As medidas do Governo Federal e a gestão dos municípios
Dilceu Sperafico*
O fato de município com a
dimensão, expressão e tradição econômica, social, populacional, cultural e
educacional de Cascavel, haver suspenso o desfile de sete de setembro para
reduzir despesas e destinar recursos públicos para empreendimentos mais
urgentes, nos alerta para a gravidade da situação financeira de cidades
brasileiras.
A própria Confederação
Nacional dos Municípios (CMN) divulgou manifesto em 30 de agosto, pedindo a
aprovação com urgência projetos de socorro às prefeituras, pois mais da metade
enfrentam grave crise financeira. Segundo a entidade, gestores municipais de 16
Estados participaram de mobilização pedindo medidas efetivas para auxiliar as
prefeituras na melhoria das contas públicas.
Entre os apelos dos
prefeitos ao governo federal e Congresso Nacional estão a aprovação de medidas
que aumentem o Fundo de Participação dos Municípios (FPM), com elevação de 1,5%
sobre o repasse de março, que representaria acréscimo de 783,4 milhões de
reais; redução da alíquota patronal do Instituto Nacional de Seguridade Social
(INSS), para 8% em municípios de até 156 mil habitantes; e recomposição do
Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), com atualização de
458,7 milhões de reais de programas federais defasados.
A entidade destaca que
essas medidas não resolvem definitivamente o problema financeiro dos
municípios, mas amenizariam o atual cenário, pois estudo da própria CMN aponta
que 51% das prefeituras do País estão em situação deficitária, em contraste
marcante em relação ao ano anterior, quando somente 7,0% enfrentavam déficits
primários.
Conforme a instituição,
esse cenário se agrava a cada dia, à medida que mais responsabilidades são
delegadas às prefeituras sem a devida fonte de financiamento, tornando a
governabilidade tarefa quase impossível.
Conforme a CNM, no dia 10
de julho deste ano houve redução brusca de 34,49% no repasse das cotas às
prefeituras e em agosto, essa queda foi de 23,56%. Outra receita importante, a
cota-parte do ICMS das prefeituras, recuou 4,5% no mesmo período. Além disso,
os municípios também enfrentam atraso no pagamento de emendas parlamentares,
com queda nos repasses de custeio no 1º semestre de 2023 na comparação com 2022
de quase 73%, caindo de 10,43 bilhões de reais para 2,80 bilhões de reais.
Já são dezenas os
programas federais com defasagens que atingem a 100%, em relação ao crescimento
de 21,2% das despesas de custeio, 1,1 bilhão de procedimentos ambulatoriais e
4,3 milhões de procedimentos hospitalares represados durante a pandemia.
Isso impede investimentos
próprios dos municípios e prejudica a maioria da população com aumento de
despesas com pessoal e custeio e investimentos, gerando dificuldades nas áreas
da saúde e infraestrutura e paralisando obras por falta de recursos. Essa falta
de verbas para serviços essenciais e obras públicas atinge diretamente a
população mais pobre, pois as pessoas vivem e são atendidas nos municípios.
*O autor é deputado federal pelo Paraná
e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado
E-mail:
dilceu.joao@uol.com.br
Viver Toledo - Ano 14
Editoria: Wanderley Graeff, Karine Graeff e Juninho Graeff
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