Dilceu Sperafico*
Apesar dos efeitos de conflitos geopolíticos e guerras, instabilidades do clima com estiagens e enchentes nas regiões produtivas, elevação dos preços do óleo diesel e fertilizantes, endividamento de produtores e dificuldades no escoamento das safras, o agronegócio continua surpreendendo a própria categoria, especialistas, autoridades e população do País. Entre as provas desses avanços está a previsão da safra brasileira de soja 2025/26 crescer 1,6 milhão de toneladas, em relação à colheita anterior, conforme a empresa especializada Agroconsult. A safra nacional da leguminosa deste ano, segundo o levantamento, deve alcançar 184,7 milhões de toneladas, refletindo avanços na produtividade das lavouras e extensão da área cultivada. Caso a estimativa se confirme, a safra será 6,7% maior que a do ciclo anterior. Conforme especialistas, se chegou ao momento decisivo para a definição da atual safra de soja, consolidando dados de campo de todas as regiões produtoras do País, respeitando o calendário de colheita de cada área e integrando as informações de áreas plantadas, obtidas com o suporte de tecnologias avançadas de processamento de imagens.
Para chegar às novas estimativas, equipes técnicas avaliaram cerca de 1.700 lavouras distribuídas em 14 Estados, percorrendo mais de 60 mil quilômetros desde janeiro. Com base nesses dados do campo, a produtividade média nacional foi ajustada de 62,5 para 62,7 sacas por hectare. Esse indicador mede a quantidade colhida por área plantada e é um dos principais parâmetros para estimar a produção total. Pelo lado da área cultivada, a estimativa passou para 49,1 milhões de hectares, com cerca de 300 mil hectares acima da projeção inicial feita durante o levantamento.
Com isso, o ajuste total para a safra 2025/26, na comparação com a temporada passada, apresenta crescimento que ultrapassa 11,5 milhões de toneladas. Segundo a Agroconsult, 30% dessa expansão decorre do aumento da área plantada, enquanto 70% estão relacionados a ganhos de produtividade nas lavouras.
No País, o Estado do Mato Grosso manteve a liderança na safra de soja, como principal produtor nacional da leguminosa. Com a colheita já concluída, o Estado deve registrar produção de 51,3 milhões de toneladas, com rendimento médio de 66 sacas por hectare. O resultado permanece praticamente estável em relação ao relatório anterior e ligeiramente acima da estimativa inicial, que indicava 65 sacas por hectare. Desde o início dos levantamentos, as lavouras precoces do Mato Grosso já indicavam alto potencial produtivo. Em fevereiro, o excesso de chuvas trouxe preocupação com a qualidade e o peso dos grãos, mas dados finais mostram que o Estado sustentou produtividade elevada, apoiada pela maior produção por hectare e bom peso dos grãos. Já a Bahia obteve a maior produtividade da soja no País. Com 70% da área colhida, os dados coletados indicam uma das maiores revisões positivas desta safra de soja no País. A estimativa de produtividade, que era de 66 sacas por hectare em janeiro, subiu para 68 sacas em fevereiro e em março alcançou 70,3 sacas por hectare, a maior média entre os Estados produtores. Com esse desempenho, a produção baiana deve chegar a 9,7 milhões de toneladas. Já o Rio Grande do Sul enfrentou períodos prolongados de estiagem durante o ciclo da cultura, o que reduziu o potencial produtivo para 48,3 sacas por hectare em março último.
*O autor é deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado
E-mail: dilceu.joao@uol.com.br
Viver Toledo - Ano 16
Por quem faz jornalismo há 46 anos
Editoria
Wanderley Graeff - 45 98801-8722
Karine Graeff - 45 98811-1281
Juninho Graeff - 45 99854-3812
Rua Três de Outubro, 311 – S. 403- Vila Industrial
CEP 85.904-180 – Toledo-PR






Comentários
Postar um comentário