20/01/2022

O SUS é bom? Sim e não

* Wanderley Graeff
O Sistema Único de Saúde é o “plano oficial do povo brasileiro”. Ele é bom por representar a saída – única - para as pessoas que não podem dispor de um plano de saúde ou de um atendimento particular, onde a diferença é evidente em recursos, equipamentos e até no conforto do ambiente. Com exceções, é claro.
A realidade distinta do atendimento particular/convênio X SUS é um nocaute, já conferi em algumas ocasiões.
A chegada à clínica impressionou. Uau! Que lugar bonito, climatizado, agradabilíssimo! Aí veio o choque de realidade:
- Ah! É pelo SUS... É na casa ao lado – encurtou a conversa a atendente.
Na casa ao lado, a “sala de espera” era uma varanda. Algumas eventuais lufadas de um vento abafado tentavam aplacar um calor de quase 40ºC. Um contraste com o ambiente refrigerado e de poltronas confortáveis, visitado minutos antes.
Essa história de que todos os brasileiros são iguais é uma piada de mau gosto. Tem gente que é mais igual do que as demais e não entra aqui a discussão sobre a questão da posse. Parabéns a quem trabalhou e fez por merecer uma melhor condição de vida.
Mas o conforto é um mero detalhe. Os equipamentos é que fazem a diferença.
A evolução tecnológica é grande e muitos profissionais de saúde atualizam constantemente os recursos em equipamentos com os quais se posicionam em melhores condições competitivas no mercado. E o que já era utilizado há muitos anos no espaço chique ao lado, é, digamos assim numa linguagem, chula, “descartado” para dar solução para a clientela dos menos iguais da casa ao lado.
Qual equipamento é o melhor? O de ponta, que acaba de chegar ao mercado, ou aquele que vem prestando os seus serviços há anos, com o desgaste natural da marcha do tempo? Nem se discute.
Com mais qualidade ou não, de qualquer modo o povão do SUS vai sendo atendido, mesmo que a passos de tartaruga na maioria dos casos. Guardadas as proporções, é inevitável a analogia com o calvário, que os dedicados servidores da área tentam amenizar, mas que muitas vezes está fora do seu alcance.
A espera por uma consulta com especialista ou um exame mais complexo, costuma fazer com que a clientela SUS desenvolva com louvor o exercício da paciência, da resignação e da oração.
E quando o profissional de saúde falta ao serviço e deixa na mão pessoas das mais diversas idades que madrugaram para encarar a fila na esperança de conseguir uma simples consulta?
Constatei in loco essa realidade, duas vezes este mês. Vi senhoras idosas que desde às 4 horas da manhã aguardavam a abertura da Unidade de Saúde na esperança de conseguir atendimento. Uma delas lançou um olhar triste e me escolheu para o seu desabafo. Deu dó ouvir o relato. Desde a Covid-19, ela vem tendo sangramento constante e já não sabia o que fazer. E saiu, desolada. Foi na primeira ocasião este mês.
Pouquinho antes das 7, horário da abertura, os dedicados servidores começam a chegar. E com eles, a cruel notícia que não gostariam de dar: a médica não viria para o seu compromisso com as pacientes. Não vem ao caso saber o motivo da falta, a segunda em poucos dias. A questão é que não há um plano B para dar àquelas pacientes o que elas buscam: uma simples consulta, ora bolas! Não há garantia de que essa consulta irá acontecer, não há encaixe em lugar nenhum. Nada, além da angústia para quem alguns minutos com a profissional de saúde podem representar dias a menos de sofrimento!
O sistema é bom? Sim e não. Ele é péssimo quando se tem notícias assim. Uma simples consulta...
Resta pedir ao Criador que interceda onde alguns dos seres que ele criou e que teriam a capacidade de mudar essa realidade deixam de cumprir com louvor com a sua parte. A começar pela Casa da Mãe Joana, Brasília, que não conheço mas detesto, pois quase tudo que vem de lá não me cheira bem.
Esse sistema federativo é absurdo. Nos faz enviar para a Casa da Mãe Joana uma frota de bitrens carregados de dinheiro para sustentar as mazelas do poder, os salários absurdos em vários setores e a má distribuição dos recursos. De volta, nos mandam as migalhas que mal enchem uma camionete, daquelas menores.
Pobre Brasil. Um país rico, mas que cuida muito mal do seu maior patrimônio, que é o seu povo.
* Wanderley Graeff é editor do Viver Toledo
Editores: Wanderley Graeff e Karine Graeff (vivertoledo@gmail.com) – Ger. Adm. Luciane Graeff
Apoio: Acit, Ótica Cristal, Prati-Donaduzzi, Essencial Modas, Imobiliária Plena, Restaurante Filezão, Colégio Alfa Premium, Yara Country Clube, Junsoft, Oesteline, Toledão, Tchibuum Natação e Hidro, Help Informática, Recanto Cataratas Thermas Resort & Convention, Rafain Show Churrascaria, Vivaz Cataratas Hotel & Resort, Inglês Athus, Sicoob Meridional, Viação Sorriso de Toledo, Biopark, Aludex Esquadrias e Vidros, Sonomag Colchões, Maestro Thermas Park Hotel, Sintomege


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