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Biopark lidera revolução do "queijo autoral" e transforma o Paraná em referência de alto valor agregado

 

O mercado de queijos no Brasil vive uma revolução: a transição entre produzir a versão nacional dos clássicos da queijaria, demonstrando domínio das técnicas europeias, e o protagonismo da biodiversidade nacional. Neste cenário, a terceira edição do Conecta Queijo consolidou-se como um marco dessa nova identidade. Com quase 200 participantes e 15 horas de palestras, laboratórios e visitas técnicas, o evento reafirmou que o futuro da rentabilidade no campo está no produto autoral.

O catalisador dessa mudança é um ecossistema de inovação no Oeste paranaense, o Biopark, em Toledo. Por meio do Programa de Queijos Finos, o ecossistema une pesquisa científica de ponta à viabilidade de mercado, oferecendo mentoria para que produtores rurais deixem de comercializar "commodities" e passem a criar queijos exclusivos, com alto valor agregado e padrão de exportação.

A oportunidade do setor

Autora do livro "O Mundo dos Queijos", Dra. Maike Maziero trouxe aos participantes do evento um alerta estratégico: o acordo Mercosul-União Europeia vai alterar a forma como são denominados os queijos, impossibilitando produtores brasileiros de usarem o “tipo” Parmesão, Gorgonzola, entre outros. O que, segundo ela, não deve ser visto como um problema, mas uma grande oportunidade. "É o momento de o produtor brasileiro batizar seus próprios filhos", destacou Maike. 

O Biopark trabalha justamente para que essa identidade surja do terroir paranaense — explorando a microbiota local e o leite único da região para criar sabores impossíveis de replicar na Europa. "O queijo brasileiro não é pior. Ele é diferente, nobre e carrega a nossa história", completou.

A ciência por trás da emoção

De acordo com o pesquisador Heber Rodrigues, da Universidade de Surrey (Reino Unido), para que o queijo autoral conquiste o consumidor, é preciso entender a psicologia do paladar. Ele trouxe ao evento uma abordagem sobre ciência sensorial, explicando como os receptores do corpo transformam estímulos em sinais elétricos que o cérebro interpreta como emoções e memórias afetivas. 

"Entender como a cultura influencia a percepção é uma ferramenta de marketing sensorial essencial para quem produz. O queijo autoral precisa conectar-se ao coração do consumidor", afirmou Heber. Essa visão científica é um dos pilares do Biopark, que prepara o produtor para entregar não apenas um alimento, mas uma experiência sensorial completa.

Mestres da técnica 

O Conecta Queijo 2026 uniu a teoria à prática com as maiores referências do país. Em uma das oficinas, Kennidy de Bortoli, pesquisador do Biopark, eleito o melhor mestre queijeiro do Brasil, levou a turma para o laboratório, onde mostrou como traduzir a química do leite em produtos de elite. Anderson Aguiar de Magalhães, eleito o melhor queijista do país, por sua vez, guiou o público na educação do paladar e na valorização das notas sensoriais dos queijos finos.

Expansão e impacto regional

Por meio de visitas técnicas à Queijaria Flor da Terra e a outras unidades familiares, os participantes viram de perto como o investimento em tecnologia e identidade autoral está transformando a economia rural e impulsionando o turismo gastronômico no Oeste paranaense.

Ao consolidar-se como um evento científico de relevância internacional, o Conecta Queijo demonstra que o Paraná é um laboratório onde o futuro do queijo brasileiro está sendo escrito — com ciência, orgulho e inovação. 

Com um investimento de R$ 3,8 milhões, o Biopark e o Governo do Paraná estão expandindo o Projeto Queijos Finos para outras quatro mesorregiões (Sudoeste, Norte Pioneiro, Centro-Oriental e Região Metropolitana de Curitiba), transformando-o em uma política de desenvolvimento estadual. A iniciativa oferece a pequenos e médios produtores acesso gratuito a biotecnologia de ponta, treinamentos e suporte laboratorial por três anos, visando agregar valor à produção leiteira com rigor científico. Coordenado por uma coalizão técnica que inclui o IDR-PR e universidades, o projeto busca consolidar o Paraná como o principal polo de queijos finos da América Latina.

Sobre o Biopark

Nomeado pela Anprotec como o melhor hub de inovação do Brasil, o Biopark está localizado em Toledo, região Oeste do Paraná, em uma área de mais 5 milhões de m². Com o foco no desenvolvimento regional por meio da educação, da pesquisa e da geração de negócios, o Biopark já conta com mais de três mil pessoas circulando diariamente em seu território. Atualmente, mais de 130 empresas já atuam no local, gerando empregos e progresso. Três instituições federais de ensino estão instaladas no Biopark (UFPR, UTFPR e IFPR, além da Faculdade e do Colégio Donaduzzi. Em 30 anos, o Biopark deve receber mais de 500 empresas, ofertar 30 mil postos de trabalho e ter população de 75 mil moradores.

Viver Toledo - Ano 16
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