O Brasil e o retorno da autossuficiência na produção de trigo
Dilceu
Sperafico*
O agronegócio paranaense, que está entre os
mais produtivos, avançados social e tecnologicamente, diversificados e
sustentáveis do País, teve eventos a lamentar e também a comemorar na última
semana do mês de julho, considerada a Semana do Agricultor Brasileiro, pois 28
de julho é o Dia do Agricultor.
A lamentar, foi a tragédia de explosão em
silo da unidade sede da C. Vale, de Palotina, que deixou nove vítimas fatais e
mais de uma dezena de feridos graves, além de milhares de pessoas
entristecidas, entre familiares, colegas de trabalho, cooperados, dirigentes e
funcionários da entidade e cidadãos da região, até porque esse tipo de
acidente, graças aos avanços do agronegócio, é muito raro na estrutura de
recebimento, beneficiamento e estocagem de grãos do Brasil.
A comemorar, está o ciclo do trigo em
desenvolvimento em lavouras de todo o País, cuja produção deve somar 11,3
milhões de toneladas na safra deste ano, beneficiando agricultores,
trabalhadores, transportadores e comerciantes e consumidores de farinha de
trigo e derivados, que vão de pães, bolachas, bolos e até macarrões, de elevada
demanda nos lares brasileiros, de todas as categorias sociais.
Somente os dois Estados com maior produção do
cereal, como são Paraná e Rio Grande do Sul, esperam colher 90% desta produção
estimada. Com isso, o Brasil se aproxima da autossuficiência no cultivo e
produção de trigo.
Conforme a Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária (Embrapa), em no máximo em cinco anos, o País plantará e colherá o
suficiente para o abastecimento do mercado interno de grãos e derivados de
qualidade, além de dispor de excedentes exportáveis em larga escala.
Neste ano de 2023, o consumo brasileiro
deverá ficar em torno de 11,5 milhões de toneladas ou 12 milhões de
toneladas/ano, segundo estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento
(Conab). Nas últimas décadas, vale lembrar, a produção interna não superava as
seis milhões de toneladas, exigindo grandes importações do cereal, sobretudo da
Argentina, Estados Unidos e Leste Europeu.
O Rio Grande do Sul, maior produtor
brasileiro, espera safra de 5,7 milhões de toneladas conforme estimativa da
Câmara Técnica do Trigo. O Paraná, segundo maior produtor, projeta produção
histórica de 4,5 milhões de toneladas, de acordo com a Secretaria de Estado da
Agricultura e Abastecimento (Seab). A expectativa agora é pelas condições
climáticas que podem interferir no desenvolvimento das lavouras que começam a
ser colhidas a partir de setembro.
O trigo, vale recordar, foi o cultivo que
motivou o início da mecanização, modernização e expansão da agricultura
brasileira, começando pelo Rio Grande do Sul, ainda com tratores importados e
colheitadeiras rudimentares, nos década de 50, se revezando com a cultura do
milho.
Somente nos anos 60 é que começaram as
plantações de soja, que hoje se destaca no agronegócio brasileiro, após grande
expansão, inclusive, da indústria nacional de máquinas, implementos e insumos,
contribuindo para a transformação do País no maior produtor e exportador de
alimentos do mundo.
*O
autor é deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do
Estado
E-mail: dilceu.joao@uol.com.br
Viver Toledo - Ano 14
Editoria: Wanderley Graeff, Karine Graeff e Juninho Graeff
(45) 98801-8722
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