O Brasil e a tragédia das mortes no trânsito das cidades e rodovias
Dilceu Sperafico*
Relatório
da Organização Mundial de Saúde (OMS), Status Report o Road Safety,
recentemente divulgado, aponta o Brasil como 3º país com mais mortes no
trânsito no mundo, seguido de Índia e China. No planeta, as perdas de vidas em
rodovias e cidades somam 1,35 milhão por ano, como 8ª principal causa de mortes
entre humanos. Para tristeza de famílias e amigos das vítimas, no Brasil essas
tragédias resultaram em 45 mil mortes em 2022, segundo o Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada (IPEA).
Esses
números se devem, em parte, à negligência de motoristas, que muitas vezes,
mesmo sabendo dos graves riscos, mantêm comportamento agressivo ao volante,
usando celular, abusando do consumo de álcool e outras drogas, desrespeitando
sinalizações de trânsito e ignorando a importância da manutenção mecânica de
seus veículos, entre outros erros, mas também existem outros fatores que
contribuem para aumentar as mortes no trânsito no País.
Entre
esses casos estão o atraso na projeção técnica, implantação, pavimentação e
manutenção da pavimentação de estradas brasileiras, federais, estaduais e
municipais. Grande parte das atuais rodovias foram projetadas há décadas e
inauguradas há cerca de 50 anos, quando a frota nacional era inexpressiva e os
grandes caminhões de cargas não transportavam muito mais de 10 toneladas de
produtos ou pouco mais de 10% dos atuais bitrens.
O
mesmo vale para ferrovias e hidrovias, pois no Brasil a maior parte de grãos,
carnes, matérias-primas e produtos industrializados são transportados em
caminhões, incluindo o trigo levado do Rio Grande do Sul às cidades costeiras
do Norte e Nordeste do País, ignorando a redução do custo com translado
marítimo. Nos Estados Unidos e Europa, por exemplo, grãos e outras cargas
pesadas, não são movimentadas pelo transporte rodoviários por mais de algumas
dezenas de quilômetros, com trens e barcos cobrindo as grandes distâncias, em
benefício de produtores, comerciantes e consumidores.
Outro
problema grave do trânsito no Brasil está na falta de educação viária, pois
poderia reduzir as mortes nas rodovias e cidades. A educação viária, voltada ao
incentivo de boas práticas no trânsito, é extremamente importante para
mitigação de acidentes e mortes no trânsito e promoção de futuro com mais
segurança. Para isso, são essenciais práticas como uso do cinto de segurança,
pois garante integridade física do condutor e passageiros em caso de acidentes
no trânsito, evitando mortes e/ou ferimentos graves. Por isso, o artigo 65/167
do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), tornou obrigatório o equipamento em
todos os veículos automotores que transitam em vias urbanas, rodoviárias e
rurais.
De
acordo com especialistas, é fundamental também obedecer, sempre os limites de
velocidade, não usar o celular enquanto dirige, manter o veículo em dia, com
inspeções veiculares regulares garantindo seu funcionamento normal e seguro nas
vias, manter distância recomendada e as mãos sempre ao volante, dirigir com
atenção máxima, ter cuidado ao ultrapassar, priorizar o bem-estar e não dirigir
caso esteja sem condições físicas ou emocionais.
Caso
os limites estabelecidos por placas sinalizadoras nas áreas urbanas e rede
rodoviária fossem mais respeitados, certamente seriam muito reduzidos os mais
de 1,7 mil acidentes anuais causados por falta de atenção e manutenção nos
carros em trânsito pelas cidades e rodovias do País.
*O autor é deputado federal pelo Paraná
e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado
E-mail:
dilceu.joao@uol.com.br
Viver Toledo – Ano 14
Editoria:
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