23/07/2022

Primato projeta frigorífico de bovinos, dobrar suinocultura e novas unidades

Em entrevista ao Viver Toledo, presidente da cooperativa avaliou atuação e comentou os projetos da cooperativa, que comemora 25 anos
Sede da Primato junto à BR-163: investimentos significativos pela frente

www.biopark.com.br/invista

Wanderley Graeff
Viver Toledo
Garantir a segurança em todos os ângulos de operação da cadeia produtiva diante de um quadro de incertezas do mercado de então. Sintetizando em uma frase, foi assim que há exatos 25 anos produtores de suínos e leite de Toledo e região se uniam em torno um objetivo em comum e constituíram a Primato Cooperativa Agroindustrial. A semente dos mais nobres princípios do ideal cooperativo foi lançada em meio ao solo fértil do trabalho incansável do homem do campo e vingou de maneira vigorosa e bem nutrida nas regiões de atuação da cooperativa, as mais ricas no contexto da produção agropecuária do Paraná.
Para comentar sobre o Jubileu de Prata, o presidente da Primato, Anderson Leo Sabadin recebeu o Viver Toledo. Na entrevista exclusiva, ele antecipou pontos do planejamento da cooperativa, que inclui a abertura de novas unidades e até um frigorífico de bovinos.

Viver Toledo – Qual é a análise do momento de comemoração do jubileu?
Sabadin – É uma alegria viver o momento dos 25 anos. Desde a sua fundação, a Primato tem trabalhado muito forte em diversificar para crescer, gerando renda ao produtor cooperado. Criamos uma credibilidade muito boa em tão pouco tempo. Volta e meia somos comparados a cooperativas que têm na faixa dos 50 anos e a nossa cooperativa é jovem ainda e temos que ter a humildade de saber que o aprendizado é constante e diário, mas também que temos que apresentar valor para o nosso produtor.

Viver Toledo – Do ponto de partida, com suínos e leite, aos dias atuais, como foi essa trajetória?
Sabadin - Estando mais próximos do produtor, a gente entende melhor as suas necessidades, tendo como objetivo solucioná-las, tornar a vida dele mais prática.
Há quatro anos entramos na agricultura, quando colocamos equipes de agrônomos a campo e passamos a receber milho e soja. Hoje, a Primato possui um quadro com mais de cem profissionais, entre agrônomos, zootecnistas e veterinários. O objetivo é fazer com que o árduo trabalho realizado pelo produtor seja facilitado, por meio de novas tecnologias, sensores nas propriedades, alimentação automática na vacada, na suinocultura, na avicultura, inclusive chegando na ponta com uma melhor renda. A Primato tem hoje lotes de frango que colocam na mão do produtor R$ 1,90 por cabeça, o que é um ótimo valor.
Entramos no último ano na avicultura e na piscicultura, estamos no momento com a integração de gado bovino, um projeto piloto onde a cooperativa está testando sistemas de confinamento e semiconfinamento. É um projeto muito interessante, porque ele entrega uma carne de melhor qualidade no varejo. A Primato também iniciou na distribuição de alimentos, vendendo carcaças de suínos e bovinos, as marcas próprias de frango e tilápia. Tudo isso voltado ao nosso produtor.
Isso tudo tem vínculo direto com o nosso produtor, que é quem tem que ser homenageado nestes 25 anos e são aqueles que acreditaram e aqueles que constroem a Primato no seu dia a dia.
Anderson Sabadin: crescimento será significativo nos próximos anos (Imagem: Sandro Mesquita/OP Rural)

Viver Toledo – Ao longo destes anos, a produção evoluiu muito e Toledo apresenta extraordinárias conquistas, como maior produtor de alimentos do Paraná. Como a cooperativa avalia esse contexto todo?
Sabadin - É um orgulho extraordinário. Eu hoje sou produtor também e vejo o quanto o produtor trabalha, não diferente de outras profissões, mas ele não tem feriado, os animais não têm dia para ficar doentes; no frio, na chuva, no calor o nosso produtor está nesse processo diariamente. E essa conquista de Toledo vem envolvida num processo de transformação. Toledo não é reconhecido somente por produzir milho e soja, Toledo transforma, industrializa.
Veja: o coeficiente nosso de agregação de valor num saco de milho e soja, passando por dentro da Primato, está na casa de duas e meia a três vezes o valor da saca. Então, quando a gente transforma a soja e o milho em tilápia, em frango ou em leite por meio da industrialização dos alimentos para os animais, isso faz com que a riqueza fique aqui. Esse é o grande diferencial da nossa coperativa. Hoje nós temos três indústrias fazendo esse processo da transformação, em Toledo, Verê e Dourados-MS.
 
