Credores da Agrícola Rambo aguardam liberação de recursos depositados em juízo
Dinheiro é resultado da
repactuação de dívidas com a empresa
O
processo vinha sendo conduzido desde o início pela juíza titular da Comarca de
Marechal Cândido Rondon, Dra. Juliana Cunha de Oliveira Domingues, até que a
magistrada precisou se ausentar em licença maternidade. Antes disso, a juíza
concedeu liminar visando o pagamento de credores que aceitaram o deságio do
valor a receber, dentro da repactuação das dívidas do produtor, haja vista que
o mesmo disponibilizou recursos provenientes de venda de animais e de
arrendamento de parte da estrutura da Agrícola Rambo. O total estimado chega
aos R$ 11 milhões, que permanecem ainda depositados em juízo e não foram
liberados aos credores que aceitaram a repactuação, os quais se sentem de certa
maneira prejudicados por não terem recebido ainda, apesar de já se terem
passado quase três meses desde as audiências de conciliação. Dentre os credores
se encontram produtores de suínos que terminaram os animais da Agrícola Rambo e
fornecedores de insumos, como milho e farelo de soja.
A
empresa entrou em inadimplência com credores depois de sofrer as consequências
da maior crise da suinocultura nacional, que se agravou ainda mais no segundo
semestre de 2021, o que resultou na elevação nos custos de produção, fato que
coincidiu com a queda acentuada no preço do suíno vivo, tornando inviável a
manutenção dos seus compromissos.
Com
as audiências de conciliação e diante dos argumentos apresentados pelo produtor
rural na ação judicial que buscou seu enquadramento na Lei do
Superendividamento, houve o despacho da magistrada permitindo a repactuação das
dívidas.
Os
valores para se fazer frente aos pagamentos dos credores, ao menos em parte
deles, estão sendo depositados em juízo, decorrentes da negociação dos animais
de propriedade de Jorge Rambo e de arrendamento de parte de suas instalações.
Com isso, já se esperava que os credores tivessem seus créditos liberados, o
que ainda não ocorreu. Isso aumenta a aflição desses credores repactuados, em
sua maioria pequenos produtores que são os mais impactados com a crise da
empresa e que inclusive já abriram mão de parte dos valores totais que tinham a
receber, justamente diante de suas necessidades.
Produtores
ouvidos pela reportagem, que preferiram não se identificar, não compreendem os
motivos pelos quais permanecem bloqueados cerca de R$ 11 milhões de um total
estimado em aproximadamente R$ 36 milhões, destinados justamente a amenizar os
prejuízos decorrentes das operações com a empresa.
No
Fórum da Comarca de Marechal Cândido Rondon, as informações obtidas são de que
a juíza titular está em licença maternidade, coincidindo com período de férias
do juiz substituto designado, enquanto o juiz que está suprindo momentaneamente
o atendimento está se dedicando somente a assuntos de máxima urgência.
As
instalações da Agrícola Rambo foram arrendadas para a BMG Foods, que também
adquiriu praticamente todo o plantel de animais. Com pagamento a prazo, os
valores são depositados em conta judicial, cuja finalidade é saldar os
compromissos com os credores que formalizaram acordo com a empresa.
A
expectativa é de que nos próximos dias essa etapa do processo de
superendividamento, com repactuação das dívidas do produtor, se conclua, e que
se tenha a liberação dos valores já depositados em juízo, aliviando ao menos a
situação desses pequenos produtores que mantinham negócios com a Agrícola
Rambo, a qual, tem tentado solucionar seu endividamento, seja com a venda de
animais e com o arrendamento de suas instalações, ou até mesmo com a venda de
seu patrimônio, afim de conseguir os recursos necessários para pagar seus
credores.
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| Estrutura da empresa está arrendada para a BMG Foods (Foto: Divulgação) |
https://www.sicredi.com.br/promocao/poupancapremiada/
Todavia, a empresa BMG, sabidamente, não é parte do processo e, portanto, não tem como discutir o mérito quanto aos pagamentos e acordos celebrados, tratando-se apenas, no entendimento dos credores que aguardam seus recebimentos, de uma mera terceira interessada para depositar os valores no referido processo, sendo que o fato de ainda estarem aguardando para receber acaba “estressando e atrapalhando um processo que vinha sendo bem conduzido pela Justiça”, sublinha um dos credores.
Viver Toledo - Ano 14
Editoria: Wanderley Graeff e Karine Graeff
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