Comitê faz saldo de ano epidemiológico e debate estratégias de combate à dengue
 |
| Foto: Carlos Rodrigues |
O
Centro Municipal de Controle de Endemias recebeu, na tarde desta terça-feira
(8), a quarta reunião ordinária de 2023 do Comitê Municipal Intersetorial de
Combate à Dengue, Chikungunya e Zika Vírus de Toledo. Durante o encontro, que
contou com a presença dos vereadores Dudu Barbosa (presidente do Legislativo) e
Marly Zanete, os integrantes do grupo de trabalho debateram, entre outros
assuntos, os erros e acertos nas ações de prevenção às doenças causadas pelo
Aedes aegypti no ano epidemiológico 2022/2023, encerrado no último dia 31, além
de já terem iniciado o planejamento de estratégias para os próximos meses.
Para
início de conversa, foram apresentados os números finais do ano epidemiológico
2022/2023 da dengue. Entre 1º de agosto do ano passado até esta segunda (31/7),
o município registrou 1.106 casos da doença (1 paciente ainda aguarda
resultado), 74,85% a menos do que na temporada 2021/2022 (4.397).
Houve
também redução de 50% no número de óbitos (de 2 para 1) e de 54,67% (de 5.231
para 2.371) no de notificações, isto é, a quantidade de pessoas com sintomas da
doença (manchas avermelhadas na pele, dor abdominal, febre, dor no corpo,
cansaço, entre outros) que procuraram os serviços de saúde. O município também
registrou cinco casos de febre chikungunya, doença também transmitida pelo
Aedes aegypti.
A
secretária de Saúde e presidente do comitê, Gabriela Kucharski, entende que os
números apresentados são positivos. “Graças ao trabalho realizado pelos vários
setores da pasta que lidero, mas também ao empenho de outros órgãos públicos e
entidades da sociedade civil organizada, não tivemos um número tão alto de dengue
no ano epidemiológico recém-concluído. Ainda mais se levarmos em conta a
situação de alguns municípios de nossa região, que chegaram a decretar situação
de epidemia”, pontua. “Não foi um trabalho fácil, pois só entre agosto de 2022
e julho deste ano, foram realizadas, com o apoio dos parceiros, 276 ações
informativas e de combate direto ao Aedes aegypti. Somente quando há um
conjunto de forças operando em torno do mesmo objetivo é possível atingir bons
resultados”, avalia.
Segundo
a diretora de Vigilância em Saúde, Juliana Beux Konno, tanto as ações quanto os
resultados obtidos comprovam a eficácia do comitê. “Certamente todo este
trabalho evitou o aparecimento de criadouros do mosquito que transmite a
dengue, mas também contribuiu para a contenção de danos nos locais onde a
situação era mais grave. É só comparar os resultados de 2021/2022 com os de
2022/2023 para notar como a integração propiciada por este grupo de trabalho
fez e ainda fará muito a diferença”, destaca.
Estratégias
e desafios
Apesar
da redução nos indicadores da dengue em Toledo, o comitê tem o objetivo de
mantê-los no ano epidemiológico recém-iniciado e, se possível, melhorá-los,
apesar das perspectivas desfavoráveis. “Tradicionalmente, temos um ano em que a
dengue vem forte e no ano seguinte um pouco mais fraca. Tivemos epidemia em
2021/2022 e quase chegamos lá em 2022/2023. Tudo indica que poderemos ter
sérios problemas com a dengue no próximo verão e, por isso, desde já,
precisamos trabalhar o dobro, focados na
prevenção”, alerta Gabriela.
Contudo,
alguns fatores podem dificultar o
município a alcançar esta meta, entre eles o alto índice de imóveis fechados,
isto é, onde não há nenhum morador no local no momento em que o agente de
combate a endemias (ACE) realiza a vistoria residencial periódica. “O
entendimento da população acerca desta categoria melhorou muito graças aos
espaços oferecidos pelos órgãos de imprensa para falarmos sobre prevenção à
dengue e também a campanhas, como ‘A Visita Certa’, desenvolvida pelo Setor de
Comunicação da Prefeitura de Toledo. Mesmo assim, o número de imóveis fechados
ainda é alto, mas contamos com o apoio de todos do comitê para sugerir ideias
que mudem esta realidade”, comenta a secretária do comitê e coordenadora do
setor de Controle e Combate às Endemias, Lilian König.
Para
lidar com este desafio diário, o departamento passa a contar com um reforço de
peso: 30 ACEs já convocados e outros 25 que serão chamados nesta semana, todos
eles aprovados em concurso público. “O Ministério da Saúde tem orientado os
municípios a não mais fazerem PSS [processo seletivo simplificado], pois assim
é possível haver continuidade nas ações, reduzindo a rotatividade. A atual
gestão, sensível com a relevância do trabalho realizado pelos agentes, também
tem este entendimento e estamos celebrando um feito histórico, que assegura os
avanços que temos realizado nos últimos meses”, analisa Gabriela.
Próximas
ações
Ao
fim da reunião foram apresentadas as ações programadas para os próximos meses,
como apresentações teatrais de fantoches em estabelecimentos de ensino da rede
municipal e estadual, a continuidade dos debates da revisão da legislação
inerente ao trabalho dos ACEs e o lançamento do Agente Mirim. Também ficou
estabelecido para o início de outubro o próximo Ecoponto Itinerante, que será realizado
no Jardim Europa.
Ainda
sobre o Agente Mirim, o autor da proposta no Legislativo, Dudu Barbosa, fez uma
breve fala. “Eu subscrevi a proposta, mas ela é de toda a Câmara a partir do
momento que ela analisa e aprova e se torna de todo o município a partir do
momento que o prefeito a sanciona. Quando me tornei vereador decidi não me
dedicar a criar um grande número de leis, apenas elaborar inovações que
fizessem sentido e aperfeiçoar aquilo que já existisse. Por entender que a
mudança de verdade começa mudando as consciências das gerações mais novas,
senti a necessidade de propor o Agente Mirim para apreciação dos meus pares”,
recorda.
Gabriela
observa que o programa vai permitir que, a princípio, os alunos do 4º ano do
Ensino Fundamental (e todas as turmas a partir do ano letivo de 2024) conheçam
a rotina dos agentes de combate a endemias e atuem de forma mais efetiva na
prevenção à dengue. “Eles não farão o trabalho deste profissional, mas formarão
suas consciências para o momento em que forem adultos. Portanto, os frutos da
semente que estamos plantando só poderão ser vistos daqui alguns anos, não será
de imediato”, pondera.
Viver Toledo - Ano 14
Editoria: Wanderley Graeff, Karine Graeff e
Juninho Graeff
(45) 98801-8722
Rua Três de Outubro, 311 – S. 403- Vila Industrial
CEP 85.904-180 – Toledo-PR
0 Comentários:
Postar um comentário
Assinar Postar comentários [Atom]
<< Página inicial