Estudo aponta cenários para área livre de aftosa sem vacinação
Uma análise sobre o status de Área Livre de Febre Aftosa Sem Vacinação
foi apresentada ao secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento,
Norberto Ortigara, e lideranças do agronegócio paranaense. Segundo o estudo, se
o Paraná conquistar esse status sanitário só as exportações de carne suína
poderão dobrar das atuais 107 mil toneladas para 200 mil toneladas por ano.
Este cenário é previsto se o Paraná conquistar apenas 2% do mercado
potencial, liderado por China, Japão, México e Coreia do Sul, que pagam mais
pelo produto com reconhecida qualidade sanitária, e representam 64% do comércio
mundial de carne suína. Com o reconhecimento de Área Livre de Febre Aftosa Sem
Vacinação, o Paraná poderia exportar, sem restrições, para esses países que
compram cerca de 5 milhões de toneladas de carne suína por ano, o equivalente a
seis vezes as exportações atuais.
De acordo com a análise dos técnicos, as cadeias produtivas de carne
bovina, de aves e leite também serão beneficiadas com o acesso a mercados que
pagam mais por um produto de reconhecida qualidade sanitária. O Paraná poderá
ser um importante produtor de carne bovina e autossuficiente na produção de
bezerros, com o impulso do programa Pecuária Moderna, desenvolvido em parceria
pela Secretaria da Agricultura e Abastecimento, Faep, Emater, Adapar e Iapar.
O programa tem trabalhado mecanismos para aumentar a criação de bezerros
em áreas com declives do Estado. Essa iniciativa representa uma grande
oportunidade de desenvolvimento para regiões de baixo Índice de Desenvolvimento
Econômico do Estado (IDH), além de suprir um possível “deficit de animais”.
O estudo apresentou as potencialidades previstas para as várias cadeias
produtivas de carnes, se for concretizado esse projeto. Na bovinocultura de
corte, destaca o potencial para incorporação de até 4 milhões de cabeças de
bovinos de corte em áreas que, atualmente, estão subutilizadas, o que
compensaria o deficit potencial de 400 mil a 500 mil bezerros por ano, em caso
de fechamento de fronteira com outros Estados.
Também foi apresentado pelos técnicos uma prospecção mais modesta da
evolução do rebanho bovino entre os anos de 2019 a 2025. Mesmo com índices
produtivos bastante conservadores, o estudo demonstrou que poderá ser produzido
um volume adicional de bezerros machos e fêmeas na ordem de 1,12 milhão de
cabeças no período avaliado.
Considerando um valor médio de R$ 1,2 mil por cabeça, esse volume de
animais geraria um incremento de movimentação financeira da ordem de R$ 1,35
bilhão na economia do Estado. Esse montante de animais supriria o possível
“deficit” com folga, e ainda sobrariam animais para aumentar a exportação de
carnes, concluiu o estudo.
Fechamento de
fronteiras
Caso o Governo do Paraná decida por iniciar o processo, a última campanha
de vacinação será em maio, para animais jovens de zero a 24 meses. Depois
disso, não haverá mais vacinação, disse o diretor-presidente da Adapar, Otamir
Cesar Martins.
Finalizada a campanha de vacinação, o Ministério da Agricultura irá
fechar fronteiras interestaduais com os estados de São Paulo e Mato Grosso do
Sul, impedindo o transporte de bezerros para engorda e animais para abate em
território paranaense. O Ministério deverá editar uma Instrução Normativa
impedindo o trânsito de cargas vivas para o Paraná, preservando o território
estadual.
O estudo aponta que essa medida trará impacto imediato em apenas cerca de
30 produtores rurais, que representam 50% das movimentações relacionadas a
ingressos de bovinos no Paraná. Na média dos últimos três anos entraram no
Estado 100.936 animais bovinos para abate, cria ou engorda, representando 1,08%
em relação ao rebanho do Estado, avaliado em 9,36 milhões de cabeças.
Na vistoria entre 15 e 19 de janeiro de 2018, o Ministério concluiu que a
Adapar tem um dos melhores serviços sanitários do País e o Estado está apto a
avançar de bloco a qual pertence no Programa Nacional de Erradicação da Febre
Aftosa (PNEFA). O Paraná saltaria do quarto bloco a qual pertence, ao lado dos
estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, para avançar sozinho no processo de
conquista do status.
Viver
News – Karine Graeff c/ assessoria
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