21/03/2019

Atrações e celebrações de diversas crenças atraem turistas ao Paraná

Templo Budista, em Foz do Iguaçu

Os feriados da Páscoa são, tradicionalmente, um dos melhores momentos para o turismo no Paraná. Neste ano, em que são poucos os feriados prolongados (no ano passado foram onze, neste serão apenas quatro), a data fica ainda mais importante. Foz do Iguaçu, por exemplo, prevê que a movimentação turística cresça novamente no período como já aconteceu no ano passado, quando o número de visitantes registrou 23% de aumento sobre 2017.
Apenas no Parque Nacional do Iguaçu, o único a manter registros da entrada de turistas, foram 26,1 mil visitantes em 2017 e 32,2 mil no ano passado. No parque estão as Cataratas do Iguaçu, o principal atrativo turístico paranaense. Além disso, o que mais emplaca por aqui são os destinos culturais e religiosos, cada um com uma fatia de 22% da movimentação do setor.
Embora as viagens no período da Páscoa não tenham, necessariamente, motivação religiosa, diversos destinos no Paraná oferecem atrações relacionadas com a celebração, como algumas comunidades de imigrantes instaladas em Curitiba. Tanto ucranianos como poloneses, majoritariamente católicos, têm uma relação especial com a data, quando realizam a bênção dos alimentos, entre muitos rituais.
Está na imigração também a fonte de outros roteiros, como o município de Prudentópolis (207 km de Curitiba), onde as mais de 100 igrejas, quase todas ao estilo bizantino, disputam com as inúmeras cachoeiras e cânions a atração de turistas. Ali, um museu e os bordados coloridos remetem à história da chegada dos imigrantes ucranianos a partir do final do século 19. Na ricamente decorada Igreja de São Josafat, tombada pelo Estado, a celebração litúrgica ainda segue o Rito Oriental Ucraíno-Católico.
Em Foz
Para Foz do Iguaçu, a Páscoa tem significado especial porque os países vizinhos, principalmente o Uruguai, têm por tradição fazer da nossa Semana Santa um período de folga nacional. Para alegria do setor, os vizinhos inflam as estatísticas locais.
Mesmo em Foz, com tantas atrações turísticas, quem faz questão do sentido religioso neste período tem passeios que contemplam algumas crenças. Entre eles, uma das principais mesquitas da América Latina, a Omar Ibn Al-Khatab, aberta à visitação pública, que oferece inclusive serviços de guias e outras orientações sobre a fé muçulmana.
Outro passeio que atrai muitos turistas é o Templo Budista Chen Tien, de beleza impressionante. Num jardim com 120 estátuas e muito silêncio, destaca-se a réplica de concreto do Buda sentado Mi La Pu-San, de 7 metros de altura. Ali não há explicações ou panfletos, por determinação do governo chinês, que não permite proselitismo religioso.
Igreja de São Josafat, em Prudentópolis
Outras culturas
Seguindo esta linha, o mosteiro dos monges beneditinos Abadia da Ressurreição, em Ponta Grossa (a 115 km de Curitiba), oferece até hospedagem, desde que agendada – são 12 vagas, também disponíveis para retiros e atendimento espiritual – e uma loja com produtos religiosos e alimentícios, produzidos pelos monges. De quebra, o visitante pode se deleitar com apresentações de Canto Gregoriano em português em sete horários diários.
Se o turista não entendeu a missa de Prudentópolis rezada em ucraniano, dá para tentar o culto menonita feito em alemão, na pequena Colônica Witmarsum, em Palmeira (60 quilômetros de Curitiba). Com 1,5 mil habitantes, o local preserva todas as referências à cultura alemã, desde a religião até o idioma, sem contar com a culinária típica das tortas e salsichas; dos eisbein (joelho de porco) e chucrute ao marreco recheado.
São muitas as atrações ao paladar, com confeitarias coloniais, restaurantes típicos, lojas de roupa e decoração, cervejarias, pousadas, ecoturismo e uma feirinha do produtor aos sábados pela manhã.
Em Curitiba
Para quem faz questão do sentido religioso na época da Páscoa, o Paraná oferece uma série de roteiros que permitem passeios por igrejas, grutas e outros locais sagrados a partir de algumas das principais cidades do estado. Em Curitiba, a tradição já incorporou a celebração da Páscoa dos poloneses e dos ucranianos, que levam a sério a preservação da cultura da pátria-mãe. A Swieconka, ou Páscoa Polonesa, é realizada todos os anos no Memorial da Imigração Polonesa, que fica no Bosque do Papa, e tem apresentações de grupos folclóricos e barracas de artesanato e comidas típicas. O ponto alto é a cerimônia da bênção dos alimentos, tradição dividida com a comunidade ucraniana. O costume é que as pessoas levem uma cesta com alguns alimentos.
A tradição dos ovos e das cestas é compartilhada com os ucranianos, que fazem sua Páscoa no Parque Tingui.
Cristo Redentor do Morro do Calvário, em Francisco Beltrão
Grutas e Monges
Na Lapa, cidade histórica a 80 quilômetros de Curitiba, a Gruta do Monge é local de peregrinação durante todo o ano.
Para os católicos, várias cidades do interior têm suas próprias grutas e outros monumentos religiosos, visitados especialmente nesta época. Um exemplo é o Morro do Calvário em Francisco Beltrão (470 km de Curitiba), onde fiéis percorrem a via sacra até a imagem do Cristo Redentor para pagar promessas ou agradecer milagres.
Barracão, na fronteira com a Argentina, é centro de peregrinação à Gruta de Santa Emília de Rodat, considerada milagrosa. O passeio inclui um caminho agradável com cascatas e riachos. Em Jaguariaíva (232 km de Curitiba), existe a Serra Velha ou Santa do Paredão, onde peregrinos acreditam ver a imagem de uma santa.
Em Antonio Olinto (142 km de Curitiba), o ícone de Nossa Senhora trazido da Ucrânia, bordado com pedras preciosas, é motivo de romarias entre os descendentes de ucranianos.
Sobre a cidade de União da Vitória (242 km de Curitiba) paira a estátua do Sagrado Coração de Jesus, num morro a 928m acima do nível do mar. Uma escadaria de 219 degraus leva à estátua de 27 metros de altura, fixada sobre um pedestal de 6 metros, que abriga uma capela. Depois de rezar é impossível não se maravilhar com a vista das chamadas cidades-gêmeas do Iguaçu – União da Vitória, no Paraná, e Porto União, em Santa Catarina, separadas e unidas pelo Rio Iguaçu, que deságua no Rio Paraná para formar as cataratas em Foz do Iguaçu.
Viver News – Karine Graeff c/ assessoria

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