Dilceu Sperafico*
A China, como se sabe, lidera avanços na tecnologia e entre as novidades dessas ações está a semeadura de nuvens, embora muitos ainda duvidem dos resultados do empreendimento. Mesmo assim, segundo especialistas, a China espera controlar cada vez mais quando e onde chove no país, através do plano de semeadura de nuvens. Na prática, o país tenta aumentar artificialmente seus índices de chuva desde a década de 1950. por meio de método conhecido, embora ainda controverso, como é a semeadura de nuvens. Na evolução dessa proposta, em março de 2025, frota de 30 aviões e drones lançou partículas de iodeto de prata no céu da Região Norte da China. Ao atingir o ar, o pó amarelo-pálido em seu interior emergiu e logo se transformou em "fios" acinzentados, entrelaçando o céu enquanto as aeronaves as liberavam em padrões cruzados. Muito abaixo delas, mais de 250 geradores terrestres lançavam foguetes com as mesmas partículas. O objetivo era trazer alívio à seca nas Regiões Norte e Noroeste do país, conhecidas como cinturão de grãos da China. A grande e inédita operação foi o projeto "chuva de primavera", conduzido pela Administração Meteorológica da China e planejada para beneficiar plantações de alimentos no início da temporada de cultivo.
A operação foi aparentemente bem sucedida, tendo teoricamente produzido 31 milhões de toneladas adicionais de precipitação de chuvas em 10 regiões suscetíveis à seca. A China, na verdade, tenta aumentar artificialmente seus índices de chuva desde a década de 1950, por meio de método conhecido, embora ainda controverso, como é a semeadura de nuvens. O método busca estimular nuvens a produzir mais umidade com o uso de partículas minúsculas, geralmente de iodeto de prata, cuja forma e peso são semelhantes aos de partículas de gelo. Mesmo assim, a semeadura de nuvens há muito tempo gera preocupações, que vão desde os possíveis riscos ambientais e até os impactos de produtos químicos utilizados e possíveis danos à saúde da população em áreas vizinhas, decorrentes de alterações nos padrões de chuva, além de tensões de segurança que possam surgir como consequência.
Assim, enquanto o país mais populoso do mundo intensifica a prática, cientistas e especialistas continuam questionando o quanto ela realmente funciona. Nos últimos anos, a China intensificou de forma significativa seus esforços de semeadura de nuvens, em grande parte graças ao avanço das tecnologias de drones e de radar. O país busca atualmente modificações climáticas em mais de 50% de seu território, principalmente para aumentar a precipitação, embora também esteja tentando reduzi-la em determinadas regiões atingidas por enchentes. A técnica chegou a ser empregada para gerenciar condições meteorológicas em datas específicas, como nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, e comemorações do centenário do Partido Comunista Chinês, em 2021. Segundo pesquisadores chineses, a modificação do clima se tornou projeto vital para o desenvolvimento científico das nuvens atmosféricas e recursos hídricos, servindo ao país e beneficiando a população. Trata-se de busca de meteorologia estável, com a China como grande protagonista na modificação artificial do clima e líder global nesses avanços. O crescente interesse em controlar a precipitação é óbvio, pois desde 1950 a China enfrenta secas cada vez mais frequentes e severas, com impactos na agricultura e economia do país.
*O autor é deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado
E-mail: dilceu.joao@uol.com.br







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