Deputado Sperafico vota a favor para Câmara sustar ação penal contra Delegado Ramagem
Parlamentares
aprovam suspensão parcial de processo no Supremo. Relator defende medida como
legal e constitucional
Durante a semana de esforço concentrado, a Câmara dos Deputados aprovou projetos de destaque, entre eles a sustação parcial da ação penal em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o deputado Delegado Ramagem (PL-RJ), investigado por suposta tentativa de golpe de Estado. A medida, proposta pelo Partido Liberal (SAP 1/25), foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) antes de ser referendada pelo Plenário.
O
relator da proposta, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), justificou a decisão
com base no artigo 53 da Constituição Federal, argumentando que os crimes
atribuídos a Ramagem — como tentativa de golpe, abolição violenta do Estado
Democrático de Direito e organização criminosa — teriam ocorrido após sua
diplomação como deputado, em dezembro de 2022. “Sustar a ação penal não é jogar
para a impunidade. É a paralisação do curso do processo até o fim do mandato,
daqui a 1 ano e 6 meses”, afirmou Gaspar.
O
deputado Dilceu Sperafico (Progressistas-PR), que também votou a favor da
medida, considerou a decisão um posicionamento firme da Câmara diante do
Judiciário. Em entrevista à Rádio Jovem Pan de Curitiba, criticou o que chamou
de “interferência explícita” do STF e pediu agilidade na tramitação do projeto
de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. “O que houve foi
manifestação de insatisfação popular. Não houve golpe. Precisamos corrigir as
injustiças cometidas pelo Supremo a essas pessoas inocentes”, declarou.
Entenda
o caso
O Delegado Ramagem foi diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no governo anterior e figura como um dos réus apontados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como integrante do “núcleo crucial” de uma articulação golpista. A denúncia sustenta que Ramagem teria prestado suporte técnico e elaborado documentos que alimentaram campanhas de desinformação sobre o sistema eleitoral e a legitimidade do processo de 2022.
Contudo,
o entendimento do Supremo Tribunal Federal diverge do adotado pela Câmara. Em
ofício enviado à Casa, o ministro Cristiano Zanin, presidente da 1ª Turma do
STF, ressaltou que a suspensão só se aplicaria aos crimes cometidos após a
diplomação do parlamentar, como dano qualificado e deterioração de patrimônio
tombado, relacionados diretamente aos atos de 8 de janeiro.
Já os
demais crimes — tentativa de golpe de Estado, abolição do Estado Democrático de
Direito e organização criminosa — seguem em tramitação, de acordo com o STF. O
documento ainda destacou que a sustação de ação penal prevista na Constituição
só vale para parlamentares no exercício do mandato, não se estendendo a outros
réus, como o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Próximos
passos
A decisão da Câmara ainda poderá ser contestada judicialmente e reacende a tensão entre Legislativo e Judiciário, especialmente em temas envolvendo limites de atuação entre os Poderes. A expectativa agora é sobre os desdobramentos no Supremo e se haverá resposta institucional à medida adotada pelos deputados. Ao mesmo tempo, cresce a pressão sobre o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para que paute o projeto de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro.
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Durante a semana de esforço concentrado, a Câmara dos Deputados aprovou projetos de destaque, entre eles a sustação parcial da ação penal em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o deputado Delegado Ramagem (PL-RJ), investigado por suposta tentativa de golpe de Estado. A medida, proposta pelo Partido Liberal (SAP 1/25), foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) antes de ser referendada pelo Plenário.
O Delegado Ramagem foi diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no governo anterior e figura como um dos réus apontados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como integrante do “núcleo crucial” de uma articulação golpista. A denúncia sustenta que Ramagem teria prestado suporte técnico e elaborado documentos que alimentaram campanhas de desinformação sobre o sistema eleitoral e a legitimidade do processo de 2022.
A decisão da Câmara ainda poderá ser contestada judicialmente e reacende a tensão entre Legislativo e Judiciário, especialmente em temas envolvendo limites de atuação entre os Poderes. A expectativa agora é sobre os desdobramentos no Supremo e se haverá resposta institucional à medida adotada pelos deputados. Ao mesmo tempo, cresce a pressão sobre o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para que paute o projeto de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro.
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