O Paraná, o produtor e a área livre de febre aftosa e peste suína
Dilceu Sperafico*
A certificação do
Paraná como área livre da febre aftosa sem vacinação e da peste suína clássica
independente, pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), às 07h15 do dia
27 de maio de 2021, foi muito além de conquista histórica do agronegócio brasileiro,
pois representou o reconhecimento da competência, seriedade e dedicação do
produtor e do trabalhador rural do País.
O anúncio feito na
88ª Assembleia Geral da OIE, realizada em Paris, em plenária virtual, no caso
da febre aftosa foi fruto de cerca de 50 anos de trabalho e investimentos em
pesquisas, sanidade e qualificação da agropecuária, por parte do produtor rural
e poder público. No Paraná, o último foco da doença foi registrado em 2006.
No caso específico do
Estado, a evolução do status sanitário fez justiça ao esforço de agricultores,
técnicos em agropecuária, autoridades, dirigentes de cooperativas e empresas do
setor, especialmente das regiões Oeste, Sudoeste, Noroeste e Centro-Oeste, que
terão reflexos positivos na conquista de novos e melhores mercados e
investimentos na produção e transformação da proteína animal.
Até então, por conta
do status sanitário, o Paraná estava impedido de exportar carnes bovina, suína
e de frango, além de derivados, para destinos que pagam mais e são grandes
importadores de proteína animal, como Japão, Coreia do Sul, México e países da
União Europeia.
Além do Paraná, a
iniciativa também atendeu aspirações do agronegócio de Rondônia e Acre e
parcela dos Estados do Amazonas e Mato Grosso, beneficiando não apenas a área
rural, pois a produção, transformação e exportação de proteína animal e
derivados, também gera renda, empregos, riquezas e tributos nas regiões
urbanas.
A febre aftosa, como sabemos, é uma das mais graves doenças infecciosas e contagiosas que atingem bovinos, ovinos, caprinos, suínos e ruminantes selvagens, com grandes prejuízos à pecuária. A doença não apresenta riscos no consumo humano de carnes e lácteos, mas mesmo assim países importadores rejeitam o produto de nações com rebanhos infectados e/ou vacinados.
No caso da peste
suína clássica, a OIE reconheceu o Paraná como bloco independente, o que foi
importante avanço mesmo que a doença já estivesse erradicada desde 1994. Pela
classificação do organismo internacional, o Estado integrava bloco de 14 Unidades
da Federação, onde qualquer foco da doença resultaria em restrições de acesso
ao mercado mundial. Agora o Paraná responde apenas pelo próprio território.
O Brasil é o maior
exportador global de carne bovina e o Paraná abate mais de 10 milhões de suínos
por ano, com perspectiva de chegar a 15 milhões em pouco tempo, graças aos
investimentos em andamento, já anunciados ou esperados para os próximos anos.
Em 2020, o Paraná
produziu 936 mil toneladas de carne suína, exportando 13,59% das vendas
externas brasileiras, com grande contribuição de criadores e frigoríficos do
Oeste do Paraná, onde o abate diário atinge dezenas de milhares de animais, com
oferta de carne e derivados para o mercado interno e uma centena de países do
mundo.
Depois de 24 anos ne
vida pública, integrando e presidindo a Frente Parlamentar da Agropecuária do
Congresso Nacional em 2005 e a Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados
nos anos 1999 e 2018, sempre defendendo diariamente o agronegócio brasileiro,
comemoramos juntos com os produtores rurais essas conquistas históricas.
*O autor é
ex-deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado
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