Vestígios de povos antigos no Oeste do Paraná são descobertos por trabalho de arqueologia sediado em Toledo
Cidade abriga única
empresa especializada da região
26/06/2022 - Atualizado em 28/06/2022 - 08h13
Por Wanderley Graeff - Viver Toledo O
trabalho é, literalmente, colocar a mão na terra em busca de vestígios da
passagem dos mais antigos seres humanos a pisar o solo do Oeste do Paraná. Os
olhos da arqueóloga Amanda Lopes da Silva e do engenheiro Rafael Avancini
brilham ao relatar as descobertas que a atividade profissional lhes possibilita
nas pesquisas de campo realizadas no âmbito da consultoria arqueológica que
prestam a novos empreendimentos imobiliários na região.
A maior parte do material coletado é formada de fragmentos de material lítico – ferramentas e objetos feitos de pedra; e cerâmico - utensílios feitos de argila cozida que os povos originários do Brasil utilizavam para uso doméstico e pessoal.
Encontrados em Cascavel e Foz do Iguaçu, o material é reconhecidamente da primeira e mais antiga ocupação do território, pelos índios que se espalhavam também por todo o continente sul-americano, sobretudo os grupos indígenas das etnias Xetá, Kaigang e Guarani, além dos Itararé-Taquara.
A pesquisa arqueológica é uma exigência da legislação para empreendimentos imobiliários. Os achados de Amanda e Rafael ocorreram em empreendimento localizado às margens do Rio Paraná, em região próxima ao centro de Foz do Iguaçu; e no Eco Parque, um gigantesco empreendimento imobiliário em Cascavel que pretende eregir 130 prédios de 15 andares, cada, totalizando 11.440 apartamentos.
A arte de contar
histórias que não estão escritas
Conhecer o passado é essencial para compreender o presente, uma máxima que vale para todos os seres humanos no caminho da evolução como sociedade.
A história da humanidade vem sendo escrita a partir de descobertas em várias áreas da ciência e a arqueologia está inserida de maneira indissociável nesse contexto através do estudo de culturas por meio da escavação de fósseis, materiais, pinturas, monumentos e objetos.
A cidade de Toledo é a base do único trabalho desenvolvido em toda a região que ajuda a contar a partir dos fragmentos de objetos, um pouco da história da região Oeste do Paraná, com vestígios da sua cultura e tradição. E ela não tem a ver com a colonização iniciada no século 19, acomodando imigrantes europeus, sobretudo eslavos, poloneses, ucranianos, alemães e italianos. Os fragmentos remontam a milhares de anos.
As peças recolhidas por Amanda e Rafael revelam riquezas de detalhes que aos olhos leigos passam despercebidos, mas lançam luzes de conhecimento sobre as técnicas de cozimento do barro e o domínio da arte da decoração através dos resquícios das pinturas nelas contidas. Nos relevos, estão muito claras as evidências do uso de cestos de palha para a moldagem das peças.
“Achados que fazem valer
a pena a caminhada”
Toledana de nascimento, Amanda atravessou o país para cursar Arqueologia e Conservação da Arte Rupestre na Universidade Federal do Piauí, em Teresina, e se tornar a única profissional da área em toda a região Oeste do Paraná. A convivência fez o mineiro Rafael, graduado em Engenharia da Mobilidade pela Universidade Federal de Itajubá, se apaixonar também pela atividade da esposa. Assim, ele se tornou gestor de Projetos na Ethos Consultoria Arqueológica, ramo de arqueologia no licenciamento ambiental de empreendimentos e obras de engenharia. Como tal, enfrenta com ela as jornadas de campo, escavando a vastidão dos campos onde brotarão casas e edifícios, em busca de vestígios da passagem de seres humanos muito mais antigos que Cabral e seus sequazes.
“Cada descoberta faz valer a pena ter estudado e passar por tudo o que a gente passou na caminhada. A emoção contida num achado nos dá uma sensação indescritível”, comenta Amanda. “Mostra que não foi em vão”, completa, salientando que todo material arqueológico pertence à União, portanto ao povo brasileiro, “e precisa ser compartilhado, pois faz parte da nossa história”.
Para Rafael, os achados ajudam a reescrever a história do Oeste do Paraná, identificando um pouco dos hábitos, de como aquele povo vivia e o que fazia. “Estamos falando de um material produzido antes de Jesus Cristo pisar na terra”, de quem chegou aqui primeiro e nos revelam muito da sua cultura, diz.
