O desenvolvimento do agronegócio e a falta de internet de qualidade
Dilceu Sperafico*
O que poderia parecer
fantasia ou brincadeira há alguns anos, é hoje a realidade do agronegócio
brasileiro. O que falta à expansão mais rápida e segura da atividade produtiva
nacional não são terras férteis, mão-de-obra, máquinas, sementes, insumos e defensivos,
mas a dificuldade ou ausência do acesso à internet. A modernização da
agropecuária nacional nos últimos 50 anos rendeu ao País à condição de potência
mundial em produção e exportação de alimentos, mas para esse desenvolvimento
prosseguir é necessário maior conectividade ao setor.
Conforme especialistas, o
impacto positivo do agronegócio brasileiro só não é mais destacado na economia,
devido aos problemas relacionados à falta de tecnologia de comunicação no
campo. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 72%
das propriedades rurais do País não possuem acesso à internet. No Paraná, de
acordo com a Federação de Agricultura do Estado (FAEP), 70% dos produtores
enfrentam essa mesma carência.
De acordo com o técnico
Nilson Hanke Camargo, do Departamento Técnico e Econômico (DTE), do Sistema
Federação de Agricultura do Estado do Paraná (FAEP)/Serviço Nacional de
Aprendizagem Rural (SENAR), os altos custos da internet de qualidade têm
dificultado a ampliação da cobertura no meio rural, o que se traduz na
estagnação e/ou dificuldade do segmento produtivo, base da economia e do
bem-estar social do Estado e do País.
Ocorre que pequenos
produtores ou agricultores familiares estão enfrentando enormes dificuldades
para obter e manter internet de qualidade em suas propriedades. Tanto que há
momentos em que eles precisam fazer escolha do que é primordial para o sustento
da família e manutenção das lavouras, entre adquirir máquinas e insumos e /ou
investir na estrutura da propriedade ou contratar acesso de internet com a
qualidade e capacidade que necessitam.
Para reverter esse
quadro, segundo especialistas, é necessário e urgente a adoção de políticas
públicas de auxílio aos pequenos agricultores, que poderiam contribuir ainda
mais para o crescimento da economia do País e o bem-estar da população urbana e
rural. “A questão é o custo. Inevitavelmente, ele tem se tornado obstáculo em
todo o País. O que se espera são políticas públicas que ajudem a minimizar,
porque a tecnologia por si só, o Brasil tem de sobra. E quando não temos,
buscamos as melhores referências para adequarmos à nossa realidade”, explicou Nilson
Hanke Camargo.
Apesar de concordarem
sobre os efeitos do alto custo da internet no campo, técnicos da Secretaria de
Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (SEAB), apontam que 85% dos
produtores do Estado, em algum momento, têm acesso à internet. Ele acredita que
os números menores estão relacionados à falta de acesso fixo, por cabo ou
rádio. Todos têm, ao menos, smartphone com acesso à internet. Esses seriam
também números da Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL), pois o acesso
depende de concessão e como muitas empresas atuam no interior do Paraná, não
existe mapeamento completamente assertivo sobre a internet.
É o caso do acesso
através do rádio, o que dificulta essa avaliação, mas é difícil encontrar algum
produtor que não tenha whatsapp e mesmo sem energia elétrica não possua
internet com wi-fi, até porque a tecnologia da informação é fundamental para
assimilar novas técnicas, prevenir perdas e até negociar melhor a produção
agropecuária.
*O autor é deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado
E-mail:
dilceu.joao@uol.com.br
Viver Toledo - Ano 14
Editoria: Wanderley Graeff, Karine Graeff e Juninho Graeff
(45) 98801-8722
Rua Três de Outubro, 311 – S. 403- Vila Industrial
CEP 85.904-180 – Toledo-PR








0 Comentários:
Postar um comentário
Assinar Postar comentários [Atom]
<< Página inicial