Aprendendo com o modelo do censo do agronegócio paulista
Dilceu Sperafico*
Iniciativa do Estado de São Paulo deveria
servir de modelo ou exemplo para outras unidades da federação, especialmente as
mais destacadas na produção agropecuária. Trata-se do Projeto Integrar ou censo
do agronegócio paulista, que será realizado nos próximos dois anos. No
levantamento, propriedades rurais serão visitadas para registro de práticas e
definição de estratégias de diversificação da produção, segurança na atividade
e reflexos do êxodo rural, na busca pela maior excelência na atividade
produtiva. Será verdadeira radiografia do agronegócio paulista que está sendo
programada com a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo
(Faesp), que representa 236 sindicatos rurais.
O Projeto Integrar visitará 410 mil
propriedades rurais em todo o Estado ao longo de 24 meses, para mapear as
culturas, o preparo da terra e a força de trabalho no campo. A ação será
realizada em parceria do Governo do Estado, por intermédio da Secretaria de
Agricultura e Abastecimento. Entre os objetivos da iniciativa estão a
identificação de vocações regionais e o incentivo ao desenvolvimento de
Arranjos Produtivos Locais (APLs), que são o conjunto de estabelecimentos que
desenvolvem atividades econômicas similares num mesmo território, o que
facilita a sinergia de esforços e investimentos. Com isso, espera-se
impulsionar a diversificação de produtos do agro paulista, reduzindo a
dependência de culturas fortemente predominantes, como cana-de-açúcar, café e
laranja.
As visitas do Projeto Integrar serão
aproveitadas também para avaliar o nível de conectividade das propriedades
rurais, requisito obrigatório para a adoção de novas tecnologias no campo.
Estima-se que 45% das propriedades do Estado ainda não disponham de sinal de
internet acessível em toda a sua área. O total de 700 pesquisadores que
cumprirá os roteiros sob orientação de 250 supervisores, terá ainda a
incumbência de prestar orientações sobre o Código Florestal e a importância da
homologação do Cadastro Ambiental Rural (CAR), base de dados que monitora e
combate desmatamento de florestas no País. Será um trabalho relevante em várias
frentes, inclusive no direcionamento de cursos para que os estabelecimentos
rurais busquem aumento de produtividade.
A capacitação dos trabalhadores e produtores
rurais é realizada pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), de São
Paulo, que oferece mais de 400 cursos desenvolvidos em parceria com os
sindicatos afiliados à Faesp. Com duração que pode ir de 10 horas a nove meses,
os cursos trabalham não apenas questões diretamente ligadas à atividade
agropecuária, mas também a gestão de negócios no meio rural. No ano
passado, foram emitidos mais de 350 mil
certificados para os participantes dos cursos do Senar SP.
O Projeto Integrar faz parte de esforço para
aumentar a segurança alimentar da população paulista e reduzir o êxodo rural,
combatendo a crescente escassez de força de trabalho no campo. Essas
estratégias envolvem também as comissões técnicas, compostas por especialistas
de diversas culturas do agro para estudar problemas do setor e propor soluções,
que podem ser desde ações pontuais até políticas públicas. Alguns exemplos de
grupos do campo são a Semeadoras do Agro, que trata do empreendedorismo
feminino, e a Faesp Jovem, que atua na sucessão familiar nas propriedades rurais.
Realmente muito interessante e promissor o Projeto Integrar.
*O autor é deputado
federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado E-mail:
dilceu.joao@uol.com.br
Viver Toledo - Ano 16
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