Agropecuária brasileira também se destaca na geração de empregos
Dilceu Sperafico*
Apesar de todas e graves
dificuldades enfrentadas nos últimos dois anos, como foram a pandemia de
Covid-19, crescimento do desemprego, queda no consumo de alimentos, elevação da
inflação, desvalorização do real frente ao dólar e histórica crise hídrica,
entre outras, o agronegócio brasileiro prosseguiu se destacando na geração de
novos postos de trabalho e no esforço pela estabilização da economia nacional.
As dificuldades, como se sabe,
resultaram na quebra de safras, com perda de renda para o produtor, que com a
elevação do dólar e em consequência dos preços das commodities, incluindo
insumos agrícolas, sofreram aumento dos custos da produção, agravando ainda
mais a redução da demanda por alimentos e matérias-primas, multiplicando os
prejuízos do homem do campo.
Na prática, a elevação da
inflação e da cotação do dólar, aumenta preços de alimentos com prejuízos para
consumidores e comerciantes, como também para produtores, porque seus efeitos
no campo são muito negativos, ampliando custos, reduzindo a lucratividade,
derrubando o consumo e atingindo diretamente o bolso do agricultor.
Mesmo assim, conforme a
Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), entre janeiro e
setembro deste ano a agropecuária do País gerou 194,99 mil novos postos de
trabalho com carteira assinada, beneficiando trabalhadores, suas famílias,
comércio e demais segmentos econômicos do País.
De acordo com o estudo, os quase 195 mil novos postos de trabalho na agropecuária representaram alta de 87% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram geradas 104,4 mil novas vagas, como resultado do esforço e determinação do produtor, que está habituado a enfrentar e superar dificuldades e perdas a cada safra.
De acordo com a CNA, os postos
de trabalho gerados no campo nos primeiros nove meses de 2021, representaram
8,0% do total de empregos criados com carteira assinada em todo o Brasil
naquele período, somando 2,56 milhões de vagas. Os dados da instituição foram
obtidos junto ao Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged),
divulgados pelo Ministério do Trabalho e do Emprego.
A geração de novos postos de
trabalho no agronegócio ganha ainda maior destaque quando comparada com o
desempenho de outros setores da economia nacional, como prestação de serviços e
comércio, que nos nove primeiros meses de 2021, acumularam perdas de 382.242 e
307.444 empregos, respectivamente, em relação ao mesmo período do ano passado.
Enquanto isso, somente no mês
de setembro, a agropecuária brasileira registrou a criação de 9.084 novas vagas
de trabalho, com destaque para a Região Nordeste, que gerou 11.059 novos
empregos no período. As Regiões Norte e Centro-Oeste também apresentaram saldo
positivo de 1.075 e 466 novas vagas no período, respectivamente.
Somente foi registrada a perda
de empregos no mês de setembro último nas Regiões Sul, com redução de 39 vagas,
e Sudeste, com a diminuição das contratações de 3.477 trabalhadores. Por
Estado, Pernambuco foi a Unidade da Federação com maior geração de empregos no
setor primário em setembro, com criação de 5.957 novas vagas.
O menor saldo negativo foi do
Paraná, com a perda de 446 vagas, que certamente seria muito maior sem o
desempenho recorde de municípios com a economia baseada no agronegócio, como
aconteceu com Toledo, que criou 4.379 novos empregos, entre janeiro e setembro.
*O autor é ex-deputado federal
pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado
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