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Episódio de 2013 resulta em obra que escancara racismo em pleno Século 21

Em 2013, uma família passou por um episódio que marcou sua trajetória antirracista: o filho Renan, com apenas sete anos, foi expulso de forma violenta de uma concessionária BMW no Rio de Janeiro. Diante dos pais, o gerente da loja disse ao menino; “Saia da loja. Aqui não é lugar pra você!”.
Esta foi uma das primeiras denúncias de racismo noticiada pelos mais importantes meios de comunicação, que ganhou as manchetes no Brasil e no exterior. O episódio é apenas um exemplo do que acontece a toda hora, em todos os cantos do país, expresso pelos depoimentos de cada um dos entrevistados e fotografados para o livro.
Do episódio resultou o projeto de publicação que nasceu com um propósito: compartilhar a vivência de Priscila Celeste e Roni Munk como pais brancos de um menino negro e seu olhar para os dois lados: “o lado de cá”, branco e privilegiado, e “o outro lado”, dos que vivenciam o racismo.
O livro “Do Outro Lado, Do Lado de Cá”, de Priscilla Celeste e Roni Munk, fotógrafo, será lançado sábado, 30 de abril, na Livraria da Vila, em São Paulo. O evento contará também com a roda de conversa “É de Todos: diferentes perspectivas na caminhada antirracista”. Os convidados compartilham suas perspectivas sobre o papel de negros e não-negros na caminhada antirracista - na educação, no ambiente corporativo e no empreendedorismo social - com a participação do público presente.
Priscila Celeste e Roni Munk tem cinco filhos. O caçula é Renan, um jovem negro que, atualmente, tem dezesseis anos, “nasceu na família aos dois”, e foi com a sua chegada que essa família multirracial de classe média alta começou a vivenciar, “do lado de cá”, os impactos individuais e coletivos do racismo sobre “o outro lado”.
Entenda o caso que marcou a trajetória da família
Em janeiro de 2013, Renan, então com sete anos e o caçula de cinco irmãos, acompanhava seus pais Priscilla e Roni até a loja BMW Autocraft, uma concessionária da marca de carros de luxo que fica na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.
Interessados em um dos veículos, conversavam com o gerente da loja enquanto seu filho os aguardava numa espécie de área de espera que são comuns em lojas do setor. Até que a criança resolve ir em direção aos pais e, de repente, é abordada pelo funcionário.
“Você não pode ficar aqui dentro. Aqui não é lugar pra você. Saia da loja”, diz o gerente e, ao perceber o desconforto, ainda se justifica se dirigindo ao casal que ficou paralisado e sem entender o que acontecia. “Esses meninos pedem dinheiro e incomodam os clientes”.
O casal se retirou da loja com seu filho, mas não ficaram calados, denunciaram o ato racista que foi um dos primeiros a ganhar repercussão da mídia dentro e fora do país, e também processaram a loja que, após dois anos, foi condenada por danos morais e a pagar uma indenização de 22 salários-mínimos (cerca de R$ 16 mil reais na época). O dinheiro foi doado pela família à Associação Nova Vida, instituição que apoia crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social.
Wanderley Graeff e Karine Graeff (vivertoledo@gmail.com) – Ger. Adm. Luciane Graeff
Apoio: Acit, Ótica Cristal, Prati-Donaduzzi, Essencial Modas, Imobiliária Plena, Restaurante Filezão, Colégio Alfa Premium, Yara Country Clube, Junsoft, Oesteline, Toledão, Tchibuum Natação e Hidro, Help Informática, Recanto Cataratas Thermas Resort & Convention, Rafain Show Churrascaria, Vivaz Cataratas Hotel & Resort, Inglês Athus, Sicoob Meridional, Viação Sorriso de Toledo, Biopark, Sonomag Colchões, Maestro Thermas Park Hotel, Sintomege, Sicredi Progresso PR/SP, Unimed Costa Oeste

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