Viver Toledo – Como você avalia a evolução dos processos de produção e valores dos produtos do campo nos últimos anos?
Sabadin - O produtor vive um momento extraordinário das atividades. Em 1995, nós tínhamos a saca de milho a R$ 12, hoje você fala na faixa de R$ 80. A soja, a R$ 35, R$ 40, hoje estamos falando de soja a R$ 190, R$ 200. O desafio é grande e o nosso compromisso e a nossa responsabilidade são muito maiores. O valor de tudo é muito maior.
E porque não lembrar o propósito de alimentar o mundo que nós temos. O Brasil alimenta um terço da população mundial, é muita coisa. Isso vem de uma base sustentável, num compromisso com a comunidade em que nós atuamos e uma abertura de mercado que só vai ser mantida ou acontecer com novos países de uma maneira que tem vínculo com sanidade e bem-estar animal.
 
Viver Toledo – A questão ambiental hoje é um tema indossociável para a produção rural. Como você avalia esse tema?
Sabadin - Esse é um compromisso que nós produtores devemos ter e ele se torna mais perceptível quando se vê claramente o ganha-ganha. Eu cuido da preservação, eu cuido da água, mas eu tenho benefício imediato? Muitas vezes não, mas temos que evoluir para um contexto que gere renda e benefícios para o produtor no curto e longo prazo. O agro mudou, agregou valor. O zelo, o planejamento estratégio do agro com a preservação vai colocar o Brasil entre as potências do mundo e temos que ter um olhar firmemente voltado a esse tema.
 
Viver Toledo - A sustentabilidade das propriedades, em especial as pequenas, passa pela diversificação. Como a Primato trata essa questão?
Sabadin – A Primato iniciou com leite e suínos, para assegura a comercialização da produção. Num segundo momento ela passou a abrir lojas veterinárias e agropecuárias, depois a sua indústria de alimentos para animais, com o que começa a agregar valor à produção de grãos. Estamos numa fase de multiplicação de genética. A Primato tem sítios que produzem as fêmeas e nós temos o melhor resultado dentro do grupo Frimesa, seja na conversão de ração para cada quilo de carne suína, ou na qualidade alimentar que temos na vacada de leite, produzindo um leite de valor agregado para produzir um queijo de alta qualidade.
Isso faz também com que a Primato avance em outras frentes. Estamos dobrando o alojamento de frango, passando para dois milhões de cabeças em volume estático. Na piscicultura, é a mesma coisa, entramos devagar, pequenos. O campo é nosso, a ração é produzida e hoje já temos marca própria de tilápia.
Por que não a gente avançar mais e ir para a bovinocultura de corte? Entregamos um bezerro no padrão que queremos, angus, black, red, e esse angus termina em 16, 18 meses e vai para o nosso varejo. E isso é percebido pelo nosso consumidor, que nota que a Primato tem padrão de carne de qualidade.
 
Viver Toledo – Como a cooperativa mira os mercados para a destinação dos seus produtos e como isso impacta no produtor?
Sabadin - A Primato sempre viu aprendizado nos diversos segmentos. É isso que faz com que hoje se abra a venda de produtos com a marca Primato para o varejo brasileiro. E por que não pensar num varejo internacional? Veja que na nossa fábrica de rações de Dourados, 25% é para exportação. E a Primato quer exportar também alimentos saudáveis, esse é o nosso desafio.
O produtor por sua vez vai percebendo que à medida que conquistamos novos mercados, agregamos valor, conseguindo preços melhores, até chegar na ponta em que a gente vai remunerar melhor o produtor. Exemplo da carne suína. A Frimesa está abrindo em dezembro o novo frigorífico e a gente está atingindo o mercado japonês, que paga melhor. Automaticamente, no cenário de crise da suinocultura, a Primato não cortou nenhum produtor, mantém uma estabilidade de tal forma que ela protege o seu produtor. A Primato trava o preço da ração para o nosso produtor. Travando o custo, nós gerenciamos o risco para esse produtor, de forma que com toda essa elavação de preços da soja e do milho, ele foi protegido e teve ganhos extraordinários. É essa credibilidade de um compromisso com o produtor que vem dos três presidentes que nos anteceram, Edemar Rochemback, Ilmo Welter e Moacir Scuziato, e que queremos manter e ampliar.
 
