São Pedro e São Paulo, missionários da Igreja, rogai por nós
*Dom João Carlos Seneme
O prefácio da missa deste
domingo dá uma breve descrição dos Apóstolos que celebramos. “Pedro, o primeiro
a proclamar a fé, fundou a Igreja primitiva sobre a herança de Israel. Paulo,
mestre e doutor das nações, anunciou-lhes o evangelho da salvação. Por
diferentes meios, os dois congregaram a única família de Cristo e, unidos pela
coroa do martírio, recebem hoje, por toda a terra, igual veneração”. Em poucas
linhas a liturgia nos oferece uma descrição, não só dos dois apóstolos, colunas
fundamentais da fé cristã, mas também do início da Igreja. São exemplos que
podemos encontrar em qualquer comunidade cristã fiel ao Evangelho. Pedro e
Paulo, no contexto de nossa celebração, não são apenas dois indivíduos que
responderam ao chamado de Cristo, mas simbolizam a resposta afirmativa de toda
Igreja ao projeto de amor de Deus Pai.
Através do Novo
Testamento nós podemos reconstruir o itinerário de suas vidas e perceber a
gratuidade da escolha divina. Pedro era um pescador da Galileia, trabalhava com
o pai, Jonas, e o irmão, André, no lago de Tiberíades. Foi precisamente numa
tarde enquanto lançava as redes para a última pescaria que passou por ali Jesus
e o chamou e a seu irmão: “Vinde após mim; eu vos farei pescadores de homens”
(Mc 1,17). Desta forma teve início sua caminhada: seguir o Mestre, da Galileia
à Judeia; daqui, depois da morte de Jesus, andou pela Palestina até chegar em
Roma. Ali viveu como líder da nova comunidade fundada por Jesus: “sobre esta
rocha, edificarei a minha Igreja”. Por isso a cátedra de Pedro foi edificada
sobre o seu túmulo onde hoje está a Basílica de São Pedro, símbolo da unidade
da Igreja Católica. Pedro continua sendo a rocha sobre a qual Cristo vai
construindo misteriosamente sua Igreja, o sinal da unidade para todos os que
invocam o nome do Senhor.
Paulo fez um caminho
diferente. É chamado por Jesus no caminho de Damasco: “Saulo, Saulo, por que me
persegues? (At 9,4). A partir daquele dia sua vida se transformou e passou de
perseguidor da Igreja nascente a um apaixonado por Jesus Cristo: “O amor de
Cristo me impele” (2Cor 5,14). Abriu-se aos pagãos e procurava anunciar a
boa-nova de Jesus em todos os lugares, pregando aos judeus e aos pagãos. Por
onde passava fundava novas comunidades.
A história destes dois
homens é marcada pelo encontro com Jesus que deu novo sentido as suas vidas.
Não importam seus defeitos e dificuldades: eles são frágeis, inconstantes, agem
por impulso... porem carregam dentro de si um tesouro que lhes dá dignidade.
Deus está com eles e como está com cada um de nós. Deus faz emergir o que há de
melhor na alma humana.
Acompanhando a história
desses dois homens, podemos perceber Deus traçando o seu plano de salvação e
contando com a generosidade humana para concretizá-lo. A Igreja é a comunidade
daqueles que se unem a Pedro ao proclamar a fé em Jesus Cristo, “A quem iremos
Senhor? Só tu tens palavras de vida eterna”. Quem edifica a Igreja é Cristo. É ele que escolhe livremente um homem e o põe
na base do edifício. Nós conhecemos a fragilidade de Pedro, seu medo, mas
também sua generosidade em deixar tudo para seguir Jesus. Por isso, ele é um
instrumento nas mãos de Deus e se torna símbolo da unidade: “onde está Pedro,
ali está a Igreja” (Santo Ambrósio).
Rezemos hoje pelo nosso
Papa Francisco. Que Deus lhe dê saúde, sabedoria para conduzir a Igreja fundada
sobre a fé dos apóstolos.
*Dom João Carlos Seneme,
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