Paraná terá 215 colégios cívico-militares. Toledo poderá ter três unidades
O governador Carlos
Massa Ratinho Junior anunciou nesta segunda-feira (26), no Palácio Iguaçu, que
o programa de colégios cívico-militares será implementado em 215 colégios
estaduais de 117 municípios de todas as regiões do Estado a partir de 2021. O
investimento direcionado a cerca de 129 mil alunos será de cerca de R$ 80
milhões. É o maior projeto do País nessa área.
Toledo deverá ser
contemplado com três escolas: Antonio J Reis (Jardim Belo Horizonte), Novo
Horizonte (Jardim Coopagro) e Jardim Maracanã.
“Esse programa será
transformador para o Paraná. Para entregar a melhor educação do Brasil
precisamos ampliar os projetos e trazer novas ideias”, afirmou Ratinho Junior.
Ele destacou que a média das escolas cívico-militares no Índice de
Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) é 20% maior do que na educação
tradicional. “Esse é um modelo vencedor. Se é vencedor, queremos ofertar essa
modalidade. A implantação será feita de forma democrática”.
A nova modalidade de
ensino funcionará com gestão compartilhada entre militares e civis em escolas
do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental e no Ensino Médio. As aulas continuarão
sendo ministradas por professores da rede estadual, enquanto os militares serão
responsáveis pela infraestrutura, patrimônio, finanças, segurança, disciplina e
atividades cívico-militares. Haverá um diretor-geral e um diretor-auxiliar
civis, além de um diretor cívico-militar e de dois a quatro monitores
militares, conforme o tamanho da escola.
Os colégios foram
selecionados pela Secretaria de Educação e do Esporte e haverá uma consulta à
comunidade escolar a partir desta terça-feira (27) para oficializar a
indicação. Um dos diferenciais é o aumento da carga horária curricular, com
aulas extras de português, matemática e valores éticos e constitucionais. A lei
foi aprovada neste ano pela Assembleia Legislativa do Estado, mas o programa
está sendo planejado desde o ano passado.
Inovações
O governador Ratinho
Junior disse que o programa está dentro do contexto do avanço dos índices do
Ideb, como o salto para terceiro lugar no Ensino Médio. A rede estadual teve
pontuação acima das escolas particulares nos anos iniciais do Ensino
Fundamental e houve avanço qualitativo na Capital e no Interior.
Ele também destacou
projetos pedagógicos de educação financeira (que será implementado em 2021) e
aulas de programação (já disponibilizadas a 10 mil alunos). Citou, ainda, o
Prova Paraná, com ampliação da etapa de treinamento e reavaliação dos conteúdos
ensinados, e o Presente na Escola, de monitoramento e controle da evasão
escolar, com resgate de mais de 60 mil estudantes.
Unidades
As unidades do
programa de colégios cívico-militares foram selecionadas em municípios dos 32
Núcleos Regionais de Educação (NREs) com mais de dez mil habitantes e que
tenham ao menos duas escolas estaduais na área urbana, além das seguintes
características: alto índice de vulnerabilidade social, baixos índices de fluxo
e rendimento escolar e que não ofertem ensino noturno. Esses critérios foram
delimitados na lei estadual para que pais e mães possam escolher o modelo
educacional que deseja para o filho.
“Teremos aulas
adicionais de português, matemática e civismo, para estudar leis, Constituição
Federal, papel dos três Poderes, ética, respeito e cidadania. Os alunos vão
estudar mais. E no Ensino Médio a principal mudança é a implementação da
educação financeira”, afirmou o secretário estadual de Educação e do Esporte,
Renato Feder. “A educação está se transformando no Paraná. É um modelo que
acreditamos para o futuro”.
Segundo Feder, a
seleção priorizou cidades de médio porte e regiões mais vulneráveis do Estado.
A lista de municípios e colégios contemplados poderá sofrer alterações,
conforme avaliação feita pela Secretaria de Educação a partir das consultas nas
comunidades escolares.
Os objetivos
detalhados do novo programa passam pela garantia do cumprimento das diretrizes
e metas do Plano Estadual de Educação. Entre eles estão atuação contra a
violência; promoção da cultura da paz no ambiente escolar; criação de novas
possibilidades de integração da comunidade escolar; garantia da liberdade de
aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o
saber; e auxílio no enfrentamento das causas de repetência e abandono escolar.
As instituições de
ensino selecionadas funcionarão em regime de cooperação, por meio de termo
entre a Secretaria da Educação e do Esporte e a Secretaria da Segurança Pública
do Paraná. O programa será avaliado continuamente a partir da implementação,
como forma de aferição da melhoria e do alcance das metas do modelo proposto.
Não haverá seleção de alunos.
A Secretaria da
Educação e do Esporte vai editar os atos normativos necessários à
operacionalização, à gestão e à implantação do programa; apoio técnico e
financeiro às instituições; formação continuada aos profissionais da educação e
da segurança pública que atuarão nos colégios cívico-militares; e elaboração da
proposta pedagógica e dos regimentos internos. O programa será avaliado
continuamente a partir da implementação, como forma de aferição da melhoria e
do alcance das metas do modelo proposto.
O diretor
cívico-militar será indicado pela Secretaria da Educação, responsável pela
seleção por meio de entrevista e avaliação. Os militares da reserva podem ser
voluntários. Eles serão remunerados por meio de diárias criadas por lei em
2017, cujo valor variará conforme a atribuição desempenhada na instituição de
ensino.
“A Polícia Militar
foi chamada para participar com policiais aposentados, auxiliando com 200 anos
de experiência acumulada. Eles passarão por uma formação na Academia e serão
colocados à disposição das comunidades escolares. Eles auxiliarão na
administração e na estética militar. Queremos fornecer ambientes calmos e
propícios para o aprendizado. A disciplina e o respeito são fundamentais para
esse ambiente”, afirmou o comandante-geral da Polícia Militar do Paraná,
coronel Péricles de Matos.
As consultas públicas
acontecerão nas escolas indicadas para o programa nesta terça-feira (27) e na
quarta-feira (28), das 8 horas às 20 horas. Estarão sob consulta da comunidade
colégios em regiões com alto índice de vulnerabilidade social, baixos índices
de fluxo e rendimento escolar e sem oferta de ensino noturno, conforme a
legislação aprovada pela Assembleia Legislativa. A consulta será em formato de
referendo, cabendo à população dizer sim ou não ao modelo na escola em questão.
Fazem parte da
comunidade escolar professores, funcionários e pais de alunos matriculados na
instituição. Caso o estudante seja maior de idade (18 anos), o próprio
participa da consulta. É preciso levar um documento pessoal para votar e pais
ou responsáveis votam de acordo com o número de matriculados sob sua tutela na
escola, ou seja, uma mãe com três filhos pode votar até três vezes. É recomendável
que cada pessoa leve sua própria caneta para registrar sua assinatura.
Para ter validade,
mais de 50% das pessoas aptas devem participar da consulta. Se uma comunidade
escolar for formada por 500 pessoas, é necessário um quórum de pelos menos 251
pessoas. Para migrar ao modelo cívico-militar basta a aceitação de maioria
simples dos votantes da escola, ou seja, 50% e mais um voto do total. O
resultado de todas as consultas deve sair até quinta-feira (29).
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