O cooperativismo, a industrialização e a agregação de valores ao campo – Por Dilceu Sperafico
Para
ilustrar os retornos dos investimentos de cooperativas agropecuárias na
industrialização do Paraná, agregando valores à produção primária e gerando
empregos, renda, riquezas, tributos e novas oportunidades de negócios no
Estado, basta lembrar que o maior frigorífico de suínos da América Latina,
pertencente à Frimesa Cooperativa Central, já está em operação em Assis
Chateaubriand, abatendo animais de todo o Oeste.
A
indústria, que abaterá 15 mil suínos por dia e empregará oito mil trabalhadores
em 2030, já recebeu investimentos de l,45 bilhão de reais e contará com mais
2,45 bilhões de reais até a conclusão do projeto, de parte da Frimesa e
cooperativas associadas, com amplos benefícios para a economia e especialmente
o agronegócio regional. Graças a esses empreendimentos, “o interior do Paraná
de hoje é completamente diferente do que era 10 anos atrás. A transformação é
fantástica”, afirma José Roberto Ricken, presidente da Organização das
Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar).
Conforme
o dirigente, o planejamento das cooperativas prevê a agregação de valor à
produção primária e isso se faz com a agroindústria. Com isso, 70% da demanda
de investimentos do setor cooperativista paranaense, que soma seis bilhões de
reais ao ano, vêm de projetos de implantação ou ampliação de novas plantas
agroindustriais e estruturas de armazenagem.
O
setor alimentício responde por 36% do valor total da produção da indústria de
transformação do Paraná e cresceu de forma expressiva na última década.
Investimentos elevados foram feitos, em especial pelo setor cooperativista, que
ampliou plantas agroindustriais existentes e investiu em novas unidades, com
destaque para produção de proteína animal, sobretudo carnes de frangos e
suínos. Conforme a Ocepar, agregando valor à produção primária, há mais chances
de cooperativas se manterem no mercado e ampliarem suas atividades.
A
observação de dirigentes da Ocepar pode ser comprovada por pesquisa da
Confederação Nacional da Indústria (CNI), em 2022. O estudo revelou que a cada
um real investido na indústria, são gerados 2,43 reais na economia nacional. No
setor agropecuário, o investimento de um real reverte em 1,75 real na geração
de riquezas e 1,49 real no setor de comércio e serviço. Conforme especialistas,
isso demonstra que investir em industrialização gera mais riquezas para o campo
e cidades, no Estado e no País.
Tanto
que nos municípios com agroindústrias não há desemprego e Toledo e o Oeste do
Paraná são a maior prova disso. Essa mudança começou há décadas, com a
implantação de agroindústrias que mudaram o cenário econômico. Prova disso é
que o setor tem cerca de 10 mil vagas de emprego disponíveis, especialmente no
Oeste do Paraná. Para superar essas dificuldades, é rotina das cooperativas
buscarem trabalhadores em municípios vizinhos e com isso gerando empregos e
movimentando a economia de toda a região.
Com
as plantas industriais, o setor cooperativista impacta ainda mais o próprio
campo, já que 82% dos cooperados são pequenos agricultores com áreas inferiores
a 100 hectares. De acordo com a Ocepar, as cooperativas paranaenses faturavam
50 bilhões de reais ao ano em 2015 e chegaram a 2020 com faturamento de 115
bilhões de reais. Em 2021 foram 153 bilhões de reais e em 2022, 186 bilhões de
reais. Em 2023 podem chegar a 200 bilhões de reais anuais de faturamento.
*O autor é deputado
federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado
E-mail:
dilceu.joao@uol.com.br
Viver Toledo - Ano 14
Editoria: Wanderley Graeff, Karine Graeff e
Juninho Graeff
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