Covid-19: testes com vacina de Oxford podem durar 1 ano e Brasil pode testar candidata italiana
Por Eduardo Simões –
Reuters - Os estudos para
comprovar a eficácia de uma potencial vacina contra a Covid-19 desenvolvida na
Universidade de Oxford podem levar até um ano na Universidade Federal de São
Paulo (Unifesp), e a instituição mantém conversas adiantadas para também testar
em voluntários brasileiros uma candidata a vacina criada na Itália, disse à
Reuters a reitora da universidade, Soraya Smaili.
Segundo a reitora,
qualquer uma dessas vacinas que se provar eficaz contra o coronavírus poderá
ser produzida no Brasil, pois o país tem competência e infraestrutura técnica
para isso.
Os testes com a potencial
vacina da universidade britânica —uma das 10 do mundo em estágio mais avançado
de estudo— começaram nesta semana no Brasil e deverão incluir, inicialmente, 2
mil voluntários em São Paulo e outros 1 mil no Rio de Janeiro.
“Esta etapa, que é a Fase
3, poderá levar até 12 meses”, disse Smaili. “Num prazo de seis meses, talvez a
gente tenha um resultado preliminar. Mas não é possível dizer que em seis meses
teremos a vacina. Isso não é possível dizer agora, temos que aguardar os
resultados, essa é uma etapa muito importante, é necessária concentração e a ciência
tem o seu tempo.”
Após a aplicação da
vacina nos voluntários —profissionais de saúde e funcionários do Hospital São
Paulo, ligado à Unifesp, de entre 18 e 55 anos que estão expostos ao vírus—
eles terão de ficar à disposição para serem acompanhados por alguns meses, com
vistas a detectar se a vacina gerou a produção de anticorpos contra o vírus.
Os estudos em São Paulo
estão sendo financiados pela Fundação Lemann, do empresário bilionário Jorge
Paulo Lemann. No Rio, o programa está sendo bancado pela Rede D’Or de
hospitais.
A vacina em estudo na
Unifesp usa um vetor viral —baseado em um vírus modificado que atinge
chimpanzés, mas não humanos, ao qual é acrescido uma proteína que o coronavírus
usa para invadir células para induzir a produção de anticorpos— em vez de um
vírus inativado, que é a tecnologia adotada no candidato a imunizador
desenvolvido pela empresa chinesa Sinovac e que será testado em voluntários
brasileiros pelo Instituto Butantan a partir de julho.
A vacina britânica não é
a única em estudo na Unifesp. A instituição participa de experimentos liderados
pela Universidade de São Paulo (USP) para desenvolver uma vacina brasileira
contra a Covid-19, que está em etapa pré-clínica.
Além disso, a Unifesp
pode fechar parceria para realizar no Brasil testes de comprovação de eficácia
de uma candidata italiana para imunizar contra o coronavírus.
“Estamos já em fase
avançada de conversas com o Instituto Nacional Lazzaro Spallanzani, da Itália,
de Roma, que é um instituto voltado totalmente para doenças infecciosas e que
já produziu diversas vacinas, inclusive a vacina contra o ebola”, disse Smaili,
que também é doutora em Farmocologia pela Unifesp e pesquisadora da
instituição.
“Eles estão interessados
para termos a Fase 2 e depois a Fase 3 também. É possível que nós tenhamos um
número grande de voluntários envolvidos e esse esforço poderá envolver mais do
que uma instituição, não só a Unifesp, o que é desejável”, disse.
A Fase 2 dos testes com
uma vacina, explicou ela, inclui ensaios em um grupo mais restrito de
voluntários e o fato de ela ter chegado neste ponto já indica um grau de
segurança para aplicação em humanos, com a necessidade de monitoramento dos
pacientes.
Já a potencial vacina
cujo estudo é liderado pela USP tem o desenvolvimento desde seu início feito no
Brasil e está em um estágio anterior, pré-clínico.
“Essa vacina está
caminhando bem, ela foi construída de uma outra forma e ela também será
promissora”, disse Smaili.
Produção Local
De acordo com a reitora
da Unifesp, qualquer vacina que se provar eficaz na proteção contra a Covid-19,
doença que já infectou quase 1,2 milhão de pessoas e matou mais de 53 mil no
Brasil, poderá ser produzida no país, em instituições como a Fundação Osvaldo
Cruz e o Instituto Butantan, por exemplo.
“Tendo o registro, nós
temos a capacidade no Brasil de produção, sem sombra de dúvida, como já fizemos
com inúmeras vacinas e fazemos”, disse ela.
Nesta semana, o ministro
interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, afirmou em audiência em comissão
mista do Congresso Nacional que o governo federal pode assinar ainda nesta
semana uma parceria para produzir no Brasil a potencial vacina contra a
Covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a empresa
biofarmacêutica AstraZeneca.
A reitora da Unifesp
disse ainda acreditar que, pelo fato de ter participado do estudo da vacina
potencial, o Brasil fica em posição privilegiada para recebê-la, uma vez que os
estudos clínicos comprovarem que funciona.
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