Mulheres se dedicam a afazeres domésticos o dobro de horas dos homens
Não é novidade que o trabalho doméstico e com as
crianças tem um peso maior sobre as mulheres. A Pesquisa Nacional por Amostra
de Domicílios Contínua (PNADC) referente a outras formas de trabalho, divulgada
hoje (26), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), confirmou
que a quantidade de horas dedicadas pelos brasileiros para a realização de
afazeres domésticos e cuidados com pessoas é maior entre as mulheres do que
entre os homens. A captação das horas é feita junto, porque essas tarefas
ocorrem simultaneamente.
“Às vezes, a mulher está cozinhando e olhando o
filho. Ou o homem está fazendo alguma coisa e estudando com o filho",
explicou a economista Maria Lúcia Vieira, gerente da PNAD.
A sondagem do IBGE revela que as mulheres dedicam
21,3 horas semanais a essas duas atividades; entre os homens elas caem para
10,9 horas semanais. "Então, nas mulheres, é o dobro", afirmou Maria
Lúcia, à Agência Brasil.
A PNADC abrange afazeres domésticos, cuidados com
pessoas, trabalho voluntário e produção para o próprio consumo, categorias
definidas como outras formas de trabalho pela Organização Internacional do
Trabalho (OIT) durante conferência internacional, em 2013.
Estados
O estado do Amapá e o Distrito Federal são as
unidades da Federação que apresentam as menores diferenças entre mulheres e
homens que realizam afazeres domésticos no país: 6 pontos percentuais e 6,6
pontos percentuais, respectivamente.
O Distrito Federal supera a média nacional de 85,6%
de pessoas que realizam afazeres domésticos no próprio domicílio ou em casa de
parentes, alcançando taxa de 91,9%. O DF é o maior também no índice de homens
que cumprem afazeres domésticos, 88,3%, contra média Brasil de 78,2%, mas perde
para o Mato Grosso do Sul na taxa de mulheres que se dedicam a esse tipo de
tarefas. Enquanto nesse estado, o índice apurado em 2018 foi 95,4%, o DF ocupou
o segundo lugar, com 94,9%. A média Brasil para o sexo feminino ficou em 92,2%.
Maria Lúcia Vieira disse que o maior percentual
registrado no Distrito Federal está relacionado com o grau de escolaridade,
idade e renda. "Quanto mais escolarizado, mais afazeres domésticos faz. E
essa é uma região bastante escolarizada", disse.
A média Brasil foi 82,2% para pessoas sem instrução,
84,6% para pessoas com ensino fundamental completo, 88% para ensino médio
completo e 90% para curso superior completo. Na mesma classificação, os números
do DF atingiram 89,1%, 90,6%, 92,8% e 93,6%, em 2018.
Faixa
etária
A população que mais realiza afazeres domésticos
está na faixa etária de 25 a 49 anos de idade, considerada bem inserida no
mercado de trabalho. Em 2018, essa faixa etária apresentou taxa de 89,4% no
país. O número foi bem elevado também para pessoas com 50 anos ou mais (86,2%),
caindo para o grupo de 14 a 24 anos de idade (76,4%).
Maria Lúcia disse que o tipo de atividade realizada
e a quantidade de horas dedicadas ainda é diferente entre os sexos. "O
papel desempenhado e a quantidade de horas que a mulher e o homem dedicam a
essa atividade de afazeres ainda são bastante diferenciados. A gente vê que
atividades talvez mais trabalhosas, que são o fazer faxina, lavar ou cozinhar,
ainda estão muito sob a responsabilidade da mulher, assim como cuidar da
criança e das necessidades básicas dela de comer, de tomar banho ou estudar.
Esse papel ainda cabe muito à mulher".
Os homens preferem atividades mais periféricas,
segundo a economista do IBGE. Entretanto, ela mostrou otimismo. "Eu vejo
melhora. Mas ainda há uma diferença de papel".
Viver
News – Karine Graeff c/ assessoria da Agência Brasil
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