Oeste foi dos índios e
pertenceu à Espanha
Nos bancos escolares, os livros de história costumam contar apenas a versão do “homem branco”. No caso do Brasil, o 22 de abril ficou marcado nos livros e no imaginário popular como o Dia do Descobrimento do Brasil. Foi quando os portugueses aportaram no litoral da Bahia a frota liderada por Pedro Álvares Cabral.
Por sua vez, a região Oeste do Paraná, compreendida entre as microrregiões de Toledo, Foz do Iguaçu e Cascavel, já foi ocupado por indígenas e espanhóis. A região foi anexada ao Brasil após vários tratados com a Espanha e teve a sua “colonização” iniciada no século 19, acomodando imigrantes europeus, sobretudo eslavos, poloneses, ucranianos, alemães e italianos.
O território do Oeste já era conhecido desde a primeira metade do século 16, quando Dom Alvar Nuñes Cabeza de Vaca percorreu, juntamente com indígenas e europeus, o território paranaense de Leste a Oeste,
em direção ao Paraguai, onde assumiu o governo em nome do rei da Espanha. Cabeza de Vaca foi o primeiro homem branco a avistar com as majestosas Cataratas do Iguaçu, que se tornariam uma das 7 Maravilhas Naturais do Mundo. Esse privilégio até então era dos povos da floresta, o que já era comprovado por evidências que as escavações de Amanda e Rafael corroboram.
Viver Toledo - Ano 14
Editoria: Wanderley Graeff e Karine Graeff
Ger. Administrativa: Luciane Graeff
(45) 98801-8722 - vivertoledo@gmail.com
Rua Três de Outubro, 311 – Apto. 403- Vila Industrial
CEP 85.904-180 – Toledo-PR
Apoio: Acit, Ótica Cristal, Prati-Donaduzzi, Essencial Modas, Imobiliária Plena, Restaurante Filezão, Colégio Alfa Premium, Yara Country Clube, Junsoft, Oesteline, Toledão, Tchibuum Natação e Hidro, Help Informática, Recanto Cataratas Thermas Resort & Convention, Rafain Show Churrascaria, Vivaz Cataratas Hotel & Resort, Inglês Athus, Sicoob Meridional, Viação Sorriso de Toledo, Biopark, Sonomag Colchões, Maestro Thermas Park Hotel, Sintomege, Sicredi Progresso PR/SP, Unimed Costa Oeste
A maior parte do material coletado é formada de fragmentos de material lítico – ferramentas e objetos feitos de pedra; e cerâmico - utensílios feitos de argila cozida que os povos originários do Brasil utilizavam para uso doméstico e pessoal.
Encontrados em Cascavel e Foz do Iguaçu, o material é reconhecidamente da primeira e mais antiga ocupação do território, pelos índios que se espalhavam também por todo o continente sul-americano, sobretudo os grupos indígenas das etnias Xetá, Kaigang e Guarani, além dos Itararé-Taquara.
A pesquisa arqueológica é uma exigência da legislação para empreendimentos imobiliários. Os achados de Amanda e Rafael ocorreram em empreendimento localizado às margens do Rio Paraná, em região próxima ao centro de Foz do Iguaçu; e no Eco Parque, um gigantesco empreendimento imobiliário em Cascavel que pretende eregir 130 prédios de 15 andares, cada, totalizando 11.440 apartamentos.
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| São vários fragmentos de peças milenares feitas em cerâmica |
Conhecer o passado é essencial para compreender o presente, uma máxima que vale para todos os seres humanos no caminho da evolução como sociedade.
A história da humanidade vem sendo escrita a partir de descobertas em várias áreas da ciência e a arqueologia está inserida de maneira indissociável nesse contexto através do estudo de culturas por meio da escavação de fósseis, materiais, pinturas, monumentos e objetos.
A cidade de Toledo é a base do único trabalho desenvolvido em toda a região que ajuda a contar a partir dos fragmentos de objetos, um pouco da história da região Oeste do Paraná, com vestígios da sua cultura e tradição. E ela não tem a ver com a colonização iniciada no século 19, acomodando imigrantes europeus, sobretudo eslavos, poloneses, ucranianos, alemães e italianos. Os fragmentos remontam a milhares de anos.