Viver Toledo – Quais são os principais pontos do planejamento da Primato, que se projeta até o ano de 2033?
Sabadin – Prevemos que em três anos, a Primato dobre a produção da suinocultura. Para isso, é preciso ampliar o recebimento de cereais e as fábricas de ração. Também prevemos para os próximos anos um frigorífico de bovinos. É um projeto que está sendo estudado hoje, com muita antecedência, tudo dentro de um planejamento estruturado.
O produtor é quem faz com que a gente precise evoluir. Temos trabalhado de maneira profissional para cada vez gerar mais confiança ao homem do campo.
 
Viver Toledo - O que deverá representar para a região a instalação de uma unidade da Embrapa no Biopark?
Sabadin – É algo extraordinário o que estamos vivendo. Quando você traz doutores, pesquisadores para a nossa região para evoluir ainda mais, para ajudar a sanar as dores do campo, o contexto que nós temos atrelado a isso é fantático. A Embrapa vai chegar para melhorar ainda mais o que já temos de muito bom. Vai nos ajudar a melhorar a genética, ampliando as oportunidades e mirando o potencial que temos com vistas ao mercado internacional, mercado esse que nos enxerga como muito competitivo.
 
Viver Toledo – O que poderá ser mudado na prática com a perspectiva da atuação da Embrapa na região?
Sabadin - Por que não ousar e imaginar amanhã um suíno ou frango comendo menos ração e transformando em carne com uma conversão melhor? Ou integrar suinocultura e piscicultura com gado de corte. É o que estamos fazendo na Primarto, com produtores que têm barracões parados, onde a gente está colocando bovinos no cocho. O produtor está fazendo para nós um trabalho de 120 dias e a gente termina um animal superprecoce com agregação de valor. Imagino a Embrapa como um parceiro que a gente pode pegar na mão e falar: vem me ajudar nas lutas do campo, na melhoria da qualidade de água da pisciculura, vai ser tanque escavado ou não, a água vai ser reciclada ou não. A Embrapa vai nos auxiliar a sermos mais assertivos, beneficiando o produtor e toda a cadeia produtiva, reflexos para o campo e a cidade, pois se o rural vai bem, a gente vê a pujança da indústria e do comércio da nossa cidade, tudo circular, interligado.
 
Um dos desafios do campo é conciliar produção com sustentabilidade ambiental. Como a Primato trabalha essa questão?
Sabadin – Temos várias frentes de atuação, como a qualidade da água utilizada no campo, que vai refletir no conceito com que o mercado internacional vai olhar para os nossos produtos.
A Primato tem filial que já vai começar a gerar energia a partir dos dejetos suínos. Temos projeto junto à Volvo-Penta, que é um tema muito estratégico, mas este ano ainda a gente instala a primeira unidade de geração de biogás e o desafio de contarmos em parceria com a Volvo, com o primeiro caminhão nosso sendo abastecido a biogás. Então, são novos negócios para a região que surgem dentro do conceito da sustentabilidade, indissociavel para a qualidade final do trabalho do produtor e da cooperativa.
 
Investimentos previstos até 2033
2022-24
- Abertura da primeira unidade da Primato Credi
- Atingir o Agri10035
- Fortalecer a Universidade Corporativa Primato
- Implantar o Programa de Excelência em Gestão e a meritocracia
- Fortalecer o cooperativismo por meio da organização do quadro social e fomento da sucessão familiar
2025
- Melhoria da unidade de Dourados (MS) com barracão de armazenagem e sistema dinâmico de paletes
- Unidade de recebimento de cereais em Concórdia do Oeste (Toledo)
- Casa do Produtor em Concórdia do Oeste (Toledo)
2026-27
- Nova linha de produção de ração animal (bovinos) em Verê
- Unidade de recebimento de cereais em Linha Mandarina (Toledo)
- Casa do Produtor em Linha Mandarina (Toledo)
2028-29
- Unidades de recebimento de cereais (Mato Grosso do Sul e Sudoeste do Paraná)
- Casa do Produtor (Mato Grosso do Sul e Sudoeste do Paraná)
2030
- Ampliação da unidade de recebimento de cereais de Toledo
2030-31
- Nova unidade industrial de rações de suínos e peixes em Toledo
2030-32
- Nova indústria de ração de bovinos em Dourados (MS)
2029-33
- Frigorífico de bovinos
Viver Toledo - Ano 14
Editoria: Wanderley Graeff e Karine Graeff
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