Triplex: STJ reduz pena de Lula de 12 para 8 anos de prisão
(Agência
Brasil) – Brasília - A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ)
decidiu hoje (23), por unanimidade, reduzir a pena do ex-presidente Luiz Inácio
Lula da Silva no caso do triplex no Guarujá (SP), de 12 anos e um mês para 8
anos e 10 meses de prisão.
O
recurso de Lula no caso foi levado a julgamento nesta terça-feira pelo relator
da Lava Jato no STJ, ministro Felix Fischer, que foi o primeiro a votar por
manter a condenação, mas reduzir a pena do ex-presidente. Ele foi acompanhado
pelos outros três ministros que participaram do julgamento – Jorge Mussi,
Reynaldo Soares da Fonseca e Ribeiro Dantas.
Foi
reduzido também o valor da multa que deve ser paga por Lula, para o equivalente
a 875 vezes o salário mínimo vigente à época do cometimento dos crimes, ante os
1.440 salários mínimos anteriores.
Os
ministros reduziram ainda de R$ 16 milhões para R$ 2,4 milhões o valor dos
danos que devem ser reparados por Lula em decorrência das vantagens indevidas
recebidas. Conforme previsto no Código Penal, uma eventual progressão no regime
de cumprimento de pena, de fechado para semiaberto, está condicionada ao
pagamento da quantia, ressaltou Fischer em seu voto.
Argumentos rejeitados
Os
ministros rejeitaram, porém, aproximadamente duas dezenas de questionamentos
feitos pela defesa de Lula, que buscava sobretudo a anulação completa da
condenação. Os advogados argumentavam ter havido, por exemplo, parcialidade do
ex-juiz Sergio Moro e atuação abusiva dos procuradores da Lava Jato no caso.
Outros
argumentos questionavam a competência da Justiça do Paraná para ter julgado o
caso e alegavam a irregularidade na juntada de provas aos autos do processo e o
cerceamento de defesa pela negativa de perícias em documentos e de realização
de interrogatórios e diligências, bem como contradições na sentença, que teria
sido baseada unicamente na palavra de um delator, segundo os advogados.
Para
os ministros do STJ, contudo, os argumentos da defesa buscavam o reexame de
provas, o que a jurisprudência do tribunal superior não permite, ou
demonstravam “mera irresignação com o resultado do julgamento” nas instâncias
inferiores, nas palavras do ministro Jorge Mussi.
Na
tentativa de anular a condenação, a defesa de Lula apresentou também um recurso
extraordinário ao Supremo Tribunal Federal (STF), que ainda deve ser julgado.
Condenação
Lula
foi condenado sob a acusação de receber um apartamento triplex no Guarujá da
Construtora OAS, bem como por ocultar a titularidade do imóvel. O total de
vantagens indevidas recebidas, segundo a acusação, somaram R$ 3,7 milhões,
incluindo ainda os gastos com reformas. A condenação do ex-presidente foi pelos
crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.
Na
sentença inicial, proferida em julho de 2017, Lula foi condenado a 9 anos e
seis meses de prisão pelo então juiz Sergio Moro, que julgou as vantagens
recebidas como relacionadas a desvios na Petrobras.
Em
janeiro do ano passado, a condenação foi confirmada e a pena aumentada pelo
Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), segunda instância da Justiça
Federal, para 12 anos e um mês de prisão - 8 anos e 4 meses pelo crime de
corrupção passiva e 3 anos e 9 meses pela lavagem de dinheiro.
Nesta
terça-feira, a pena de corrupção foi reduzida pelo STJ para 5 anos e seis
meses, enquanto a de lavagem ficou em 3 anos e quatro meses, resultando nos 8
anos e 10 meses finais.
Lula
está preso desde abril do ano passado na carceragem da Superintendência da
Polícia Federal (PF) em Cuririba. A prisão foi determinada por Moro após
encerrados os recursos em segunda instância, conforme entendimento do Supremo
Tribunal Federal (STF).
Mesmo
com a decisão do STJ, Lula deve continuar preso pelo mesmo entendimento, mas
terá direito mais rápido à progressão de regime, quando cumprir um sexto da
pena e passar para o regime semiaberto, fato que deve ocorrer em setembro.
Viver News – Wanderley Graeff c/ assessoria
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