Artigo: Deus está presente onde há fraternidade e perdão
*Dom João Carlos Seneme,css
O evangelho
deste domingo (06/09) mostra como a comunidade de Jesus vive a fraternidade
entre eles em vista da fidelidade ao projeto de Deus. A comunidade de Jesus é
uma comunidade normal, onde há tensões entre os diversos grupos e problemas de
convivência: há irmãos que se julgam superiores aos outros e que querem ocupar
os primeiros lugares; há irmãos que tomam atitudes prepotentes e que
escandalizam os pobres e os débeis; há irmãos que magoam e ofendem outros
membros da comunidade; há irmãos que têm dificuldade em perdoar as falhas e os
erros dos outros. O texto nos apresenta um “modelo” de comunidade para os
cristãos de todos os tempos: a comunidade de Jesus tem de ser uma família de
irmãos e irmãs, que vive em harmonia, que dá atenção aos pequenos e aos débeis,
que escuta os apelos e os conselhos do Pai e que vive no amor.
Neste
ambiente comunitário, Jesus exorta seus discípulos à prática da correção
fraterna que deve ser associada à caridade. A comunidade se destaca por estar
reunida ao redor de Jesus, por isso é uma comunidade movida pela fé: “Pois onde
há dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles”. A correção
fraterna nunca será fácil de ser exercida e a sua prática exige que as pessoas
vivam uma verdadeira dimensão fraterna, feita de estima, confiança, respeito,
afeto sincero e amizade, buscando o mesmo ideal: “Amar a Deus sobre todas as
coisas e ao próximo como a si mesmos”.
Reunir-se em
nome de Cristo é criar um espaço para viver a vida inteira em torno dele e a
partir do seu horizonte. Um espaço espiritual bem definido, não por doutrinas,
costumes ou práticas, mas pelo Espírito de Jesus que nos faz viver como ele
viveu. Nossas fraquezas e debilidades não devem ser empecilhos para caminhar
juntos na direção do amadurecimento de nossa fé. Quando assumimos nossas
diferenças como riqueza, com suas alegrias e tristezas, mas unidos pelo mesmo
ideal, nos sentimos mais fortes e tolerantes uns com os outros. O
amadurecimento da fé é associado ao crescimento humano. Por isso nossa
preocupação deveria ser cuidar, consolidar e aprofundar em nossas comunidades e
paróquias este espaço dominado por Jesus. A renovação da Igreja começa no
coração de dois ou três que se reúnem em nome de Jesus.
Na comunidade
cristã somos responsáveis uns pelos outros. Amar alguém é não ficar indiferente
quando ele faz mal a si próprio; por isso, amar significa, muitas vezes,
corrigir, admoestar, questionar, discordar, interpelar. A atitude de correção
fraterna não seja guiada pelo ódio, pela vingança, pelo ciúme, pela inveja, mas
seja guiada pelo amor. A lógica de Deus não é a condenação do pecador, mas a
sua conversão; e essa lógica devia estar sempre presente, quando nos
confrontamos com os irmãos que falharam.
*Dom João Carlos Seneme,css
Bispo de Toledo
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