R$ 500 mi do BNDES para caminhoneiros autônomos

(Andreia Verdélio - Agência Brasil)
– Brasília - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social (BNDES) disponibilizará R$ 500 milhões e abrirá uma linha de crédito
especial para caminhoneiros autônomos. Os recursos deverão ser usados para
aquisição de pneus e manutenção dos veículos.
O
crédito faz parte de um pacote de medidas anunciadas hoje (16) pelo governo
federal para atender o setor de transporte de cargas do país. “Nós temos que
lidar com uma realidade que é a escolha que o Brasil fez há cinco décadas, do
modal rodoviário, e que precisa ser enfrentada para garantir respeito e
valorização do trabalhador e o abastecimento da população brasileira”, disse o
ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.
Manutenção
De
acordo com ele, a falta de manutenção de veículos é um dos principais
problemas, identificados em blitz da Polícia Rodoviária Federal, que impacta na
segurança das rodovias brasileiras. Manter as condições dos caminhões em ordem
também tem um custo alto para os profissionais autônomos, segundo o ministro.
Para
atingir especificamente os caminhoneiros autônomos, o credito será limitado
àqueles que possuem no máximo dois caminhões registrados em seu nome. A linha
de crédito deverá ser ofertada, inicialmente pelo Banco do Brasil e Caixa
Econômica Federal. Cada caminhoneiro terá direito a R$ 30 mil para comprar
pneus e fazer a manutenção dos seus veículos.
A
política de preço de combustíveis e as medidas para atender o setor de
transporte de cargas, como o tabelamento do frete, foram tema de reunião ontem
(16), no Palácio do Planalto, entre ministros de Estado, o presidente da
Petrobras, Roberto Castello Branco e o diretor-geral da Agência Nacional do
Petróleo (ANP), Décio Oddone. O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES), Joaquim Levy, participou por meio de videoconferência.
Política de preços
A
política de preços da Petrobras também é uma reivindicação dos caminhoneiros e
será tema de uma nova reunião na tarde de hoje, desta vez com a presença do
presidente Jair Bolsonaro. Pela manhã, o presidente se reuniu com o ministro da
Economia, Paulo Guedes, e com representantes de empresas do setor de
combustíveis.
“Os
ministérios e a Petrobras vão discutir esse tema. Agora, o governo sempre disse
que a Petrobras tem autonomia e liberdade para exercitar aquilo que é necessário
do ponto de vista de política de combustível", disse Onyx.
Na
semana passada, a Petrobras havia anunciado um reajuste de 5,7% do no preço do
óleo diesel nas refinarias, mas a medida foi suspensa a pedido do presidente
Jair Bolsonaro. Bolsonaro disse que quer entender aspectos técnicos da decisão
da Petrobras e negou que haja interferência do governo na política de preços da
estatal.
O
presidente disse que há preocupação com o reajuste dos combustíveis pelo
impacto no setor de transporte de cargas, afetando diretamente os
caminhoneiros. Em maio do ano passado, a alta no preço do combustível levou à
paralisação da categoria, que afetou a distribuição de alimentos e outros
insumos, causando prejuízos a diversos setores produtivos.
Ao
deixar o Palácio do Planalto, ontem, o presidente da Petrobras, Roberto
Castello Branco, afirmou que a decisão de suspender o reajuste do óleo diesel
foi empresarial e que o presidente da República apenas alertou que o aumento
poderia desencadear insatisfação dos caminhoneiros.
Após
a decisão de suspender o reajuste do diesel na sexta-feira (12), houve queda na
bolsa de valores e desvalorização de 8,54% das ações da Petrobras. Apesar de
negar que está intervindo nos preços, o mercado costuma reagir mal quando o
governo interfere diretamente em uma estatal competitiva como a Petrobras.
Em
março, a Petrobras já havia anunciado mudança na periodicidade do reajuste no
preço do diesel nas refinarias. Segundo a estatal, os preços nas refinarias da
companhia correspondem a cerca de 54% dos preços ao consumidor final e não será
reajustado em prazos inferiores a 15 dias.
Viver News – Wanderley Graeff c/ assessoria
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