Casos de dengue disparam e Toledo se preocupa com risco de epidemia
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| Foto: Carlos Rodrigues |
O
Auditório Acary Oliveira foi palco, na tarde desta sexta-feira (19), da
primeira reunião do ano do Comitê Municipal Intersetorial de Combate à Dengue,
Chikungunya e Zika Vírus de Toledo. O encontro teve caráter extraordinário e a
convocação foi motivada pela piora no quadro epidemiológico no município e em
várias regiões do Paraná em relação às doenças transmitidas pelo Aedes aegypti,
De
1º de agosto de 2023 (início do atual ano epidemiológico) até esta quarta-feira
(17), 737 pessoas já procuraram os sistemas público e privado de saúde com
sintomas típicos de dengue (dor de cabeça, febre, manchas avermelhadas pelo
corpo, entre outros) – destas, 128 testaram positivo, 121 aguardam resultado
dos exames, que deram negativo em 488 casos. Em 20 dias, o número de
confirmações da doença cresceu 220% (eram 40 em 28/12/2023) e esse crescimento
é motivo de preocupação para os integrantes do comitê.
Outro
ponto que chama a atenção é a quantidade de casos acumulados desde o início do
ano epidemiológico. Em 2022, o patamar atual só foi atingido no fim de março;
no ano passado, na segunda quinzena de abril.
Segundo
a secretária de Saúde e presidente do comitê, Gabriela Kucharski, Toledo está
na lista de 77 municípios paranaenses cujos dados são classificados como “preocupantes”
pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). “Pelo que se percebe de aumento na
procura de pessoas com sintomas de dengue nas unidades de saúde e de
pronto-atendimento, não é exagero estarmos nesta lista. O secretário Beto Preto
fez nesta semana uma videoconferência com os representantes das secretarias de
Saúde destas cidades e orientou para que ações adicionais fossem tomadas para
impedir o alastramento da situação por todo o Paraná”, relata.
Durante
o encontro, o enfermeiro do Departamento de Vigilância Epidemiológica da 20ª
Regional de Saúde, apresentou estatísticas sobre a dengue nos âmbitos estadual,
regional e municipal. “A Sesa tem nos pedido para conversar com os municípios
sobre as estratégias tanto de combate quanto de fluxo de atendimento a
pacientes com sintomas da doença. Nas primeiras semanas de 2024 houve uma
aceleração na curva do crescimento numa proporção bem acima da de anos
anteriores. No estado, há o registro de um óbito e, conceitualmente, já há uma
situação de surto que pode evoluir para uma epidemia quando menos esperarmos”,
avalia. “O que acontece em Toledo também acontece em vários municípios e com
maior intensidade, dentro da nossa área de abrangência, em Mercedes e Terra
Roxa. É momento de reforçar a coordenação entre a Sesa e as secretarias
municipais de Saúde, cientes de que a melhor ação é a eliminação do Aedes
aegypti e de que saber o que fazer quando o paciente chega doente às unidades
de saúde faz toda a diferença”, destaca.
Concentração
Outro
dado que chama a atenção é a concentração de mais da metade dos casos de dengue
em dois bairros: América I e II (50) e Europa I e II (20), bairros que
receberam Ecoponto Itinerante entre 19 e 22 de dezembro do ano passado, o qual
resultou na coleta de 198 toneladas de objetos que podem servir de criadouro
para o Aedes aegypti e resíduos volumosos. “A situação está tão grave, que
chegamos a receber, no mesmo dia, 44 notificações de dengue de moradores desta
região da cidade. Em uma casa que visitamos, todos os seis moradores tinham
sintomas da doença. Só em uma rua destes bairros havia 17 notificações. Enfim,
há um número tão grande de notificações que chegam ao nosso setor, que 100% da equipe de agentes de combate a
endemias [ACEs] estão em função de ‘operações bloqueios’, interrompendo o ciclo
regular de visita a residências do município”, relata a coordenadora do Setor
de Controle e Combate às Endemias, Lilian König.
Gabriela
assevera que, atualmente, o maior maior problema não está em terrenos, mas em
imóveis residenciais em que são deixados objetos que acumulam água. “Temos uma
situação preocupante no Europa/América e já percebemos a situação começar a se
complicar nos bairros Coopagro e Facchini. Por isso, temos que trabalhar duro
agora, mobilizando poder público e sociedade, para impedir que outros bairros
tenham problemas mais sérios daqui algumas semanas”, pontua Gabriela.
Toledo
Contra a Dengue
A
partir desta análise, foi aberta a palavra aos presentes para sugerir ideias de
ações de combate à dengue a serem executadas no curto e médio prazo. O assunto
foi acompanhado pelo prefeito Beto Lunitti; pelo presidente da Câmara de
Vereadores, Dudu Barbosa; e pelos secretários do Meio Ambiente (Junior Henrique
Pinto) e da Infraestrutura Rural e Urbana e de Serviços Públicos (Maicon Bruno
Stuani), que colocou motoristas e veículos à disposição. “A partir do
mapeamento das áreas onde nossa ajuda é necessária, sobretudo naquelas em que
se pretende fazer a coleta de materiais que podem servir de criadouro para o
Aedes aegypti, já vou conseguir destinar parte da nossa estrutura para estas
ações”, comenta Stuani.
A
primeira ação programada é a mobilização “Toledo Contra a Dengue”, que será
realizada em várias frentes, iniciando-se no fim de janeiro e seguindo por todo
o mês de fevereiro. A primeira atividade já terá início na próxima semana com
uma nova rodada do Ecoponto Itinerante nos bairros Jardim Europa e Jardim América
que será realizada em formatação semelhante à realizada em dezembro, quando a
Secretaria da Infraestrutura Rural e Urbana e de Serviços Públicos ofereceu
suporte logístico aos ACEs – a diferença é que resíduos volumosos não serão
recolhidos dessa vez.
Para
o próximo sábado (27) também está programada uma ação de rua cujo horário e
local ainda serão definidos e divulgados em breve. Nos sábados seguintes,
também há a intenção de realizar ecopontos itinerantes, mas no formato
tradicional, com as ações e os efetivos de servidores e voluntários
concentrando-se num só dia. “Temos que colocar o máximo possível da estrutura
de todas as secretarias em torno desta causa fundamental para a saúde do povo
toledano. É preciso sensibilizar nossos cidadãos de que a dengue é um problema
real e também sobre a importância do trabalho dos agentes de combate a
endemias”, salienta o prefeito.
Do
ponto de vista institucional, haverá, na próxima segunda-feira (22), conversas
sobre o assunto com secretários municipais e vereadores. Nos próximos dias,
líderes de denominações religiosas e clubes de serviço serão convidados a
também participarem da iniciativa.
No
que tange à educação, haverá um esforço para que o primeiro encontro mensal do
Agente Mirim seja realizado o quanto antes (e não na última sexta-feira, como é
de costume), para que as crianças das turmas de 4º ano da rede municipal de
ensino possam, à sua maneira, darem sua contribuição à campanha. Em relação aos
demais estudantes, especialmente os da rede estadual de ensino, a secretária da
Saúde colocou a equipe da pasta para ir aos colégios ministrarem palestras para
os alunos e conversarem com os pais destes.
A
próxima reunião do Comitê Municipal Intersetorial de Combate à Dengue,
Chikungunya e Zika Vírus de Toledo foi marcada para o próximo dia 6 de
fevereiro (terça-feira). Será às 14h, no
Centro Municipal de Controle de Endemias.
Viver Toledo
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Editoria: Wanderley Graeff, Karine Graeff e
Juninho Graeff
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