26/03/2021

Cruzes no lago simbolizando vítimas da Covid-19 causam polêmica em Toledo

Ação em homenagem aos mortos e cobrando ações do governo foi desfeita logo em seguida

A polêmica do dia em Toledo foram as cruzes cravadas em torno do lago do Parque Ecológico Diva Paim Barth para simbolizar os mais de 300 mil mortos no Brasil e as 203 vítimas da Covid-19 em Toledo. O ato foi promovido pelo Comitê Resistencia e Solidariedade de Toledo e classificado como “alerta em defesa da vida”. Com severas críticas à condução da pandemia pelo governo federal, o ato desagradou os apoiados do presidente Jair Bolsonaro, que exigiram a retirada das cruzes, as quais foram efetivamente retiradas por equipe da municipalidade. Vídeo gravado por integrante do movimento mostrou um popular rasgando uma das faixas.
De acordo com informação oficial da Prefeitura de Toledo, a “foi respeitado o direito à manifestação, com a coleta de imagens e entrevistas. No entanto, havia uma solicitação para que o material fosse retirado após o ato. Eles não fizeram ato, estavam apenas cinco pessoas lá. Com o registro e as entrevistas, como não teve ato, entendemos que o direito deles foi respeitado e os objetivos alcançados”. A administração reitera que "houve prazo de meia hora para a retirada, porque aquele é um espaço público, cartão postal, que tem de ser mantido também visualmente limpo." Segundo a administração municipal, “não houve cerceamento ou discussão, apenas a retirada das cruzes, que estão à disposição dos responsáveis na Secretaria do Meio Ambiente. Respeitamos as faixas, porque estão assinadas, sendo que a faixa rasgada em frente às câmeras foi um ato de um popular contrário ao movimento". 
Vídeo feito por um manifestante registra a retirada:
Nota do comitê
O Comitê de Resistência e Solidariedade é formado pelo Sinteoeste, APP-Sindicato de Toledo, SerToledo, Sindicato dos Empregados no Comércio,  Sinditest, movimento estudantil e Instituto Cultural Quilombo Tekohá.
Confirta a íntegra da nota emitida:
“Prestanto homenagem às vítimas, o comitê pretende expressar sua solidariedade aos familiares que perderam entes queridos e aos milhões de infectados e aos que estão na fila de espera por leito em UTI’s. O comitê dedica gratidão a todos os  trabalhadores do sistema público e privado da saúde que diuturnamente salvam milhões de vidas!
Nesse momento é indispensável uma articulação nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) através de um planejamento e ações concretas dos governos federal, estaduais e municipais contra o inimigo número UM da sociedade: o coronavírus.
Essa manifestação também reivindica vacinas para que seja possível retomar as aulas presenciais e demais atividades que estão caracterizadas como não essenciais. O CRS lembra que são 70 milhões de brasileiros que estão na vulnerabilidade e necessitam do auxílio emergencial e cobra para que esse auxílio seja de R$ 600,00 para que seja possível a sobrevivência até que a pandemia esteja totalmente controlada”.
Mais adiante, a manifestação faz severas críticas à condução da pandemia no Brasil pelo presidente jair Bolsonaro:
“Não é possível controlar a pandemia com o chefe máximo da nação que nega a realidade e retira recursos da saúde, da ciência e da tecnologia, zomba das vítimas do coronavírus e coloca o lucro acima da saúde e da vida!
Para mudar essa triste realidade exigimos: teste em massa para diagnosticar o real quadro de infectados pelo coronavírus; vacina já e gratuita para todos; lockdown nacional já; auxílio emergencial já e fora bolsonaro com sua política de morte”.
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