economia, contribuindo significativamente para impulsionar a renda e o
consumo nas áreas rurais e urbanas. Ocorre que as empresas relacionadas ao
agronegócio oferecem mais produtos, contratam mais funcionários e suas
atividades têm maior repercussão regional, tendo impacto superior ao da
extração e exportação de minério de ferro e petróleo.
Conforme o
levantamento da consultoria, a renda total gerada pelo agronegócio deverá
atingir o volume recorde de 965 bilhões de reais em 2021, com salto de 40% na
comparação com 2020, quando foi de 687 bilhões de reais, gerados no campo e nas
cidades.
Para entender um
pouco melhor a amplitude dos benefícios do agronegócio, basta avaliar a
agregação de valores à economia com a transformação de proteína vegetal em
proteína animal, muito mais valorizada no mercado internacional.
Na produção de carne
suína e de frangos, como acontece no Oeste do Paraná, 75% dos custos estão no
consumo de milho e soja, cujo cultivo também gera renda, empregos, novas
oportunidades de negócios e tributos, além da possibilidade de aproveitamento
de dejetos como fertilizantes e na produção de biogás e energia elétrica.
*O autor é
ex-deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado
E-mail:
dilceu.joao@uol.com.br
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