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O agronegócio brasileiro e o sucesso da missão espacial Artemis II

Dilceu Sperafico*

O agronegócio brasileiro prossegue avançando e surpreendendo positivamente os próprios produtores rurais, especialistas e toda a sociedade. Poucos sabem, por exemplo, que rede de pesquisadores liderada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) teve motivação especial para acompanhar a decolagem do foguete SLS, da missão histórica Artemis II, do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, nos Estados Unidos, no dia 1º de abril, com retorno bem sucedido no dia 11. O voo da Nasa levou quatro astronautas a bordo da cápsula Orion, pela primeira vez à órbita da Lua em mais de meio século, servindo, entre outros desafios, de laboratório para a sobrevivência humana de forma permanente fora da proteção do campo magnético terrestre. O sucesso da jornada representou importante etapa para a instalação, em longo prazo, de bases em solo da Lua e até de Marte, em projeto que depende diretamente da expertise da agricultura tropical brasileira, desenvolvida ao longo das últimas cinco décadas.

A tarefa é da rede de pesquisa Space Farming Brazil, reunindo dezenas de cientistas de 22 instituições, entre as quais a Embrapa, o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), o Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) e a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da USP (Esalq), ambos da Universidade de São Paulo (USP). Desenvolvendo estudos sobre a agricultura espacial e o envio de plantas brasileiras para fora da Terra, o grupo representa o Brasil no Acordo Artemis e trabalha para resolver desafio que permitirá a expansão territorial da presença humana para além dos limites planetários, produzindo alimentos em ambientes de radiação extrema, microgravidade e ausência total de solo fértil. A viabilidade de base permanente na Lua, como a planejada pela Nasa a um custo adicional de 20 bilhões de dólares nos próximos sete anos, depende da resposta a essa questão. Atualmente o transporte de um quilo de alimento da Terra para a Lua tem um custo proibitivo de cerca de um milhão de dólares, o que torna fundamental a produção de vegetais no espaço.

Como o Brasil é internacionalmente reconhecido pela pesquisa agrícola, vislumbrou-se a oportunidade de a Embrapa contribuir, pensando também no retorno à sociedade brasileira de todas as tecnologias que serão desenvolvidas no decorrer dos trabalhos, explicam pesquisadores da instituição. Estabelecido em 2020 com o objetivo final de colonizar a Lua e, em longo prazo, também Marte, o Acordo Artemis foi iniciado pela Nasa e o Departamento de Estado dos EUA em parceria com empresas de voo espacial comercial e parceiros internacionais. Inicialmente o acordo envolvia oito países, mas atualmente conta com 61 nações signatárias, com a adesão do Brasil em 2021. Assim, estudos em agricultura espacial de pesquisadores brasileiros iniciados em 2025, simulam cultivos em ambientes extraterrestres. Testes da Esalq/USP, por exemplo, utilizam equipamentos especiais, como satélites em miniatura, para mostrar que, em diferentes condições de gravidade, as plantas entram em estresse significativo, comprometendo a produtividade. Com a simulação desses ambientes no Brasil, é possível prever formas de viabilizar a agricultura em estações espaciais. A radiação ionizante cósmica exige que cultivos sejam protegidos por invólucros com materiais capazes de absorver ondas espaciais, com o solo da Lua sendo pobre em nutrientes.

*O autor é deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado

E-mail: dilceu.joao@uol.com.br

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