Paraná entre os primeiros em produtos com certificação de origem
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| Produção de erva-mate tem certificação em São Mateus do Sul (José Fernando Ogura/ANPr) |
O
café do Norte Pioneiro, a erva-mate de São Mateus do Sul, o mel de Ortigueira e
do Oeste do Paraná, a goiaba de Carlópolis, a uva fina de mesa de Marialva e os
queijos da Colônia Witmarsum, em Palmeira, já receberam a Indicação Geográfica.
Já a bala de banana de Antonina, o melado de Capanema, a cachaça, o barreado e
a farinha de mandioca do Litoral paranaense estão em processo final de
certificação pelo INPI.
Além
de dar visibilidade e abrir mercado para a comercialização, o reconhecimento
também agrega valor à produção. De acordo com o Fórum das Indicações
Geográficas Origem Paraná, os produtos certificados custam em média 30% a mais
que os comuns.
“A
certificação mostra ao consumidor que aquele produto foi feito com todos os
requisitos técnicos necessários, com padrões de produção rígidos e que o
produtor se dedicou a seguir protocolos técnicos definidos. Isso garante a
qualidade e a segurança alimentar do produto”, explica o diretor-presidente do
Instituto Emater, Natalino Avance de Souza.
CARACTERÍSTICAS
A
Indicação Geográfica é dividida em dois tipos. A Indicação de Procedência
ocorre quando uma região é reconhecida como centro de produção, fabricação ou
extração de determinado produto, levando em conta o fazer tradicional. As balas
de banana de Antonina pleiteiam junto ao INPI um reconhecimento nesta
categoria, já que, além de ser feito com um ingrediente abundante no Litoral do
Estado, a receita do doce é a mesma há 40 anos.
Já
a Denominação de Origem está relacionada a um produto proveniente de um meio
geográfico específico, que influencia na característica da produção. Um exemplo
são as uvas finas de mesa de Marialva, no Noroeste. As condições climáticas da
região aliadas a inovações na cultura garantem as qualidades específicas da
fruta, que recebeu o reconhecimento em 2018.
APOIO
Órgãos
da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, como a Emater e a
Agência de Defesa Agropecuária (Adapar), dão apoio e assistência técnica para
que os produtores se organizem para conseguir o reconhecimento.
“Diversos
órgãos trabalham em conjunto para conseguir esse reconhecimento, e a Emater é
um deles. A capilaridade do instituto no Estado e sua liderança na organização
dos agricultores facilitam esse trabalho”, afirma Souza. “Além da orientação
técnica, a principal contribuição da Emater no processo é na articulação dos
produtores e de outras organizações para consolidar o modelo de produção
exigido para o reconhecimento de Indicação Geográfica”, explica.
PRODUTO
HISTÓRICO
A
importância da erva-mate para a história do Paraná – um ramo da planta é
inclusive um dos símbolos do brasão do Estado – foi um dos fatores que levou à
certificação do produto no ano passado. A cultura da erva-mate em todo o
Estado, em especial na região Sul, está ligada à emancipação política do Paraná
da então província de São Paulo, em 19 de dezembro de 1853.
O
reconhecimento foi dado para a região que compreende São Mateus do Sul e outros
cinco municípios limítrofes: Antônio Olinto, Mallet, Rebouças, Rio Azul e São
João do Triunfo. “Nosso diferencial foi comprovado com uma documentação
histórica da época da emancipação política do Paraná, que relaciona o papel da
erva-mate nesse processo”, explica Helinton Lugarini, presidente da Associação
dos Amigos da Erva-mate de São Mateus do Sul e coordenador do Fórum Origem
Paraná. “A notoriedade histórica do produto, que se restringe à região de São
Mateus do Sul, define o terroir desta erva-mate”, afirma.
A
implantação da navegação a vapor no Rio Iguaçu, em 1882, para o escoamento de
erva e de madeira e a chegada de imigrantes poloneses, que também passaram a
cultivar o produto que já era consumido pelos indígenas da região, são outros
fatores históricos ligados à produção local da erva-mate.
A
forma de plantio foi outro ponto observado. Somente em São Mateus do Sul, 3 mil
propriedades cultivam o produto e precisam respeitar alguns requisitos. As
mudas devem ser provenientes das cidades indicadas e plantadas em uma região
sombreada com a mata nativa, como o pinheiro, imbuia e o cedro. “Nossa
erva-mate tem um sabor diferenciado, mais suave e persistente. Esses e outros requisitos
foram reunidos em um processo de 1.700 páginas, que foram levantados para o
pedido de Indicação Geográfica”, conta Lugarini.
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News – Wanderley Graeff c/ assessoria
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