Modelo de tratamento penal do Paraná cresce a cada ano e vira referência em ressocialização
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| Foto: José Fernando Ogura/Arquivo AEN |
A Penitenciária Central do Estado – Unidade de Progressão (PCE-UP), situada no Complexo Penitenciário de Piraquara, foi inaugurada no Paraná em março de 2017. Projeto inovador e até então único no País, ela foi criada para promover tratamento penal humanizado, levando trabalho e estudo a todos os custodiados. Nessa modalidade, apenas alguns selecionados e sem histórico de envolvimento com as organizações criminosas estão aptos a participar e não há superlotação ou tempo ocioso: todos cumprem alguma função dia e noite.
PROJETO REVOLUCIONÁRIO
O projeto das Unidades de Progressão teve origem no programa
“Cidadania nos Presídios” do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em conjunto
com o Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e de Medidas
Socioeducativas (GMF) do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) e Polícia Penal
do Paraná. Ele ganhou arcabouço legal em decretos, resoluções e portarias ao
longo dos anos.
O
desembargador Ruy Muggiati, um dos responsáveis pela iniciativa, explica que o
propósito das Unidades de Progressão é humanizar o tratamento penal a partir do
cumprimento da Lei de Execução Penal e da aplicação dos conceitos e práticas da
Justiça Restaurativa. “Hoje, as Unidades de Progressão são um modelo de
tratamento penal que serve como referência para as outras unidades do Estado e
do País, sendo de extrema importância para a eliminação do estado de coisas
inconstitucionais que sempre se verificou no sistema carcerário”, destaca.
O
coordenador do GMF, juiz Eduardo Lino Bueno Fagundes Júnior, explica que o
modelo de tratamento penal das UPs reflete positivamente na vida da sociedade.
“Com a introdução das UPs, realizada há alguns anos, verificou-se um empenho
para a melhoria dos espaços prisionais, e com essas providências denota-se uma
grande melhora na classificação, manejo e tratamento da população intramuros,
que se reflete também no momento da retomada da liberdade”, explica.
Uma
das principais ferramentas que auxilia no desenvolvimento do sistema prisional
do Paraná é a separação dos apenados por perfil, o que ocorre em dois momentos:
durante o ingresso no sistema e durante a transferência dos indivíduos aptos
para ingressar na Unidade de Progressão. Esse modelo foi sendo aperfeiçoado ao
longo do projeto, visando a busca pela excelência.
A
Comissão Técnica de Classificação (CTC), prevista na Lei de Execução Penal, é a
responsável por analisar e organizar o fluxo de ingresso de detentos nas
Unidades de Progressão. Existente em todas as unidades prisionais do Estado, é
composta pelos diretores dos estabelecimentos e por uma equipe multidisciplinar
– chefes de serviço, psicólogo, terapeuta, assistente social, psicólogo, entre
outros.
A
equipe é responsável por fazer uma avaliação psicossocial, com análises no
âmbito jurídico, laboral, de ensino, de segurança e de resgate de vínculo
familiar do recluso. Além disso, verifica se o apenado cumpre os requisitos
técnicos para ingressar nas UPs: estar em fase final de cumprimento de pena,
não ter cometido crimes hediondos (ou seja, exceto aqueles praticados sem
violência ou grave ameaça) e não possuir outro processo em andamento com
mandado de prisão vigente.
“O
maior benefício da classificação das pessoas privadas de liberdade é o sistema
prisional conseguir traçar o perfil dos detentos que são custodiados pelo
Estado e, principalmente, possibilitar a individualidade da pena à luz da Lei
de Execução Penal”, explica o diretor de Tratamento Penal da Polícia Penal do
Paraná, Blacito Sampaio.
No
mês passado, as UPs receberam uma comitiva com representantes do Conselho
Nacional dos Secretários de Administração Penitenciária (Consej) e do Banco
Interamericano de Desenvolvimento (BID). Eles conheceram a experiência
paranaense porque buscam novos projetos na área.
Para
o secretário de Administração Penitenciária do Maranhão e presidente do Consej,
Murilo Andrade de Oliveira, o Paraná é referência em ressocialização para o
Brasil. “É uma iniciativa fantástica que pode ser replicada em todo o País. A
forma de trabalho e como os detentos são selecionados, de acordo como perfil de
cada um, são um diferencial”, afirmou. “Essas pessoas vão voltar para a
sociedade, então temos que atuar para que elas tenham acesso à educação e à
capacitação, para que possam voltar com oportunidades e não cometam novos
delitos”.
OUTRO BOM EXEMPLO
OUTRO BOM EXEMPLO
Outro bom exemplo do Estado na área é a ressocialização de
mulheres apenadas dentro do projeto Banco de Alimentos Comida Boa, desenvolvido
nas Ceasas. Ele coleta alimentos não comercializados, doados pelos atacadistas
e produtores rurais, que seriam descartados por estarem visualmente imperfeitos
para comercialização, mas que estão em boas condições para consumo. Eles são
selecionados, minimamente processados ou destinados em forma “in natura” pela
equipe operacional do programa, composta pelas custodiadas.
Em
2022, foram distribuídas 5,85 mil toneladas de hortigranjeiros para entidades
assistenciais em todo o Estado, cerca de 487 toneladas por mês, totalizando 331
entidades e 130 mil pessoas impactadas mensalmente. O programa recebe, por ano,
um aporte de R$ 2,5 milhões do Governo do Estado.
O
projeto foi reconhecido na semana passada com o Prêmio Áster 2023, promovido
pela Esic Business & Marketing School. O objetivo é garantir a segurança
alimentar e nutricional para as populações mais vulneráveis e que são atendidas
pelas entidades sociais cadastradas, como creches, orfanatos, hospitais
públicos. A iniciativa consiste na coleta de alimentos que seriam descartados,
mas que mantêm boas condições de consumo, e distribuição a quem mais precisa.
Viver Toledo - Ano 14
Editoria: Wanderley Graeff, Karine Graeff e Juninho Graeff
(45) 98801-8722
Rua Três de Outubro, 311 – S. 403- Vila Industrial
CEP 85.904-180 – Toledo-PR
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