Lei que proíbe fracking no Paraná é aprovada na CCJ
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| Fracking representa ameaça ao solo fértil do Paraná, apontam estudos |
Após
ter aprovado moratória por 10 anos em 2016, o Estado do Paraná busca a proibição
definitiva. A luta contra a extração não convencional de folhelho, também
conhecida por fracking ou fraturamento hidráulico, conquistou mais uma grande vitória.
Durante sessão da Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa do
Paraná, foi debatido o projeto de lei nº 65/2019 que visa a proibição
permanente da exploração do gás de xisto por meio do fracking no estado.
Após
a relatora, deputada Maria Victoria (PP), ter analisado as maneiras para seguir
com o projeto, juntamente com o parecer de seu autor, deputado Evandro Araújo
(PSC), a proposta recebeu parecer favorável. "Ao aprovar na CCJ o projeto
de lei para a proibição definitiva do fracking no Paraná, nossa Assembleia
apresenta mais um avanço. Agora resta aguardar a tramitação no Plenário e,
posteriormente, a sanção do governador – porém, é importante ressaltar que
demos um excelente passo neste projeto. Este é o caminho!", comenta
Araújo.
Membros
da equipe da Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida (COESUS), da
350.org Brasil e do Instituto Internacional Arayara – instituições que lutam há
mais de cinco anos para mobilizar a população contra a extração não
convencional de folhelho – estiveram presentes na sessão, acompanhando a
votação. "Esta é mais uma grande vitória de nosso árduo trabalho em combate
ao gás da morte. Desde 2013, atuamos em conjunto com a sociedade, sindicatos
rurais, cooperativas, câmaras de vereadores e milhares de voluntários para evitar
que esta prática seja realizada em nosso país. Já realizamos centenas de
palestras e eventos para conscientizar a população do Paraná sobre os graves impactos
que são causados pelo fracking. Mesmo sabendo que ainda existem etapas a serem
vencidas até chegarmos à proibição permanente, estamos muito felizes e confiantes
com o resultado da votação", comemora o fundador e diretor da COESUS e
Gestor de Campanhas da 350.org Brasil, Dr. Eng. Juliano Bueno de Araújo.
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| Mobilização anti-fracking reuniu sociedade de Toledo na Câmara Municipal em 2016 |
Toledo
Em
Toledo, o ex-prefeito Beto Lunitti tambem comemorou o avanço. Ele foi um dos
principais líderes da luta contra o fracking na região. “Agora, é contar com os
54 deputados estaduais para agilizarem votação no plenário da Assembleia e
darem seus votos favoráveis a proibição imposta nas comissões. Depois, o governador
Ratinho Junior terá a grande responsabilidade de sancionar a Lei”, disse.
Segundo
Beto, “todo este caminho, mostra que as lutas coletivas surtem resultados. Começou
aqui em Toledo enquanto estávamos como prefeito. Junto com os vereadores da
época fizemos a primeira lei municipal brasileira proibindo o fornecimento de alvarás
para empresas que exploram esta energia, constituindo barreiras, no sentido de
protegermos a vida. Após fizemos lutas conjuntas com prefeitos da região, no
estado e em Brasília. Uma batalha vencida. Não desistamos”, afirmou.
Histórico da luta
O
Paraná é pioneiro na luta contra o faturamento hidráulico no Brasil, tendo sancionado,
em dezembro de 2016, a primeira moratória do país para impedir a instalação da
técnica. O veto foi resultado do trabalho intenso das equipes da COESUS,
350.org Brasil e do Instituto Internacional Arayara, que teve o projeto de lei desenvolvido
pelos deputados estaduais Rasca Rodrigues (PV), José Carlos Schiavinato (PP),
Fernando Scanavaca (PDT), Marcio Nunes (PSD), Marcio Pacheco (PPL), Guto Silva
(PSD), Cristina Silvestri (PPS) e acatado pelo então governador Beto Richa
(PSDB).
Schiavinato,
hoje deputado federal, aponta que após a oportunidade de visitar sítios de
fracking na Argentina com a COESUS, para entender o que significa a atividade para
o país e o que significaria para o Brasil, voltou com uma opinião formada –
assegurando que não havia necessidade de se submeter às dificuldades
verificadas no local, colocando em risco o sistema ambiental, sem segurança do
que seria o Paraná do futuro. A partir desse momento, foi iniciada a discussão
para que houvesse a mudança da Constituição do Estado do Paraná.
"Chegamos
a ouvir que estávamos ficando fora do contexto de desenvolvimento nacional, mas
afirmamos que preferíamos ficar fora e ter a segurança do agronegócio continuar
no nosso estado gerando muito emprego e renda, sem correr risco nenhum, pois não
temos necessidade. Temos que ter uma preocupação com o sistema ambiental e
nossa produção, para evitar que essas atividades interfiram em nosso mercado
externo e o que temos de melhor: nossa produção rural", conta Schiavinato.
À
época, o projeto de exploração pelo método não-convencional foi impedido com base
no princípio de precaução para "não concordar com a pesquisa sobre uma atividade
que, sabidamente, é portadora de alto potencial de poluição de nosso ar, solo e
água, podendo futuramente colocar em risco o sucesso da atividade agropecuária,
a mais importante para a economia do estado e para a saúde do seu povo".
Porém,
Bueno evidencia que apenas esta moratória – agora com sete anos restantes – não
é suficiente. "Milhões de paranaenses ainda estão sob a ameaça dos riscos e
perigos do fracking, visto que este impedimento apenas adia a instalação dos
poços no Paraná. É como se perguntassem a você: 'prefere ter câncer daqui a dez
anos ou nunca?'; 'quer ver nossa agricultura e economia devastada pela
contaminação química do solo para sempre?' e é por isso que seguimos lutando
para conseguirmos a proibição permanente", complementa.
Riscos do fracking
Para
quem não tem conhecimento, o método consiste em extrair o gás de xisto do subsolo
por meio de perfurações de poços verticais com até mais de 3,2 mil metros de profundidade.
Por meio de uma tubulação instalada, é inserida, sob alta pressão, uma mistura
de água e mais de 700 elementos químicos - alguns tidos como “segredo industrial”–
e areia betuminosa, causando graves problemas socioambientais, tais como a contaminação
das reservas de água de superfície e aquíferos, poluição do ar, câncer em pessoas,
morte de animais, restrições fitossanitárias para exportação de proteínas
animais e vegetais das regiões que usem a tecnologia, bem como terremotos,
entre outros.
"É
sempre preciso lembrar que mais de 254 cidades do Paraná e milhões de cidadãos
de paranaenses serão atingidos caso este projeto não seja sancionado. Somos à favor
da vida e afirmamos, com toda certeza, que o único caminho seguro é o banimento
permanente", finaliza Bueno.
Viver
News – Wanderley Graeff c/ assessoria
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