As peças recolhidas por Amanda e Rafael revelam riquezas de detalhes que aos olhos leigos passam despercebidos, mas lançam luzes de conhecimento sobre as técnicas de cozimento do barro e o domínio da arte da decoração através dos resquícios das pinturas nelas contidas. Nos relevos, estão muito claras as evidências do uso de cestos de palha para a moldagem das peças.
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| Amanda e Rafael: unidos também na defesa do patrimônio cultural da região |
Toledana de nascimento, Amanda atravessou o país para cursar Arqueologia e Conservação da Arte Rupestre na Universidade Federal do Piauí, em Teresina, e se tornar a única profissional da área em toda a região Oeste do Paraná. A convivência fez o mineiro Rafael, graduado em Engenharia da Mobilidade pela Universidade Federal de Itajubá, se apaixonar também pela atividade da esposa. Assim, ele se tornou gestor de Projetos na Ethos Consultoria Arqueológica, ramo de arqueologia no licenciamento ambiental de empreendimentos e obras de engenharia. Como tal, enfrenta com ela as jornadas de campo, escavando a vastidão dos campos onde brotarão casas e edifícios, em busca de vestígios da passagem de seres humanos muito mais antigos que Cabral e seus sequazes.
“Cada descoberta faz valer a pena ter estudado e passar por tudo o que a gente passou na caminhada. A emoção contida num achado nos dá uma sensação indescritível”, comenta Amanda. “Mostra que não foi em vão”, completa, salientando que todo material arqueológico pertence à União, portanto ao povo brasileiro, “e precisa ser compartilhado, pois faz parte da nossa história”.
Para Rafael, os achados ajudam a reescrever a história do Oeste do Paraná, identificando um pouco dos hábitos, de como aquele povo vivia e o que fazia. “Estamos falando de um material produzido antes de Jesus Cristo pisar na terra”, de quem chegou aqui primeiro e nos revelam muito da sua cultura, diz.
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| Estudantes do Colégio Incomar, de Toledo, visitam sítio em Cascavel e se conectam a um pouco da história da região |
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| Estudantes puderam conhecer detalhes da pesquisa arqueológica |
Nos bancos escolares, os livros de história costumam contar apenas a versão do “homem branco”. No caso do Brasil, o 22 de abril ficou marcado nos livros e no imaginário popular como o Dia do Descobrimento do Brasil. Foi quando os portugueses aportaram no litoral da Bahia a frota liderada por Pedro Álvares Cabral.
Por sua vez, a região Oeste do Paraná, compreendida entre as microrregiões de Toledo, Foz do Iguaçu e Cascavel, já foi ocupado por indígenas e espanhóis. A região foi anexada ao Brasil após vários tratados com a Espanha e teve a sua “colonização” iniciada no século 19, acomodando imigrantes europeus, sobretudo eslavos, poloneses, ucranianos, alemães e italianos.
O território do Oeste já era conhecido desde a primeira metade do século 16, quando Dom Alvar Nuñes Cabeza de Vaca percorreu, juntamente com indígenas e europeus, o território paranaense de Leste a Oeste,
em direção ao Paraguai, onde assumiu o governo em nome do rei da Espanha. Cabeza de Vaca foi o primeiro homem branco a avistar com as majestosas Cataratas do Iguaçu, que se tornariam uma das 7 Maravilhas Naturais do Mundo. Esse privilégio até então era dos povos da floresta, o que já era comprovado por evidências que as escavações de Amanda e Rafael corroboram.
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| Detalhe de sítio arqueológico em Cascavel |
Editoria: Wanderley Graeff e Karine Graeff
Ger. Administrativa: Luciane Graeff
(45) 98801-8722 - vivertoledo@gmail.com
Rua Três de Outubro, 311 – Apto. 403- Vila Industrial
CEP 85.904-180 – Toledo-PR
Apoio: Acit, Ótica Cristal, Prati-Donaduzzi, Essencial Modas, Imobiliária Plena, Restaurante Filezão, Colégio Alfa Premium, Yara Country Clube, Junsoft, Oesteline, Toledão, Tchibuum Natação e Hidro, Help Informática, Recanto Cataratas Thermas Resort & Convention, Rafain Show Churrascaria, Vivaz Cataratas Hotel & Resort, Inglês Athus, Sicoob Meridional, Viação Sorriso de Toledo, Biopark, Sonomag Colchões, Maestro Thermas Park Hotel, Sintomege, Sicredi Progresso PR/SP, Unimed Costa Oeste















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