Os diferentes e grandes mananciais de água da Amazônia
Dilceu Sperafico*
Se o Brasil já era conhecido como detentor da maior
reserva florestal nativa e dos maiores mananciais de água doce do mundo, estes
privilégios foram enriquecidos ainda mais nos últimos anos, com a descoberta e
primeiros estudos de verdadeiro oceano subterrâneo, localizado na Amazônia.
Conforme pesquisadores, ainda que a previsão ainda
dependa de confirmação de estudos mais aprofundados, o mar subterrâneo teria
mais de 160 trilhões de metros cúbicos de água potável, volume 3,5 vezes
superior ao do conhecido Aquífero Guarani, localizado entre o Sul do País,
Paraguai, Uruguai e Norte de Argentina, com 1,2 milhão de quilômetros quadrados
de extensão.
O anúncio da descoberta ocorreu em 2014, durante
Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), no
campus da Universidade Federal do Acre (UFAC), quando foi revelado que a
reserva subterrânea representa mais de 80% do total da água da Amazônia.
Para se ter melhor ideia da extensão do manancial,
basta lembrar que os rios amazônicos representam somente 8% do sistema
hidrológico do bioma, volume semelhante ao das águas atmosféricas, mantidas
como vapor nas nuvens que cobrem o céu da região.
Segundo especialistas, para se ter maior
conhecimento sobre o oceano subterrâneo
será necessária a realização de muitas pesquisas, pois o que se sabe até o
momento é ainda muito pouco e o potencial do manancial precisa ser melhor
avaliado para se saber da possibilidade de seu uso para abastecimento humano e
medidas indispensáveis à sua preservação, pela sua importância para todo o
planeta.
Além, do mar subterrâneo, a Floresta Amazônica
abastece verdadeiro rio aéreo, que percorre milhares de quilômetros anualmente
ainda como vapor d’água, para irrigar extensas regiões a Leste da Cordilheira
dos Andes, como o Centro-Oeste e Sul do Brasil, a partir do início da primavera
nesses territórios.
Os estudos sobre o mar subterrâneo, denominado
Sistema Aquífero Grande Amazônia, iniciaram há cerca de 15 anos, revelando que
o manancial está situado sob belas praias fluviais, como depósito de água doce
com volume aproximado de 86,4 trilhões de metros cúbicos, que começou a ser formado a partir do período
Cretáceo, há cerca de 135 milhões de anos.
Apesar dos avanços das pesquisas, ainda não se sabe
se a água do manancial é própria para consumo, já que até agora pouco se
conhece sobre suas características, pois conforme pesquisadores da Universidade
Federal do Amazonas (UFAM), são muitos os obstáculos para avaliar melhor o complexo
sistema.
O que se sabe até agora, é que o reservatório é
composto por grandes rios subterrâneos, com camadas sedimentares de diferentes
profundidades e diferentemente do Aquífero Guarani, acessível apenas por suas
bordas, as áreas do Sistema Aquífero Grande Amazônia são permanentemente
livres.
No Estado do Amazonas, 71% dos seus 62 municípios
utilizam água subterrânea como principal fonte para o abastecimento da
população, pois ela é distribuída e está disponível em toda a região. Já entre
os 22 municípios do Estado do Acre, quatro são totalmente abastecidos com água
subterrânea.
As riquezas da natureza do Brasil, portanto,
continuam surpreendendo, tanto aos que insistem na teoria da devastação de
florestas nativas e contaminação dos recursos naturais, como aos que estudam e
buscam alternativas para a sua preservação em benefício das futuras gerações.
*O autor é ex-deputado federal pelo Paraná e
ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado
E-mail: dilceu.joao@uol.com.br
Viver
News – Karine Graeff c/ assessoria
Apoio: Ótica Cristal, Essencial Modas, Oftalmologia Dr. John Prochnau,
Sicoob Meridional, Lodi, Imobiliária Plena, Restaurante Filezão, Colégio Alfa
Premium, Inviolável, Yara Country Club, Junsoft, Oesteline, Toledão, Unimed
Costa Oeste, Tchibuum Natação e Hidro, Unipar, Recanto Cataratas Thermas Resort
& Convention, Rafain Show Churrascaria, Vivaz Cataratas Hotel & Resort








0 Comentários:
Postar um comentário
Assinar Postar comentários [Atom]
<< Página inicial