A bondade do Senhor é para sempre
Conhecer
Deus, saber o seu nome, buscar o seu rosto é o sonho de todo aquele que crê. É
um caminho de fé. Deus é uma pessoa que vai ao encontro do ser humano e o
convida a viver a vida plena. Ele se preocupa verdadeiramente com o ser humano:
intervém, reprova, adverte, consola; alcança o ser humano com a palavra, está
presente na história humana. É alguém que pode ser encontrado. É o que nos
revela os textos da liturgia deste domingo.
Os
israelitas experimentaram o amor de Deus na libertação do Egito. Deus agiu
pessoalmente e os fez sair da escravidão.
São
Lucas hoje narra dois acontecimentos trágicos que marcaram a vida dos judeus no
tempo de Jesus: alguns galileus que foram barbaramente assassinados enquanto
ofereciam sacrifícios; o segundo se trata de um acidente de trabalho onde
morreram algumas pessoas. A partir desses acontecimentos Jesus ensina sobre
Deus e o ser humano.
Primeiramente
afirma que aquelas mortes não foram provocadas por Deus. Elas não são
consequências de uma punição por causa do pecado. Jesus aproveita destes
acontecimentos para lançar um apelo à conversão: “Se não vos converterdes,
perecereis todos do mesmo modo”! Aqui se trata de uma advertência: sem uma
verdadeira mudança, o homem pode cair no abismo. Por isso somos convidados a
uma maior vigilância sobre nós mesmos. Reconhecer a nossa fragilidade e ir ao
encontro de Deus; somente Ele pode dar sentido à nossa vida.
No
final do Evangelho, Jesus conta a parábola de uma figueira plantada em uma
vinha que, depois de três anos, não produziu fruto e por isso deve ser arrancada.
Mas com o pedido do agricultor lhe é concedida uma nova chance. Deus é paciente
e acredita que podemos mudar, por isso sempre nos dá novas oportunidades para a
conversão. Não se trata de mudanças periféricas, ou simples arrependimento dos
pecados; trata-se de um convite à mudança radical, à reformulação total da
vida, da mentalidade, das atitudes, colocando Deus em primeiro lugar. Não
podemos adiar indefinidamente nossa decisão. O tempo é curto, por isso vamos
aproveitá-lo e deixar que uma nova criatura nasça porque o que está em jogo é a
nossa felicidade e o caminho para a vida plena que nos garantiu Jesus Cristo
com sua morte e ressurreição.
“Eis
que hoje estou colocando diante de ti a vida e a felicidade, a morte e a
infelicidade. Se seguir os mandamentos do Senhor, viverás e te multiplicarás”
(Dt 30,15). São palavras que demonstram o carinho que Deus tem pela sua criação
e Ele dará o tempo necessário. A paciência que o Senhor mostra com figueira é a
oportunidade de uma nova chance de produzir frutos para a vida eterna. A
conversão do coração requer uma constante adesão de fé ao projeto divino da
salvação. Oferecer outra oportunidade não é sinal de fraqueza, mas de
amor.
“Divino
Espírito, ajuda-me a jamais me afastar do caminho de Deus; se algum dia isto
acontecer, dá-me coragem suficiente para retomá-lo”.
*Dom
João Carlos Seneme, css, Bispo
de Toledo
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